O caos no trânsito e algumas alternativas

Quero vender o meu nosso carro[bb]. Faço qualquer negócio. Financio. Facilito a entrada. Dou prazo após o prazo. Entrego com o tanque cheio e o Ipva pago. Se o interessado “chorar” um pouco, faço até um bom desconto. E não é pelo dinheiro, que sempre é bom, mas o caso é outro:

Não tem mais espaço para os veículos transitarem nas grandes cidades.

As principais capitais estão com os congestionamentos cada vez maiores e segundo os especialistas, São Paulo e Rio de Janeiro pararão em 3 a 5 anos, Belo Horizonte e Porto Alegre em 5 a 10 anos.              O que é que eu quero com um carro, então?

Já imagino-me preso no trânsito. Saio de casa, ando alguns metros e tranca tudo. Carros e mais carros à minha frente, atrás, ao lado.Tudo parado.

Os flanelinhas desempregados, os vendedores de todos os gêneros super atarefados, os celulares tocando e tocando e tocando, os notebooks[bb] nos colos dos motoristas a trabalhar insessantemente e servindo de elo entre os que no carro estão e o escritório/fábrica/restaurante/… Os contatos entre os do carro”A” com os do carro “B”, “C” desenvolvendo uma nova linha de pensamentos metafóricos e visionários que determinam o fim ou o início de uma nova era que já acabou.

Os relacionamentos virtuais cada vez mais fortes e aprofundados.

As cidades pararam. O país parou.O homem parou e pela morosidade que vivia aquele dia em que as horas não passavam pensou, meditou, filosofou.

Cidades menores cobrando royalties das maiores pelo know-how que adquiriram, tentando ensinar-lhes a melhor maneira de fugir deste caos.

O fim dos movimentos estava próximo, tão próximo que nada mais importava. Ouvia-se ao longe as businas dos carros, os gritos das pessoas, cães e gatos observando os movimentos selvagens dos humanos que insistiam em sair deste emaranhado, desta confusão.

Precisamos achar uma solução, nem que seja freudiana.

Quero vender o meu nosso carro, mas pensando melhor e verificando os fatos reais que estão acontecendo e ainda dominam a minha consciência, melhor não vender. Não, melhor vender pois se Porto Alegre que tem em torno de dois milhões de habitantes  vai parar daqui a 10 anos eu que moro aqui nesta Teutônia de trinta mil, continuando neste ritmo, parará daqui a mais ou menos 543 anos e como medida preventiva vou vender o carro, com ou sem o consentimento de vocês.

Transporte?

De bicicleta, carro de boi, charretes puxadas por cavalos brancos ou então caminhadas, longas e desestressantes caminhadas, que me ajudarão a fugir deste que é o mais novo, o mais interessante, o mais empolgante, o mais importante foco noticioso da nossa competente e imparcial mídia.

16 comentários para “O caos no trânsito e algumas alternativas”

  1. Ahhh, bem que podia voltar as charretes, eu acho tão romântico, acho que nasci em época errada… sei lá, é so um sensação. Mas de verdade, nosso trânsito tá uma caos, fora os assaltos que somos ‘obrigados’ a nos expor. Beijos, querido!

  2. O romantismo sempre está presente, em todas as épocas, Crys.

    E o trânsito, bem falar do trânsito é um congestionamento de palavras que se acavalam a explicar o caos.

    Bj. Bom fim de semana.

  3. Deveriam voltar a fazer as Romisetas.
    Deveriam encurtar as distâncias entre a vida e as necessidades básicas.
    Um dia seremos mais simples.

    Beijucas, Paulo, querido….

    Que bom que ouviu as músicas.
    Tem uma gravação que fiz de FLY ME TO THE MOON (Sinatra) lá no blog. É só apertar o play.

    Mais beijucas

  4. O problema com o trânsito já vem de longa data - segundo a lenda paulistana - na ocasião da inauguração do Teatro Municipal houve um congestionamento monstro (para a época) mais de cem charretes fecharam as ruas ao redor do teatro (é de rir, não é?).
    Bem, mas faz tempo que eu abri mão de um carro e por diversas razões - tenho um patins e uma bicicleta, chego bem mais rápido que a maioria, faço exercícios matinais e curto o vento na cara (que eu adoro). Um som bem gostoso e a paisagem revigorada. Carro? Não pra mim…
    Bom fim de semana!

    Ps. E aí, testou mesmo a receita?

  5. Receita testada, mas claro que teremos de fazer novamente para acertar melhor o ponto.

    Bom fim de semana para ti também, Lunna.

    Bj.

  6. Realmente o trânsito está um caos. Recife tem horas que fica insuportável.
    Bem bolada a história, com humor, e nos faz pensar. Ando de ônibus porque vendi o carro. Muitas cidades não investem nas linhas de ônibus, quantidade, qualidade. Andar de bicicleta com a quantidade de assalto e o trânsito louco está inviável. Um dia vamos ter que encontrar uma solução, caso contrário ninguém vai, nem vem.
    belo domingo!

  7. Ei Paulo,
    o que sei é que, ano-após-ano, depois de mais duas pontes por essas bandas, já não tem estradas suficientes para circular e estacionamentos para deixar os carros. Enquanto isso, o transporte coletivo sempre super lotados e, em algumas linhas, a espera pode chegar até mais de hora por um ônibus que nos leve aonde queremos chegar. Mas, não quero ser pessimista. Penso que, de um jeito ou de outro, haveremos de encontrar a saída, ou melhor, o caminho a ser percorrido.
    Um abraço

  8. Sim o caminho a de ser encontrado. Eliminar pessoas ou carros em circulação (brincadeirinha) é um deles.

    Abraço, Jacinta

    Paula:
    Vamos nos acostumando com o que temos e não procuramos mais por outras soluções.
    Se de bicicleta é perigoso vou inventar algo “movido a vapor”.

    Beijo

  9. Ué, em alguma coisa a China tem que estar certa… São raras as “bolas-dentro” por lá, mas nisso eles já se deram conta: BICICLETA! Não polui, passa em qualquer brecha e faz bem à saúde.
    Há pouco fiz um treinamento pioneiro no Ministério da Saúde onde estamos desenvolvendo uma metodologia de VIGILÂNCIA da qualidade do ar. Sim, porque, atacar o problema depois que ele já aconteceu, São Paulo já faz, a Cidade do México também, entre outros. E a conclusão chegada até então é a de que o maior teor de poluentes vem mesmo do trânsito. Não das indústrias e nem das queimadas…
    Temos mesmo que fazer alguma coisa.
    Um grande abraço!

  10. Bom, eu quase não ando de carro ou ônibus. Gosto muito de andar por aí e observar a paisagem.
    Já pensei em comprar uma bicicleta, mas morro de medo de cair e morrer atropelada.

    Só pego ônibus quando é extremamente necessário.

    Beijo!

  11. Paulo, como vc leu ontem lá, a cidade pra onde me mudei só tem 100 mil. Mas menino, aqui a gente já tem problemas sérios de transito, acredita?
    Por ser uma cidade onde mais da metade da população tem poder aquisitivo alto, o numero de veículos é enorme e a infra da cidade já está a ponto de explodir.
    Qual é a saída? É claro que a gente espera que seja governamental. Mas não dá pra esquecermos que parte da saída é nossa. Ainda não consigo me imaginar sem meu carro - ou usando-o apenas em determinadas situações - mas a nossa comodidade tem sido um tanto egoísta né?
    Beijocas

  12. Oscar:

    Dá-lhe China.
    E além de tudo ainda esta poluição toda.
    O problema é conscientizar este povo.
    Abraço.

    Nathália.
    Cuida com os atropelamentos, menina.
    Mas carro é assim, um dia ainda vais ter um.
    Beijo.

    E o pior, Loba, é quando tem 2 ou mais carros numa família só.
    Não há infra-estrutura que seja suficiente.
    Bj.

  13. Oiê!
    Vim desejar um ótimo domingão e dizer que tem selinho p/ vc em meu blog!
    Beijão

  14. Valeu Renata. O selo sempre é bem vindo.(não sei se mereço)

    Boa semana pra ti

    Bj.

  15. Até mesmo em cidades menores, como aqui em Blumenau (SC), de 300 mil habitantes, se fala em caos no trânsito. E a série de reportagens do Jornal Nacional semana passada destacou bem o assunto.
    Eu, que guardava grana pra comprar meu carro, já desisti e tirei um peso das costas. É dinheiro demais pra pouco benefício. Discordo de quem diz “ficou fácil comprar um carro”. Financiar até é mais fácil que antigamente, mas pagar IPVA, combustível e aturar o trânsito não compensa.

  16. É isso aí Daniel. Se tiver um transporte coletivo a altura todos poderíamos abdicar dos carros particulares.

    Abraço.

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