O pomar de João e a cerejeira
João ganhou um pomar.
Sim, João é uma pessoa que gosta de pomares, gosta de cultivá-los, cuidá-los, gosta de ver o pomar crescer, florescer, dar frutos e por isto se dedica a ele.
É o que João está fazendo agora. Cuida de todos os detalhes, a escolha das mudas, o adubo certo (orgânico é claro), a rega, a poda. João só lamenta que as vezes já tem algumas árvores plantadas, árvores que não receberam todo o carinho e o cuidado de João desde o início de suas vidas.
Tem, lá no pomar que o João ganhou, uma bela árvore, a cerejeira, em meio a outras, que teria tudo para ser a que frutos mais suculentos daria, a melhor sombra, as melhores sementes para futuras mudas, mas não, não é isto o que acontece. (Bem que lhe avisaram que a mais bela poderia não ser)
No início João preocupou-se com a macieira que estava com alguns galhos quebrados e um fungo em seu caule. Cuidou dela, remediou-a, regou-a, mas não adiantou. Teve que substituí-la. Preocupou-se, também, com a figueira e aquela bergamoteira que estavam meio caídas, não conseguiam mais produzir e destoavam do resto das árvores que floriam e produziam muitos frutos. Substituiu-as, também.
E a cerejeira lá, vistosa, frondosa, ostentando o lugar de “rei” do pomar.
João substitui as três que sucumbiram e plantou mais outras, mas quando percebeu, uma das árvores parou de produzir, murcharam suas folhas, secaram seus galhos o que deixou-o bastante triste e preocupado. Pôs-se, então, a observar e a investigar. Algo de estranho vinha daquela cerejeira que afetava as demais árvores.
Seria a sombra que as vezes batia ao sul, as vezes ao norte? Seria o sopro do vento que passava por entre os galhos da verde cerejeira?
João continuou sua pesquisa e tratou de recuperar aquela que murchou, que secou. Conseguiu, mas quando percebeu, uma outra árvore frutífera foi atingida. Murchou. Galhos secos, frutas caindo, pouca produção.
E a cerejeira ali, imponente, balançando de um lado ao outro.
O serviço de João recomeçava. Recuperar outra árvore quase morta, coisa que fazia com prazer mas agora ciente da influência negativa da cerejeira sobre as demais, destilando o seu veneno cerejeiro, a sua sombra traiçoeira e o seu vento arrasador, João precisava fazer algo maior, não só para salvar a quase morta mas também proteger.
João talvez apele ao IBAMA.
João talvez faça denúncia à Associação das árvores desprotegidas. João talvez arregimente um exército de árvores e declare guerra à cerejeira.
João talvez use, finalmete, a sua moto-serra para salvar o seu pomar.
Dá para aplicar isso no caso de governantes como o Lula, Bush e Berlusconi? Seria perfeito, afinal, o João poderia cortar o mal pela raíz, não acha?
Já no caso das árvores, melhor não recorrer ao Ibama, até eles atenderem já não teria mais árvore alguma. E quanto a cerejeira, bem melhor um pássaro na mão do que dois voando? Não é isso que dizem?
Sabemos que sempre é melhor cortar o mal pela raíz, Lunna, mas também sabemos que nem sempre é possível…
Bj.
Caraca…
Isso é uma parábola mais indecifrável que aquelas de Cristo. Bem, para mim, que ando com o cérebro à meia-bomba… bem brocha mesmo…
Volto aqui um dia e tento decifrar esse enigma do Paulão Esfinge.
Como é difícil acabar com a mais frondosa, vistosa, imponente e potencialmente mais bonita… mesmo sabendo que é quem maltrata todo o resto!!
Beijos!!
Captou a mensagem, Jade
Vai entender estes apóstolos, Sérgio.
É o que dizem, né… Às vezes é preciso sacrificar um para que outros se salvem.
Mesmo quando esse um é de uma beleza deslumbrante.
Beijo!
Ah, vi seu comentário no meu blog agora e, bem, esse é o ponto:
Acho que o estresse excessivo é exatamente por causa das férias.
Estou a seis meses parada, só esperando a faculdade começar.
Beijo!
Tira férias das férias, Nathália.
todo o mal, deveria ser cortado pela raiz Paulo, não deixar se criar… Simplesmente cortar!
beijos
Leticia:
Em busca da excelência.
Bj.
Bela fábula, Paulo.
E eis que na vida é assim.
E eis que com gente é pior.
E eis que há aquele que só enxerga a beleza das flores e cega o olhar para todo o resto.
Mas….. Eis que a inveja e a corrosão estão em todos os seres. Em graus diferentes. Mas estão.
E eis que também, vez em quando, existe beleza sem ser cruel, sem arrogância, sem prepotência.
A beleza que não quer destruir, que só quer existir….
Aquela beleza que vem de dentro, que só faz e só quer o bem.
Tudo tem sua beleza.
Basta sabermos ver.
Beijomeu.