quinta-feira, 16 de julho de 2009

Somos todos loucos

A plateia repleta presta atenção no orador que não diz nada. As luzes piscam e os tiros pipocam lá fora. É o fim. Continuamos ouvindo os sons que modificam o nosso pensar. Subitamente o silêncio toma conta do local, ouve-se até o respirar de alguns, percebe-se no ar um misto de ansiedade e medo pelo que está por vir. As luzes se apagam e ouve-se um grito no fundo da sala, corremos, todos, em direção a ele, mas ele já se foi. A corrida é em vão, pois por mais que se corra não se chega a lugar nenhum. As luzes voltam, o teatro ainda está repleto e a plateia está confusa. O orador, perplexo, dá continuidade ao discurso, mas suas palavras se acavalam umas sobre as outras e deixam o público ainda mais confuso. A porta da frente é aberta a ponta pés e todos se voltam para ver o que é que há. Homens fardados e armados   penetram e apontam seus fuzis em nossa direção, ninguém reage pois os argumentos agora apresentados nos convencem do contrário. O orador sorri e arruma o cabelo e acerta a gravata que estavam em desalinho e segue expelindo as suas palavras que nos confundem tanto. Prestamos, novamente, atenção e concluímos que dito daquela forma, mesmo não tendo conteúdo, poderia servir para algo ou para alguém. O orador dobra a última folha e agradece a atenção da platéia, coloca as folhas dentro da pasta, pega-a na mão esquerda e encaminha-se para a saída, acompanhado pelos homens armados e fardados, para na porta, vira-se, olha para trás, acena e se vai.  O último homem fardado fecha a porta e a tranca. Olhamo-nos e procuramos em silêncio a resposta para esta apresentação. Percebemos no silêncio do momento que os pensamentos de uns são iguais aos dos outros e a confusão que se instalara acabou. Sair é preciso, mas as portas não se abrem e o último som que ouvimos é o de uma bomba que cai do avião que sobrevoa a cidade e mata todos os que prestaram atenção mas não entenderam o discurso do orador. O orador passeia pela praça da cidade e discursa aos pombos que insistem em lhe ouvir. Os homens fardados e armados aguardam a próxima ação.

Você pode acompanhar as resposta a este tópico através do feed RSS. Você pode deixar um comentário ou colocar um link diretamente do site.

3 Comentários

16 de julho de 2009

Pombos também não entendem nada, vai chover bomba ou melhor, pombos.


16 de julho de 2009

Pois… Como homens, pombos não entendem nada… Não deveria ser assim.
Gostei da dinâmica do conto.
Abraço


16 de julho de 2009

Paulo,

A conclusão de Adriel está prevista para 23/08/09, mas não precisa ler até lá se não está gostando.

Abraços


Deixe seu comentário

Clicky Web Analytics