Não é fácil ser paraplégico

Minha filha tem um amigo paraplégico.

Era um rapaz saudável, viviam em festas e no fim de uma delas, nestas tantas curvas voltas que as estradas dão e impulsionado por aquilo que hoje e sempre impulsiona os jovens, uma derrapada com a moto e o (in)feliz deu de cara no chão, estatelado e desacordado. Do tombo para a paraplegia é um pulo.

Amigos, então, sobram poucos e o acesso às festas, às lojas, às escolas, aos bancos, aos restaurantes, aos ônibus, aos “xopins”, aos cinemas, aos etc é praticamente inexistente.

O que fazer então para que o Julio (o tal rapaz que sobreviveu ao acidente e que enfrenta a paraplegia com um sorriso no rosto e um otimismo que eu não teria) siga a sua vida normal, podendo freqüentar os lugares que todos podemos freqüentar?  Ajudá-lo com sua cadeira de rodas? Carregá-lo para lá e para cá apesar dos seus 75 Kg?

Ontem eles tentaram ir no Cia Bar em Estrela/RS, no Café Virtual em Lajeado/RS (cito estes dois lugares mas poderia relacionar uma infinidade deles) e acabaram desistindo. Sem rampas, sem banheiros especiais sem a paciência dos freqüentadores dos locais sem acesso, mesmo.

O que fazer então?  Fica em casa, Julio, quem manda tu seres paraplégico.

Penso que os nobres deputados, senadores, prefeitos, legisladores em geral, se sensibilizem e se interessem mais por este assunto (sei que já existem algumas leis) e façam algo mais no lugar de aumentar seus salários, suas ajudas de custo, suas verbas de representação.

Minha filha tem um amigo paraplégico e, aos nossos olhos, ele não está morto e merece uma vida normal por mais difícil e dificultada que seja.

22 comentários para “Não é fácil ser paraplégico”

  1. espere sentado

  2. Eu tenho uma colega de trabalho, que virou amiga, que é paraplégica. Ela me conta todas as adversidades pelas quais tem que passar! É uma barra! Eu a admiro muito ela tem uma força interior incrível!

    Beijos

  3. Não percamos as esperanças, Rayol

    Abraço

    E se não fosse esta força interior como seria, Dama?
    Beijo.

  4. E preciso ter muito cuidado!

    Mas eles têm o mesmo direito que toda a gente!

  5. Direito eles têm, Andréia
    O problema e fazer respeitá-los.

    Bj.

  6. Paulo, concordo contigo.

    Que história triste, mas espero que este rapaz saiba enfrentar, aliás, consiga enfrentar todas as dificuldades com resignação.
    Sabe, Bakunin dizia que é preciso ser louco ou mal intencionado para imaginar que uma constituição, por melhor que seja, vai melhorar as relações de um Estado com os seus cidadãos. No Brasil, é evidente que existe um abismo entre a lei e o nosso dia-a-dia… infelizmente…

    Abraços.

  7. Nao tem uma lei que obriga a ter acesso facil, banheiro, e tudo mais?

  8. Tirando toda via cruci que um deficiente sofre, ainda xiste a burocracia d liberação de estudos com células tronco…

    Mereciam ir para o tronco isto sim…

    Ps.: Aqui em SP por ausa de uma luta de uma deficiente, hoje já é permitido cães guias em metrôs,restaurantes e repartições públicas…Fico pensando nos cadeirantes; colocar na cabeça?

    bjos Paulo

  9. Leis de acessibilidade já existem. Não sei se tem que ter alguma legislação municipal. Aqui têm as leis, como tantas outras, o problema é serem cumpridas. Fazer lei até fazem, fiscalizar e fazer cumprir é uma dificuldade.
    abraços

  10. Paulo,

    Vim conhecer seu blog. Gostei muito. Em minha cidade (Curvelo- Minas Gerais) começaram agora um processo de transformação para se adequar à lei de acessibilidade… mas acho que ainda estamos longe do ideal. Realmente é algo complicado e que precisa do olhar atento de todos.

    Mas também ficam um alerta a todos: jovens e não-jovens para a velha máxima: se for dirigir não beba! Claro, que todos os casos não resultam da inconsequência, mas é em grande número.

    Abraços!

  11. Sabe admiro as pessoas que passam por isso. E os acessos aos locais realmente não existem. Aqui em POA ainda existe lugares em ônibus e tal, mas falta espaço no cinema em festas. Realmente é uma vida complicada!
    beijos

  12. Ana, Paula, Meire, Tânia, Leticia:

    Parece que todos concordamos. As leis não são suficientes, mas sem elas é pior.

    Ká:

    Seja bem vinda. Beber, realmente, é a principal causa destes acidentes.

    Beijos e abraços.

  13. Além da falta de acesso, existe todo um preconceito por parte da sociedade. São poucos os que agem como nós: o Júlio não consegue entrar? Bom, então vamos todos embora e achar outra coisa pra fazer.

    Adorei o texto..
    Kisses, my lovely dad!

  14. Poisé, e o povo enche a boca pra dizer a máxima: se dirigir, não beba; se beber, me chame! O cerumano, vou te contar, é uma coisa: vive pra se matar, eu hein? Mas qto ao Julio, a sorte dele é ele ter essa força (às vezes, é preiso se obrigar a encontrá-la), pq se depender dos seus - HUM!!! - semelhantes, vai viver preso na própria casa (como se não bastasse estar preso no próprio corpo, né?) Well… Bjo, queridão!

  15. Que bom que ages assim, Camila

    Bj

    Tem coisas (e muitas) incompreensíveis., Shi.

    Bj.

  16. Paulo, aí na sua cidade não existe lei municipal que estabeleça que o Poder Executivo garanta adaptação para os portadores de deficiência física? É nesta hora que o povo tem que exigir dos vereadores. Isto deveria ser lei municipal, se é que já não é. Disso me orgulho da cidade onde moro. As leis de administração publica são cumpridas e onde se vai tem meios de locomoção e socialização dos cadeirantes - é o chamado turismo adaptado - Mas não só na minha cidade, em todo o Estado do Rio foi instituida a Lei de Acessibilidade com políticas públicas no sentido de se fazer cumprir a legislação pela população. A última medida foi a criação de uma Cooperativa de Táxis Especiais. Acho que neste caso, existindo as leis, o povo é que tem que ser conscientizado, senão obrigado!

    *Sobre a postagem abaixo, viu que em Brasília também estão no sufoco? Quer dizer, a cidade mais moderna do país, com vias expressas sente também a invasão automotiva. Bons tempos aquele em que um carro servia toda a família, que eram usados somentes em viagens ou finais de semana.

    Beijus,

  17. Acho que aqui não tem esta lei. Vou procurar, Luma.

    Quanto aos carros, não veja saída.

    Bj.

  18. Eu te digo que fico “triste” quando ouço falar de uma situaçao dessas, moro aqui na França e aqui existe todos os meios pra pessoas com deficiência, e vejo como eles podem se integrar na sociedade como qualquer outra pessoa…e logico, nunca estao satisfeitos…
    Espero que o Brasil abra os olhos e veja que essas pessoas sao dignas de respeito!
    Liz

  19. Minha mãe dizia que :”amigos, poucos e bons”, são esses que vão estar por perto, e que bom que ele consegue manter a alegria, pois as dificuldades para a minoria estarão sempre presente, pois a sociedade não atende, a gente pode brigar, mas mudar é muito difícil!!
    Beijos!!

  20. Eu fico impressionada com as pessoas que ficam fisicamente impossibilitadas e ainda assim não se deixam levar pelo desânimo e tal.

    Sabe qual minha vontade? Quebrar a coluna de cada um desses políticos pra eles perceberem o quanto é difícil ser um deficiente físico nesse país. Só assim pra eles darem a devida importância ao assunto.

    Beijo!

  21. Oi Paulo,
    Penso que, infelizmente, vivemos na sociedade que é feita para a pessoa que obedece o “padrão de funcionamento no que ela estabelece que seja 100% o tempo todo”. Mas, não podemos deixar de perceber que existem algumas ações, eu sei - poucas ações- sendo desenvolvidas no sentido de se pensar a sociedade que se compreenda composta de pessoas especiais, com situações diferentes e necessidades diferentes. Por aqui, a passos lentos, já se percebe rampas em ruas e prédios públicos, ônibus com degrau e espaço para o cadeirante. Repito, sei que é pouco, são vitórias conquistadas com muita luta, inclusive a de mostrar para a sociedade que os cadeirantes, os cegos, os surdos, enfim, a pessoa diferente, como toda pessoa, continua com seus desejos, vivendo, comendo, sonhando, saindo de casa…continua
    Abraços

  22. Liz:
    Espero que um dia chegue por aqui.

    Jade:
    Os amigos contamos nos dedos das mãos.

    Nathália:
    Nao, Nathália, quebrar colunas não.

    Jacinta:
    O povo é muito pacífico (pelo menos por aqui) e acaba se resignando e aceitando as coisas como elas são…

    Beijos.

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