Foi um aviso ou era uma simples manifestação do meu stresse?
O livro, dentro da minha pasta (estou caminhando do estacionamento para a empresa) que seguro na mão esquerda gelada pelos 5 °C que fazem nesta manhã de junho, parece que se abre sozinho, folheia as páginas, lê as palavras, os versos, os parágrafos e reflete sobre o que nele escrito está. Percebo a necessidade da interação, abro a pasta, pego o livro e o abro na página marcada. Uma frase sublinhada com um lápis nº 1 chama-me, de imediato, atenção: …O carro em alta velocidade corre pela via de mão única, não observa que o semáfaro está fechado, não vê que os pedestres estão sobre a faixa de segurança e só pára após bater no homen que estava a frente de todos e que cai sangrando, fratura exposta do fêmur, gritos da multidão…
Ouço gritos, instintivamente fecho o livro, um senhor é atropelado na parada de ônibus por um carro desgovernado que vinha em alta velocidade pela avenida perseguido pela polícia com a sirene aberta. O carro pára, a polícia estaciona, o corpo do homem, alí, na minha frente, na calçada, estendido no chão. Muitos correm para ajudar, muitos correm para olhar, o motorista do carro parece desacordado e a busina dispara pelo impacto da cabeça sobre o volante. A polícia tenta conter o povo e resolver a situação. Aguardo alguns instantes, ambulância, mais pessoas se aglomerando, a truculência evitando aproximação e atravesso a rua. O frio que sentia foi esquecido pela inusitado do acidente e pela adrenalina produzida. Vem-me a mente a pasta, lembro da frase que estava lendo quando do acidente, lembro do livro e o abro novamente procurando a página marcada, a frase assinalada e a coincidência que presenciei, que vivi.
O livro que carregava era técnico, falava sobre vendas, nele não havia página marcada, não havia frase sublinhada, não havia nada. Assim como senti, solitariamente, o livro se abrindo e se manifestando, recolhí-me, nada falei e li nos jornais do dia seguinte a frase que pensara ter lido, ou li no livro (já nem sei mais) que estava dentro na pasta, segura pela mão esquerda gelada naquela manhã de junho.
Era muito frio, o termômetro da avenida marcava 5ºC. O homem morreu.
13 Comentários
Eu acredito em avisos, premonições, intuições, pressentimentos e tudo que se assemelhe.. E essa foi chocante!
Beijocas
Credo Paulo… Seria a ficção se misturando com a realidade? Nossa imagino teu pavor nessa hora.
Abraço
A vida imita a arte ou vice versa?
Inteiramente chocante!
Menino, vc tá cada vez mais contista! E com uma agradável variante: seus contos têm sempre um elemento inusitado.
A vida nem sempre nos surpreende com suas ações e reações repetitivas. As grandes surpresas ficam por conta do olhar de quem conta um conto! Adorei este.
Beijocas
Eu sempre me divirto com essas questões e confesso que me divirto muito mais com o olhar do outro a ler tais palavras. Eu não penso em aviso, lembrete, coincidência… Não, eu apenas viro a página. Bjs
Não sei responder a frase título, mas sei que o estresse, de certa forma, nos protege. Como se a nossa mente pedisse um retorno, uma rebobinada para reabastecer-se. Talvez isso tenha explicação para o conto, ou para as situações que nós, conseguimos sentir até o cheiro do momento e dizer: Peraí, eu já vivi isto! Uma premonição ou se viveu realmente? Quem sabe o pessoal que acredita em várias vidas, possa dizer que estamos sempre revivendo, retornando ao ponto em que não foi bem resolvido, para resolvermos definitivamente. Quem sabe não ler o livro, não escrever a história, mas participar efetivamente dela? Boa semana! Beijus
Não acredito muito em avisos, mas numa situação como essa teria tudo para jurar de pés juntos de que foi pura premonição.
Beijo!
São os sentimentos aflorados que as dúvidas nos atropelam… Eu não sei dizer ao certo o que pode ter sido, mas a sua história me envolveu profundamente!!! O livro está sobre a mesa e o vento gelado entra pela minha janela…
Abraços
a vida está cheia de sinais..a gente que os ignora…foi um aviso, com certeza, e você soube como contá-lo maravilhosamente bem… adorei a leitura!
beijos Paulo
Paulo,
Ou teria sido, talvez, um aviso de seu anjo da guarda?
Está escrevendo fenomenalmente. É sempre um prazer ler você.
Beijos
É uma pergunta que pode ser respondida de várias maneiras.
Premonição? Pode ser uma delas, mas não arrisco afirmar. De qualquer forma, gerou um ótimo post.
Aproveito e agradeço por citar meu blog no seu post anterior.
Aquele abraço!


Credo! Senti até um arrepio!
Um aviso…quem sabe? Às vezes acontece.
Bom dia Paulo!