Todo menino é maluquinho, mas feliz

O menino irriquieto brinca na sala.

Sobre o tapete, sobre o sofá, sobre a mesa de centro, sobre a televisão, na estante, os brinquedos viajam de cá para lá.

Monstros imaginários circundam o menino que foge deles. Pequenos aviões sobrevoam a selva fabricada e o som supersônico quase rompe os tímpanos dos adultos que se atrevem a marcar presença. Dois bonequinhos articulados se enfrentam em  lutas livres que só acabam quando um deles cai da mão do menino e o outro torna-se o grande vencedor. Uma espada de plástico cruza o ar num zás trás que assusta o gato que até a pouco jazia paciente e desligadamente no canto da sala. Alguns pêlos ainda flutuam no ar.

A televisão ligada tira-lhe, por segundos, a atenção mas o retorno ao mundo imaginário é imediato. Uma moto cruza o tapete e o som característico emitido pela boca do menino ecoa. A pantufa imitando um carro de corrida corre no circuito oval com destino à vitória.

O menino, na sua realidade, atira com sua metralhadora ao infinito como que a assassinar a solidão que sente e que vejo no fundo dos seus olhos castanhos.

A brincadeira acaba.

Recolher os brinquedos é preciso para se submeter a organização. A quantidade recolhida daria para marcar a volta na mata para que “João e Maria” não se perdessem, mas todos são, cuidadosamente, acondicionados em suas caixas.

Um pastel, um suco e a cama para recarregar as baterias para amanhã

Deni

É fácil concluir que a felicidade existe e que ela caminha lado a lado com a inocência dos meninos, das meninas, dos homens e de sua infância.

11 comentários para “Todo menino é maluquinho, mas feliz”

  1. Que foto é essa, Paulo? O Felipe quando era criança?

    ;)

  2. É verdade! Saudade da minha infância!

    Beijos

  3. E saber que nós adultos fazemos as crianças perderem a espontaneidade, a inocência e consequentemente a felicidade.

    abraços e bom final de semana

  4. É o filho “emprestado” dele, Jânio.

    Saudades, Dama.

    O mundo gira muito rápido, Paula.
    Precisamos aproveitar no tempo certo.

    Bjsj e Abraços

  5. Seu texto me fez lembrar de uma matéria feita por uma colega certa vez. Ele fotografou um jovem que havia sido morto no Iraque e pouco depois encontrou a família chorando sobre o corpo do rapaz. A interprete explicou a ele que a mãe trazia uma foto do filho com ela, era ele menino sendo treinado, sua infância tinha metralhadoras verdadeiras e os olhos mais desertos que ela já havia visto. Ele dizia que seus olhos ficaram iguais aos do garoto ao imaginar quantos mais rapazes teriam perdido sua infância e aprendido a matar. Ele me perguntou “O que estamos fazendo com nossas crianças Lu?” Não consegui dar uma resposta a ele, ainda hoje não conseguiria. Abraços caríssimo, bom domingo junto aos seus.

  6. Olá Paulo! Como vai?

    Que lindo menino! Tem um cara de sapeca! =P É seu filho, Paulo?

    Sabe, gosto muito dos seus posts, os seus textos parecem crônicas… e como as crônicas muitas vezes têm a função de nos fazerem refletir, por tratarem de coisas do nosso dia-a-dia, etc … e este seu texto me fez lembrar da minha infância, das minhas imaginações, dos meus amigos imaginários! Lembro que quando criança eu tinha muito medo de um monstro que eu achava que tinha no meu quarto e que aparecia na hora que ia dormir, este medo ficou tão forte ao ponto dos meus pais me levarem ao psicólogo infantil… aí eu lembro até hoje da terapeuta mandando eu fazer amizade com o monstro… e ela me disse que os monstros gostavam de doces… aí eu disse que iria fazer gelatina pro monstro (era o único doce que eu sabia fazer na época) … passei a fazer gelatina pro monstro toda hora…e deixava a gelatina no canto da cama pra ele comer… resumindo… eu fiz amizade com o monstro… nunca mais me esqueci disso…é evidente que hoje eu sei que esses monstros são os nossos “monstros” internos..mas pelo menos aprendi a lidar com eles…rs

    Beijos, Paulo…e uma ótima semana pra ti!

  7. Lunna:

    As crianças ainda tem salvação, depende de nós.

    Ana:

    É filho do meu filho.
    Um comentário que complementa o artigo é tudo que se espera.
    Agora vai lá no teu blog e bota este teu artigo lá para todos lerem.

    Bj.

  8. Que lindo, Paulo!

    “Há um menino
    Há um moleque
    Morando sempre no meu coração.
    Toda vez que o adulto balança
    o menino me dá a mão…”

    Beijucas

  9. Valeu, Van.

    Bj.

  10. pois tah q é assim mesmo, d faz d conta em faz d conta q a criança vai aprendendo o jogo d ser gente….

    lembro é das minhas brincadeiras d boneca, d casinha… adorava.

    é engraçado q hj em dia eu tento brincar dessas coisas com crianças, mas ñ consigo fazer as “simulações’ q eu fazia ants… sei lá, axo q fico meio envergonhada, ou esqeci como se faz mesmo… rsrsrsr

    massa o texto. e pastel com suco ants d dormir hein? hehehehhe

    bjocona!

  11. Como que percebestes que foi com refrigerante?
    Também. não ia entregar o piá/guri/garoto.

    Bj., Minina

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