9 de fevereiro de 2010

Porque ninguém quer viajar nos vagões vazios?

Os trens partem nos trilhos paralelos e há poucos vagões vagos.

Parece que todos estão superlotados de pessoas loucas para chegar ao seus destinos.

Pessoas, loucas, destinos.

Tudo parece confundir-se e a ordem dos vagões respeita o alfabeto ou as necessidades, ou os sentimentos,  ou a fragilidade, ou a importância de cada um.

Almas vagam no primeiro vagão a procura de suas gêmeas o que é dificultado pela alta velocidade do trem que voa e confunde os pensamentos delas. Apaixonados são encontrados no segundo vagão que miram o horizonte com os olhos de quem mira um prato de tiro ao alvo.

Há vagões vagos e neles ninguém quer viajar.

No terceiro vagão, totalmente lotado, estão os narcisistas que pensam que nós não sabemos quem eles são. E há os curiosos, os desatentos, os inconsequentes, os presunçosos, os vingativos , os lerdos, os corruptos, os inescrupulosos.

O trem segue sua trajetória e de estação em estação renova seus passageiros que descem e sobem por suas escadas minúsculas, adentram a porta em busca de bancos, de diálogos, de amizades, de reconhecimentos, de glória, de prazeres, de sucesso ou de prestigio e por vezes nada encontram, viajam ensimesmados num cantinho que se lhes restou, com o rosto enfiado no jornal de ontem que alguém por ali esqueceu.

O trem anda e anda e os passageiros se renovam. Já não os reconheco mais. E les se misturam no primeiro e no segundo e no terceiro vagão, mas e por que nos vagões vagos ninguém quer viajar?

Última parada.

O maquinista já acionou os freios e o trem, suavemente, desliza por sobre os trilhos e vai parando, parando, parando…

Todos descem vagando para o leste, norte e sul deixando pra trás as lembranças da viagem: alguns pensamentos inconsequentes, as idéias trocadas com um desconhecido, o olhar discreto disparado em direção àquela morena, os rastros, os cheiros e odores como daquela moça de vestido vermelho cujo perfume suave nos fará lembrar dela por muito e muito tempo, a bela paisagem que ficará em nossa memória.

O trem de nº 1177 parte em direção a central e agora, por motivos óbvios, todos os vagões estão vazios, mas isto não responde a minha pergunta:

Porque ninguém quer viajar naqueles vagões vagos?



4 de fevereiro de 2010

A imagem no espelho

Um espelho

uma imagem.

A caverna que esconde os morcegos

mostra a escuridão

de um poço sem fundo.

A imagem se despedaça

o espelho quebrado

dilacera a face

que não mais se agrupa

A máscara cai.

A verdade

transforma em cacos

os reflexos

de uma imagem

que  não era

a minha,

nem a tua,

nem de ninguém.

28 de janeiro de 2010

Colcha de calças de jeans usadas

Aplaudo sempre as grandes idéias, mas quando a Marlene veio com esta, confesso que fiquei meio cético: Fazer uma colcha para cama de casal com calças jeans usadas, ao meu ver, seria impossível. Para ela não.

Arquitetou, pesquisou, desenhou, lubrificou a máquina de costura, abriu o bau, procurou no fundo das gavetas e dos roupeiros, cortou o cós, as partes rasgadas e o que não dava para utilizar, alinhavou, costurou e … fez a colcha.

Surgiram calças e mais calças e mais calças de anos e anos de uso, calças minhas, calças dela, calças dos filhos, calças bem lavadas, surradas, calças quase novas, calças usadas e usadas e usadas como aquela da Camila que já estava se desintegrando e ela insistia em usar, calças como aquela minha que rasgou toda naquele dia em que precisei fugir dos quero-queros me me perseguiam com rasantes e seu ferrão a mostra e ao pular a cerca fiquei preso no arame farpado, calças com o aquela em que…   são tantas histórias envolvidas que um texto só não basta.

Não sei de onde ela consegui tanto jeans, porque muita roupa que não usamos mais doamos a quem delas possa, ainda, tirar proveito, mas enfim a colcha ficou pronta conforme a fotografia abaixo demonstra e o meu ceticismo deu lugar a alegria de ver uma colcha nova sobre a nossa cama.

(clique na imagem para ampliá-la)

Até o Fredy gostou da idéia e como disse lá no início, grandes idéias, muitos aplausos.

27 de janeiro de 2010

Como conseguir um bom marido

Teve uma época em que, se o homem tinha alguma dúvida ou se ele se esquivava demais da pressão da mulher e da família da mulher em relação ao casamento e não estava muito a fim de se tornar um marido, vinha a “nona” ou a avó aconselhando: -Faz um bom jantar, capricha no prato principal que ao fim dele, o pedido de casamento será feito. A estatística registra que de cada dez tentativas, dez se concretizavam. E hajam padres e hajam igrejas e hajam salões para tanta festa.

Passando o tempo, com o advento do feminismo e da luta pela igualdade entre homens e mulheres, esta estratégia foi deixada de lado, talvez alguém ainda a use, mas não tenho notícia de resultados mesmo porque a maioria das mulheres jovens de hoje não sabem nem fritar um ovo.

Nos dias de hoje acontece o contrário. Tem muito homem que, querendo impressionar ou fazer um agrado para alguma mulher, entra na cozinha e prepara com maestria um bom prato para a esposa, namorada, amiga e fica só esperando os elogios (não é a toa que os melhores chef’s dos restaurantes, mundo afora, são homens).

Nunca escondi que gosto de preparar alguns pratos, tanto que as receitas que publicamos aqui são todas devidamente testadas e as vezes também gosto de impressionar, fazer um agrado e com pratos simples o que, geralmente, dá certo.

Molho de miúdos de frango

  • 400 g miúdos de frango (moelas e fígados)
  • 6 tomates
  • 1 cebola
  • temperos

Picar os miúdos no tamanho desejado, fritar primeiro as moelas e depois juntar os fígados. Acrescentar a cebola e os tomates e os temperos, fritar, cozer até que o molho estiver pronto.

Pode ser servido com arroz branco, purê de batatas, batatas cozidas, massas caseiras…

Eu servi uma boa massa, acompanhada do molho e uma saladinha básica.

Experimentem e descobrirão, como eu descobri, que além de ser um molho muito bom é também um eficaz afrodisíaco.

Bom apetite!!!

24 de janeiro de 2010

A psicologia entre pais e filhos

Todo pai e toda mãe tem que usar muito de psicologia para administrar os filhos, dar exemplos, compreendê-los, encaminhá-los. Nestas minhas andanças já vi muita coisa sendo usada e tem uma que o meu cunhado sempre usava e outra que nós criamos lá em casa, que tinha e tem um efeito sobre os nossos filhos e que repassamos a nossos amigos que usaram na educação dos filhos deles.

-Bagunça generalizada e o Cristiano tentando por ordem na casa, filho pequeno, amiguinhos, correria, pulos na piscina, bola pra cá e pra lá, mais correria, a água da piscina invadindo o espaço da churrasqueira, crianças, pulando na água, água voando sobre as mesas, bolas, crianças, água e ninguém ouvindo os apelos carinhosos do churrasqueiro na tentativa de amenizar os efeitos negativos das brincadeiras que já estavam extrapolando o bom senso, até que do alto da sua experiência de pai-psicólogo ele pega seu filho pela mão, arrasta-o para um canto, abaixa-se e explica falando baixo, explica falando normal e por fim explica GRITANDO já que era só desta maneira que o garoto entenderia. E entendeu. Depois deste episódio, sempre que necessário, dizíamos : Queres que eu explique como o tio Cristiano explica? Claro que não precisava pois a lição ficou na memória de todos.

-Almoço servido, purê de batatas, molho de frango, salada e nossa filha de três anos não querendo comer. Tentativas da mãe, tentativas do pai e nada da criança comer, mais tentativas, mais conversas e nada. A criança chora e reclama e chora e não quer comer. O pai e a mãe já irritados e sem mais idéias para convencer a filha, até que na última hora o pai-psicólogo entra em ação, pega o prato, divide ao meio o purê que tem nele e diz: Dividi tua comida ao meio, primeiro tu comes esta metade e depois tu comes a outra metade. Pronto. Criança feliz, mãe feliz, pai feliz. A guria comeu tudo e mais uma máxima na psicologia foi criada.

Estudos são feitos, livros são escritos, mas a experiência que os pais adquirem com os próprios filhos não tem preço.

Entenderam? Não? Última chance: Primeiro leiam a metade de cima, depois a outra metade ou vão querer que o tio Cristiano EXPLIQUE…

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