quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

O choro de um velho solitário

E o velho chorava copiosamente, sentado no seu banquinho de madeira, quase acocorado no meio do pátio em que, no fundo via-se um casebre de madeira apodrecida cujas frestas se sobrepõe e de longe vê-se o interior dele,  os dois cães, vira-latas, sentados bem próximo a ele  olhando-o com aquele olhar triste de cachorro, parece que tentavam consolá-lo. O velho chorava e balbuciava palavras que eu não compreendia.DSC00150

Sempre que caminhava ou corria, em busca da saúde perfeita, por aquela rua e o via, ali, sentado, conversando sozinho, conversando com os cachorros, conversando com suas verdades e lembranças que as vezes o faziam sorrir e as vezes o deixavam triste, fechado, ensimesmado a ponto de gritar, espantar os cães com murros no ar e maldizer todos que passavam na calçada, extendendo os impropérios até a 2ª ou 3ª geração dos que o ouvia.

Hoje foi diferente. O banquinho, o casebre, o pátio, os cães, tudo igual, só o velho estava diferente, resignado e choroso.

Parei e tentei um diálogo, mas ele não queria ou não conseguia conversar. Fiquei observando, ouvindo e em meio ao choro pude ouvir palavras como: filhos, onde estão? me abandonaram, mulher safada, cão do diabo, meu filho… Gritava e o choro aumentava. – Meu filho aparece, vem ver o pai…

Nada fazia sentido. Um velho sofrido, rugas marcando no rosto as dificuldades passadas, as roupas rasgadas denunciando necessidades, a garrafa de cachaça vazia, deitada ao lado indicando o estado do homem, a solidão do banquinho no meio do pátio e os cachorros vira-latas entristecidos.

O velho chorava e sentia a solidão dos solitários.

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3 Comentários

10 de dezembro de 2009

Vida vivida, vida real. Foi mais um caso da vida, que vemos todos os dias tornando-se banal…

Bjos, querido!


11 de dezembro de 2009

Sempre acho que a solidão não aparece do nada, a gente a convida, não? Grande abraço


15 de dezembro de 2009

Sempre digo, é muito bom ter concorrentes(rs), pois, eles ajudam sempre em alguma coisa(rs).
beijitus


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