sábado, 13 de setembro de 2008

Um tango, um tufão, uma tragédia e o caos

Ouve-se um tango no rádio. Nota por nota , emitidas pelo violino e pelo bandoneon, vão penetrando em nosso cérebro, que repassa ao nosso corpo que baila. Um som que preenche a nossa alma e nos leva a devaneios interrompidos pelo estrondo de um trovão ocasionado pela descarga elétrica pelos raios que cruzam o céu.

São 16:30 h. O dia transformou-se em noite e a escuridão toma conta. Vento. Chuva. Raios. Granizo.

As pessoas correm  (fogem em seus carros) em busca de abrigo. A temperatura baixa. Os ventos diminuem. Já não há mais raios. A chuva cessa e a claridade retorna. Uma chuva fininha. Uma garoa fria anunciando a noite gelada. As pessoas voltam a rotina.

No mesmo instante, em questão de segundos, ali, numa cidade próxima e até naquela mais distante, o tufão faz os seus estragos. Casas destelhadas. Caminhões virados na auto-pista. Plantações danificadas pelo vento e pelo granizo. Pessoas desesperadas. Um rastro de destruição nunca visto. Uma senhora idosa esconde-se sob a mesa. Os cães latindo e correndo. Árvores arrancadas de suas moradas, apesar de suas raízes mais profundas. O caos se instala.

O vento pára. Não se consegue dormir. Autoridades e voluntários esforçando-se para auxiliar os desabrigados. Reconstruir é preciso. As primeiras doações chegam. Telhas, alimentos, agasalhos, cobertores e até uma máquina de costura para aquela senhora que a perdeu no temporal.

A solidariedade se faz presente e os que tem pouco ajudam os que tem menos que ajudam os que não tem mais nada.

Da camionete, com os donativos, um som semelhante ao tango que tocava no rádio faz-se ouvir e embala a todos, imprimindo um ritmo que faz com que as perdas não sejam tão lamentadas e o trabalho de reconstrução seja menos doloroso.

Como no tango, a tragédia tem começo, meio e fim.

Categorias: Cotidiano
Você pode acompanhar as resposta a este tópico através do feed RSS. Você pode deixar um comentário ou colocar um link diretamente do site.

12 Comentários

14 de setembro de 2008

Gente boa essa que escutava o tango.

Penso que tudo tem começo, meio e fim. As vezes esse ciclo nos alegra, outras vezes não.

abraços e boa semana.


14 de setembro de 2008

Gostei muito da comparação!
Mas espero que as perdas tenham sido só materiais e mesmo assim bem poucas… as pessoas trabalham tanto para ter algumas coisinhas… e em cinco minutos ficam sem nada… é de cortar o coração…

Beijos


15 de setembro de 2008

Poxa que tragédia!!! e você a descreveu tão bem que quase corri para me abrigar…

minha solidariedade aos atingidos.

Se cuide e que Deus lhe cuide também!

beijo


15 de setembro de 2008

E pensar que num piscar de olhos tudo pode acabar!
O tango…os sonhos…a vida…isso me assusta!


17 de setembro de 2008

Eu comentei, cadê o comentário?
Será que a chuva e o tufão levaram?

Lembro que disse algo, sobre quem escutava o tango ter o coração bom.

buá, buá.
beijos


17 de setembro de 2008

Imaginei cada palavra do seu texto… Adoro chuvas, mesmos as tempestades me encantam. Sempre foi assim. Desde pequena. Gostava de apreciar (e ainda gosto) a sua força. O humano limita-se a temer e sentir a sua força. Gosto dos sons insanos de raios e trovões. O estalo. O estouro. A ousadia.
É claro que é triste a destruição, mas isso não me comove. Porque sempre me lembro do que o humano é capaz e quando vejo a força de uma tempestade fico sempre a pensar em como se sentem as plantas que são extintas. Os animais que morrem por tão pouco ou as vezes por nada mesmo. Diversão apenas. E então sinto a força da natureza em seus raios e trovões. Sempre achei que pudesse ser uma resposta…
Abraços meus.


17 de setembro de 2008
Paulo R. Diesel

Paula:
O comentário está ai. O problema mesmo foi com a Internet.
Beijo.

Tine:
As perdas são materiais mas o psicológico fica afetado.
Beijo.

Layla:
Cuidado com os ventos…
Beijo.

Sônia:
Vivemos cercados de sustos e de medos.
Beijo.

Lunna:
Talvez seja este também o meu sentimento.
Gosto de raios, de trovões, gosto de ver a correnteza das águas arrastando
coisas que não se conseguem segurar.
Beijo.


18 de setembro de 2008

Só lembro de ter presenciado uma chuva de granizo quando eu era criança. E eram pedrinhas tão pequenas que nem chegaram a arranhar nada.

Acho esse tipo de chuva tão estranha…


18 de setembro de 2008

Estamos tão acostumados a tragédias causadas pela mão do homem, que esquecemos da imprevisibilidade da natureza.

Beijos.


18 de setembro de 2008
Paulo R. Diesel

Nathália:
É muito bonito de se ver, pena que causa estragos.
Beijo.

Bem pensado Flávia.

Beijo.


18 de setembro de 2008
Shi

A Flávia tem razão, e esquecemos também que a maioria das tragédias causadas pela natureza são resultado das mãos do homem. Acontece coisa parecida, paulo, qdo começa a chover forte aqui em Manô, o barulho da chuva nos telhados, uma delícia – até o momento em que eu lembro que a minha empregada mora em um local super perigoso, onde as águas não tem por onde escoar (ah, o homem…) e encontram abrigo nas casinhas simples dos moradores… eu perco na hora o tesão, putz! Enfim!
Bjão!


19 de setembro de 2008
Paulo R. Diesel

Shi:
Melhorar a habitação deste pessoal já contribuiria para diminuir as tragédias.

Beijo.


Deixe seu comentário

Clicky Web Analytics