Olhar pelos olhos
Os olhos, como que atingidos por grãos de areia, insistem em se fechar. Esfrego-os, tento mantê-los abertos, mas tudo é inútil.
O cérebro manda mensagens de alerta para que algo seja feito. A luz que vem do monitor do computador parece penetrar no verde e branco do globo ocular.
E pensar que há pouco observavas com avidez os menores movimentos que te circundavam e agora já não podes olhar para as teclas que insistem em se manifestar publicamente.
Abandonas a idéia tenebrosa de olhar por olhar e fechas-te na tua insignificância, penetrando, só, nos teus próprios pensamentos e de devaneio em devaneio te perdes nesta teia que tu mesmo construístes.
Não são os olhos, não é o cérebro, não são os dedos que viajam pelo teclado, és tu que te perdestes e agora foges a um lugar incerto e não sabido.
Abra, abra os teus olhos e volte a enxergar.
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