quinta-feira, 7 de maio de 2009

Resposta de Pedro às cartas de Paulo

Estou respondendo as cartas, Paulo, que nem mesmo sei se foram endereçadas a mim, pois na época, nossa turma era formada por mim, por ti, a Maria Cristine, a Andréia e o Pedro (segundo – como o chamávamos). Será que não eram para ele? Bons tempos, Paulo, mesmo depois de quando completamos o “primário e saímos do Colégio Estadual e nos separamos da Maria Cristine que foi estudar em outra cidade. Também, filha de professora, tinha de estudar em colégio melhor… A propósito, cá prá nós e só entre nós, já escrevestes um artigo no teu blog sobre Maria Cristine ela, a primeira namorada? Desculpe a indiscrição!!

Gostei de relembrar, mas comparando com hoje, nossa vida, nossas escolas, nossas cidades, nossos governos, vejo um grande abismo.

O trâsito não anda. Cada vez mais carros, transporte coletivo caótico, cada vez mais pessoas e os congestionamentos GIGANTESCOS. As escolas um caos. A educação tomou rumos que não tem volta. Os pais deixam nas mão dos professores, que mal preparados e mal remunerados e sem condições de trabalho, lavam as mãos. Os alunos fingem que estudam, os professores fingem que ensinam, os pais fingem que está tudo bem e o governo, bom, os governos fingem que governam.

Estás me achando cético? Pessimista? Propagandista do caos? Releve, Paulo. Tem coisa muito pior. Se não melhorarmos a educação nada melhorará. E olhe que nem falei das drogas, o crack rola livre nas ruas, em frente as escolas e até dentro delas; dos bandidos e criminosos que a cada dia que passa tornam-se mais poderosos; dos políticos que perderam a vergonha e se locupletam sem esconder, criam CPIs, investigam, os menos podres procuram os podres dos mais podres que encontram mais podres dos pretensos menos podres e tudo fica por isto mesmo.

É, Paulo, o realismo nos choca, nos constrange.Sinto saudades de quando, como diz o poeta, “éramos felizes e não sabíamos”.

Outro dia recebi um e-mail do Renato, formou-se médico, cirurgião plástico e mais tarde, pelo msn confidenciou-me que nunca ganhou tanto dinheiro fazendo reparos no corpo das pessoas (principalmente de mulheres). Vistes, nem tudo está perdido, pelo menos 2% da população ainda leva uma vida decente, podendo fazer cirurgias plásticas sem depender das filas do SUS.

Estou me alongando. Poderíamos nos encontrar qualquer hora (como diz o Chico põe meia dúzia de Brahma prá gelá…). Venha visitar-me, mas não já, pois aqui estamos de quarentena, são algumas doenças estranhas e inéditas que insistem em atacar novamente. É a meningite que vai e volta, a febre amarela que pensei estar extinta e agora a gripe suína ou a gripe “A” como alguns preferem, que faz com que muitos andem de máscara e lavem as mãos seguidamente.

Observe os noticiários televisivos, Paulo, quando os casais dos jornais das notícias pararem de falar na crise financeira, na crise social, na crise política, na crise existencial da cadelinha Zuzu da apresentadora Tété, na crise, na crise, na crise, venha, mas com cuidado e rápido e sorrateiramente porque o mundo pode ter acabado…

Abraços otimistas e até breve.

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5 Comentários

08 de maio de 2009

Excelente Paulo. Como ser otimista diante de um quadro como este ?

Só com muita fé… não fé em Deus, porque nem Deus resiste … fé que os cidadãos vão acordar e entender que está nas suas mãos um mundo melhor para sí e os seus.

E que não demore muito , senão não teremos um mundo para melhorar.

Beijos


08 de maio de 2009

Paulo muito bom! E muito realista! Parece que o rumo é caótico mesmo. Se notarmos o que é bom hoje em dia? Juntou – se os problemas de sempre (educação, saúde, segurança, alimentação, moradia) com os modernos ( naquelas)… As doenças, mais CPI’S, e daí a lista é longa!
Abraços


08 de maio de 2009

Quando a gente pára pra analisar e ver como as coisas estão andando [ou seria 'capengando'?], bate uma tristeza… Um cansaço.
Eu ainda me agarro ao último fio utópico de esperança que um dia as coisas vão sim começar a melhorar. Só espero que esse dia chegue logo, senão vai ficar impossível melhorar algo. E o fio vai se partir.

Beijo!


09 de maio de 2009

“Éramos felizes e não sabíamos”. Com certeza!

E é melhor corrermos muito, muito mesmo! Não deixar nada pra depois, ou amanhã.
Porque o amanhã pode não existir!
Como diz a música:

Não se iludam…
Não me iludo…
Tudo agora mesmo pode estar por um segundo…

Beijo Paulo!


09 de maio de 2009

” A arte de viver da fé, só não se sabe fé em que”

Muito bom, amigo!

Pensei que fosse de verdade! Escreves tão bem que me engana direitinho! rsrs

Beijos Meus

(ahhhh, abrace sua mãe, feche os olhos e dê um abraço bem apertado… sei que onde estiver, sentirá, e vc saberá disso!)

Carinho sempre,
Sam


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