A profissão, a faculdade, os cursos e a busca de cultura, emprego ou empreendedorismo

Outro dia, assistindo a um programa num destes canais alternativos da valorosa televisão brasileira, deparei-me com uma discussão sobre as alternativas que os jovens têm na escolha do seu futuro, na escolha da carreira a seguir e na escolha do curso que freqüentarão na faculdade.

Professores, psicólogos, adolescentes, pais, apresentadores, todos com teorias mirabolantes, que, na prática, levariam ou levarão os jovens a dar com “os burros n’água”.

Nunca entendi, nem aceitei, esta história de escolher, tão logo se termine  o ensino médio, o curso definitivo, o curso que nos formará e nos dará um emprego que nos sustentará para o resto de nossas vidas.

Quando concluí o ensino médio imediatamente ingressei na faculdade, empurrado que fui pelas circunstâncias e pela pressão exercida pela escola que não nos ensinava o conteúdo real no secundário para nos formar homens e melhorar a nossa cultura, mas sim nos preparava para o vestibular (e declaravam isto abertamente).

Tão rapidamente como entrei, saí. Optei por um curso técnico que mais tarde me foi muito útil na profissão e no trabalho que escolhi e desempenhei.

Já não estou mais neste trabalho, já passei por outro e por outro, já fiz outros cursos e tenho absoluta certeza que não será este o último. Curso ou trabalho.

Claro que “cada cabeça uma sentença” mas se pudesse aconselhar, diria:

*Terminem o ensino médio e vão viver. Vão viajar pelo Brasil e pelo mundo, aprendam na prática as melhores teorias, aprendam outros idiomas, lavem louça em restaurantes, cuidem de crianças em casas alheias, atendam em lanchonetes, vendam flores, façam música nas calçadas e nos parques, leiam em todas as línguas, troquem experiências com outras pessoas, conversem, observem e visitem as cidades e o campo, absorvam as mais diferentes culturas e um dia, um dia, voltem. Voltem e optem por alguma profissão, optem por algum curso que, agora sim, com toda a bagagem adquirida estarão aptos a escolher.*

Parece loucura mas é isto que eu faria se voltar no tempo eu pudesse. Penso que desta maneira surgiriam muito mais empreendedores e os poucos empregos que ainda restam seriam ocupados por pessoas muito mais qualificadas.

Esta é a minha opinião.

Madrugadas

As minhas madrugadas são frias.

Madrugadas gélidas neste inverno sulista. O vento minuano sopra de costa a costa e o frio vai penetrando em nossos corpos.

Cobertores já não são mais suficientes.

O frio, as vezes, nos traz a insônia que combatemos observando a bela paisagem do lugar. O céu iluminado pelas estrelas espalhadas em pontos estratégicos para dar lugar a lua cheia que reflete sua luz no riacho perdendo-se no horizonte.

É tarde.

O frio se espraia e a madrugada assiste confusa a minha condição.

A coruja me observa de cima do poste que integra a cerca que circunda aquela casa, emitindo o seu som característico. Os galos iniciam o seu canto despertador que ecoa aos quatro cantos.

Há cães latindo.

Há gatos sobre os telhados.

Há vida na madrugada.

O sono bate e volto da viagem para a realidade que em seguida me despertará.

As madrugadas continuam frias.

O inverno finda.

A primavera chegará.

Notícias inéditas que já lemos no passado, que lemos hoje e que leremos no futuro

Leio no jornal que a sexta-feira foi de loucura.

Nos Estados Unidos o governo do sr. Bush criou um Fundo para salvar as instituições financeiras que estão com problemas de insolvência e recuperar o mercado de ações que está “prá lá de Bagdá”, salvando, conseqüentemente, a economia mundial, o que deixou todos eufóricos.

Um fundo para comprar papéis “podres”?

Belisquei-me. A maneira com que estes governantes solucionam os problemas de má administração destas instituições financeiras me choca, me faz corar.

Está certo que os dólares são deles ( USArão em torno de um trilhão de dólares!!!!!), que eles podem USAr e abUSAr deles como quiserem, mas já é o 12º banco a entrar em falência, isto que os indícios da crise já se sentiam a um bom tempo, quando ocorreram os primeiros sinais de inadimplência no setor/crédito imobiliário.

Eufóricos e loucos ficaríamos nós se, de repente, uma mão amiga resolvesse os nossos problemas, pagasse as nossas contas/dívidas, positivasse o nosso cheque especial, tirasse o nosso nome do SPC e SERASA e de lambuja nos desse mais um crédito insignificante para reiniciar nossa vidinha nada fácil de consumistas consumidor.

Sir. Bush olha o macro e nós, aqui, preocupados com o micro.

Bom, no nosso caso a culpa da má administração dos nossos ativos e passivos é nossa, e, no caso dos Banco$, no caso dos Banco$ a culpa é, a culpa é, a culpa é…  Não tem culpa, são decisões equivocadas baseadas em dados maquiados fornecidos pelos…

É. É uma verdadeira loucura!!!!!!

Tradições gaúchas, CTG’s e carnaval

Sou um gaúcho urbano que mora no interior. Minha origem, pai-avô-bisavô, é alemã, mas desde cedo integrei-me nas tradições gaúchas.

Estudando e sendo alfabetizado em escolas públicas fui logo participando do Grupo de danças gauchescas da escola. Era o “Pezinho”, o “Balaio”, o “Maçanico”, o “Pau de fita” e muitas outras danças que aprendíamos e, em algumas ocasiões, apresentávamos em festas ou em encontros entre escolas.

Dinheiro para a “pilcha” não tínhamos e o “pai-trocínio” não era tão fácil como o é hoje, por isto pedíamos emprestado uma bombacha aqui, um par de botas ali ou um chapéu acolá.

A medida que o tempo passou fui me distanciando, mas sempre acompanhando a evolução deste culto às tradições que hoje é praticado em larga escala e incentivado pelos CTG’s - Centro de tradições gaúchas, espalhadas por todo Rio Grande, por todo Brasil e pelo mundo, pois tem-se notícia de que nos EUA, no Japão, na Alemanha, na Espanha e em tantos outros países, tem um centro e é freqüentado não só por brasileiros/gaúchos, mas por pessoas nascidas no lugar.

Aqui no Rio Grande do Sul, com a intenção de cultivar cada vez mais as tradições e germinar nos corações das crianças, adolescentes e adultos, esta chama que queima pelo Rio Grande tradicionalismo, criou-se o feriado do 20 de setembro, em homenagem a Revolução Farroupilha. É um feriado que integra o calendário e é precedido de uma semana farroupilha de acampamentos e encontros entre CTG’s e gaúchos e gaúchas de todas as querências, como por exemplo o acampamento realizado no Parque Maurício S. Sobrinho, em Porto Alegre, que culmina com o grande desfile programado para o dia 20.

Sou um gaúcho urbano e vivo no interior, mas já percebo neste desfile temático um exagero nos enfeites e despreso esta carnavalização.

Até onde poderão chegar? Eu não sei, mas prevejo sérios problemas de identidade, pois quando a mídia maior coloca os olhos, as mão, as patas sobre algo, tudo pode acontecer.

Espero, pro bem das nossas tradições, que eu esteja “vendo crescer cabelo em ovo” (dito bem gaúcho), que esteja redondamente enganado e que não seja obrigado a sair todo “pilchado”, em passeata, para defender as tradições que estão bastante ameaçadas.

Sem bombachas, sem botas, sem esporas, sem lenço, sem chapéu, sem guaiaca, mas bem,               bem    g a ú c h o.

Um tango, um tufão, uma tragédia e o caos

Ouve-se um tango no rádio. Nota por nota , emitidas pelo violino e pelo bandoneon, vão penetrando em nosso cérebro, que repassa ao nosso corpo que baila. Um som que preenche a nossa alma e nos leva a devaneios interrompidos pelo estrondo de um trovão ocasionado pela descarga elétrica pelos raios que cruzam o céu.

São 16:30 h. O dia transformou-se em noite e a escuridão toma conta. Vento. Chuva. Raios. Granizo.

As pessoas correm  (fogem em seus carros) em busca de abrigo. A temperatura baixa. Os ventos diminuem. Já não há mais raios. A chuva cessa e a claridade retorna. Uma chuva fininha. Uma garoa fria anunciando a noite gelada. As pessoas voltam a rotina.

No mesmo instante, em questão de segundos, ali, numa cidade próxima e até naquela mais distante, o tufão faz os seus estragos. Casas destelhadas. Caminhões virados na auto-pista. Plantações danificadas pelo vento e pelo granizo. Pessoas desesperadas. Um rastro de destruição nunca visto. Uma senhora idosa esconde-se sob a mesa. Os cães latindo e correndo. Árvores arrancadas de suas moradas, apesar de suas raízes mais profundas. O caos se instala.

O vento pára. Não se consegue dormir. Autoridades e voluntários esforçando-se para auxiliar os desabrigados. Reconstruir é preciso. As primeiras doações chegam. Telhas, alimentos, agasalhos, cobertores e até uma máquina de costura para aquela senhora que a perdeu no temporal.

A solidariedade se faz presente e os que tem pouco ajudam os que tem menos que ajudam os que não tem mais nada.

Da camionete, com os donativos, um som semelhante ao tango que tocava no rádio faz-se ouvir e embala a todos, imprimindo um ritmo que faz com que as perdas não sejam tão lamentadas e o trabalho de reconstrução seja menos doloroso.

Como no tango, a tragédia tem começo, meio e fim.

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