Jogar ou armar boliche
O que será que nós ainda não fizemos?
Outro dia fomos ao “xopin” e jogamos boliche. Tudo automatizado, os pinos derrubados sendo reerguidos, as bolas sendo devolvidas, o número de pinos sendo marcados no placar, tudo automaticamente, até o tempo que compramos sendo controlado pelo computador.
Lembro-me de um tempo não tão distante, na minha infância, quando ajudar nos afazeres domésticos ou entregar jornal, ou fazer um ou outro serviço a troco de algumas moedas para ajudar no orçamento familiar, era algo normal e não era proibido por lei e os nossos pais não eram acusados de exploração infantil e não vinha nenhum conselho tutelar dar palpites sobre a administração familiar e nós não nos envolvíamos com pequenos furtos, nem com vadiagem nem com drogas nem com nada… Tá, era uma época difícil e, por exemplo, o boliche não era computadorizado.
Terças-feiras a tarde, quartas e quintas-feiras a noite era quando eu ia, faceiro, ao clube da cidade trabalhar de “armador de pinos de boliche”. Os homens e as mulheres jogavam a bola, os pinos eram derrubados, jogávamos a bola, rapidamente, de volta por uma espécie de trilho, armávamos os pinos e em seguida já vinha outra bola, derrubando mais pinos e lá íamos nós armar os pinos novamente. As vezes as bolas eram jogadas com tanta força que os pinos eram arremeçados com violéncia conta a parede e por vezes tínhamos que nos defender para que não fossemos atingidos.
Nossa maior alegria era quando, depois de todos os jogadores jogarem, recebíamos o nosso pagamento e muitas vezes adicionado de um refrigerante, inteiramente grátis. Depois, bem, depois corríamos para casa, entregávamos o dinheiro recebido aos pais e íamos jogar bola, brincar de esconde-esconde, de pega-pega, ou de outras brincadeiras que inventávamos, porque, afinal de contas, ninguém era de ferro.
É difícil dizer o que ainda não fizemos, mas quem passou por certas coisas no passado nunca terá medo ou terá problemas para enfrentar obstáculos ou desafios no presente e/ou no futuro.
4 Comentários
Nossa, eu nunca joguei boliche, só vi nos filmes, mas nunca tive curiosidade de jogar. Lembro do Fred Flistones jogando no desenho (kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk). Faz tempo, eu sei.
Mas eu acho engraçado essa coisa de trabalho infantil, quando pequena eu cortava a grama e ajudava na jardinagem para ganhar uns trocados e aprendi muita coisa com isso. Ajudava uma senhora a passear no bairro porque ela não podia sair sozinha e a gente conversava bastante durante a meia hora que ela levava para dar a volta no quarteirão.
Mas acho que há uma grande confusão nessa questão do trabalho infantil, porque acho abusivo casos de escravidão como tantas vezes já foram noticiados, mas não vejo problema em pequenos trabalhos, acho que isso contribui para a construção do individuo em muitos sentidos…
Beijos moço
Paulo,
Tu sabes que esse final de semana, pedi para meu filho arrumar o quarto dele e tal… Lá pelas tantas ele me olha e diz assim: Não vou continuar a arrumação, pq criança precisa brincar e não trabalhar! Juro para ti que fiquei pensando… De onde esse guri tira essas coisas? Da escola! Olha, na minha época arrumar o quarto era obrigação e não me caia a mão, sempre ajudei em casa e comecei a trabalhar com 16 anos. Hoje, tudo é exploração infantil ou juvenil, não entendo! Meu pai começou a trabalhar desde os 12 anos de idade, o que tem demais isso?
Quanto ao Lucas que me solta essa pérola de nao querer arrumar o quarto, óbvio… Mas óbvio que fiz ele arrumar, nem cogitei o contrário.
É bem como tu disse… Era algo normal ajudar em casa e ninguém palpitava. O mundo “evolui” e ficamos sem entender direito.
Abraços
Adoro Boliche!


Paulo, nesses meus sessenta e pouco anos muitas coisas mudaram e não sei dizer com precisão se pra melhor ou não. Sigo tendo um pouco de medo das evoluções e hoje tudo fica velho muito rápido. Há dois anos compramos uma televisão nova que foi trocada na semana passada porque a Lu achava ultrapassada. Enfim, tive um televisor durante anos e só troquei porque inventaram o controle remoto anos depois. Dá pra acreditar nisso?
Tudo hoje se perde muito rápido.
Grande abraço