Mortes acidentais
A violência no trânsito provoca acidentes e consequentemente muitas mortes.
Nesta segunda feira, os jornais, os sites e todos os meios de comunicação noticiarão as inúmeras mortes ocorridas.
Não consigo entender porque as pessoas, principalmente nos fins de semanas prolongados por feriados, saem às ruas para se matar.
Talvez se eu observasse nas auto-estradas, ou até mesmo nas vias urbanas, como os motoristas dirigem seus veículos notaria que a imprudência impera.
São ultrapassagens em locais indevidos, excesso de velocidade, motoristas com muito álcool na cabeça(não estou falando do combustível para o carro) imprudências de toda ordem além, é claro, do lastimável estado de certas rodovias.
Porque será que todos têm tanta pressa? Onde querem chegar tão rapidamente? Será que as praias, as cidades serranas desaparecerão dos nossos mapas se chegarmos alguns minutos depois? Ou será que a nossa ansiedade em estar onde planejamos é tão grande que não conseguimos raciocinar logicamente?
Se temos tanta pressa em ir, porque temos, também, tanta pressa em voltar?
Algo há de ser feito.
Ou nos conscientizamos do mal que estamos causando nos outros e/ou em nós mesmos, ou em breve seremos nós que engordaremos as estatísticas das mortes por acidentes fatais.
Este texto foi publicado inicialmente em 2007, mas como hoje saímos ás ruas e fomos à serra gaúcha e almoçamos no Restaurante Roda d’água e tivemos um prazer gastronômico muito elevado, visitem é muuuuito bom, resolvi republicá-lo pois nada de lá para cá mudou, apenas aumentaram as imprudências e as mortes.
Conclusões conclusivas
A cabeça dolorida rola em direção as pequenas teorias que não solucionam a dor. Escravizados pelos efeitos rebuscados de imagens projetadas e de espectativas criadas os pensamentos se afastam dos objetivos e aceleram a sua busca do nada. O que seria o nada se a ausência total da cor é que caracteriza o branco?
Os pensamentos invadem os vazios e criam ecos que ninguém escuta.
Palavras aos ventos são escritas e sobrepostas em folhas de papel colorido. Volto às cores sem perceber, mas porque não misturar cores e palavras e dores e amores e sabores e dissabores, se elas se manifestam aleatoriamente e sem convites formais?
Fugir de construções metafísicas e confundi-las com as filosofias existentes não me atrai. Não quero, mas preciso, entender o mundo em que vivo e para isto me isolo em silêncio no meio dos barulhos naturais e dos artificialmente produzidos.
Basta. Não há conclusões conclusivas, mas as busco, desenfreadamente, e continuo nesta meditação em meio aos sons que não identifico, em meio as luzes que penetram pelas frestas das janelas e em meio aos cheiros e odores que me remetem a lembranças esquecidas e armazenadas na “caixa-preta” da vida.
Todos contra o booling-homenagem ao Arthur, o bonitinho
Ultimamente ressurge com força total na mídia um assunto que volta e meia é muito debatido: o booling.
Rebuscando na caixa preta da minha memória, encontro fatos cuja prática se assemelhava a isto e lembro que mesmo no primário entre uma lida das histórias do Olavo e da Élida nos “Livros do Guri”, presenciava-se diversos episódios.
Vou relatar, aqui, no entanto, um booling que ocorria quando já estava no fundamental. 6ª série, turno da tarde, somente uma turma no colégio, nem lembro bem a nossa idade, adolescentes em fase de crescimento, mas ciente de que as gurias já estavam muito a frente dos guris.
Oito guris, doze gurias, turma pequena e antes da aula, no intervalo, no fim da aula a Elaine e a Denise (nomes fictícios) corriam atrás do Arthur, corriam, corriam e gritavam:
-Bonitinho, bonitinho, bonitinho…
O Arthur era rápido e conseguia, sempre, escapar da perseguição nesta corrida do “Pega-pega”, mas o recreio acabava e ele não conseguia comer o seu lanche, além de ser repreendido pelo professor pelo seu aspecto cansado e totalmente suado.
Fim da aula e lá estavam elas, a Elaine e a Denise, correndo atrás do Arthur que disparava rua abaixo, rumo a sua casa, sem olhar para trás.
“Bonitinho, bonitinho, bonitinho, ouvia-se. Outro dia, outra aula, início, intervalo e fim de aula, lá estavam elas, reprimindo, importunando, perturbando, constrangendo o Arthur.
Se fosse hoje, apesar da idade e com toda esta facilidade de acesso a qualquer tipo de informações, Arthur reageria diferente, encararia e quem sabe até “ficava” com as colegas Elaine e Denise, ao mesmo tempo ou não e este assédio booling diferente não o perturbaria tanto, mas na época ele teve que trocar de colégio, para fugir deste processo que o abalou psicologicamente.
Bonitinho, foi assim que o Arthur ficou conhecido e este apelido o acompanhou por muito tempo.
A Elaine e a Denise nem sabiam que estavam praticando o booling e até um dia destes, numa festa em que nos reencontramos, conversamos e rimos muito sobre a situação que à época nos divertia e muito.
Se fosse hoje os pais e o conselho tutelar seriam acionados e envolvidos, os meios de comunicação teriam assunto, esquecendo um pouco da pedofilia. e os processos se acumulariam no Judiciário.
Sou contra o booling, mas existem casos que fazem e farão sempre parte do nosso folclore…
Sexta-feira 13 entre marés
Agora que a sexta-feira 13 já passou neste agosto frio e chuvoso e que todos os temores já se foram, compartilho com vocês o texto que escrevi aqui no blog Entre Marés. Espero que visitem…



Palavras frias
Olho
insistentemente
o azul escuro
desta noite sombria.
Vejo
estrelas escondidas
atrás de nuvens carregadas
sopradas por um vento tímido.
Sinto
Mudanças
que arrepiam
e deixam a pele fria
Penso
nas perguntas e
nas respostas
que não alcanço.
Desisto
e volto
às estrelas e nuvens e ventos
a procura
de perguntas
e respostas
impregnadas
na pele fria
que se arrepia.