quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Claro que eu te vi

Chovia, o bailado dos guarda-chuvas no seu começo, as poças d’água se formando, as pessoas andando devagar, algunas correndo e tu na calçada do outro lado da rua com aquela capa de chuva transparente e o guarda-chuva que compramos em Estocolmo.

Caminhavas despreocupada falando ao celular e te assustastes quando percebestes-me, parado no trânsito engarrafado. Confesso que não te vi num primeiro momento pois os vidros do carro estavam fechados e eu conversava com a Sheila que me acompanhava.

O sinal abriu, segui em frente e ai sim te senti. A maneira como caminhas, os olhos castanhos,  os cabelos loiros, o teu sorriso mesmo nesta situação do tempo chuvoso, via-se que estavas feliz.

Só mudastes a expressão quando me vistes. Não sei o que pensastes, mas claro, claro que eu te vi, e todo passado em segundos manifestou-se na minha memória e a saudade foi o sentimento predominante.

Claro que eu te vi, mas disfarcei para não prolongar esta história inacabada que já acabou.

O carro seguia, a chuva molhava, o pensamento insistia nas suas incursões sobre o passado, mas tua caminhada em sentido oposto ao meu nos mostrava toda a realidade.

O sinal fecha, breco o carro e o diálogo com a Sheila recomeça.

Claro, claro que eu te vi…

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11 Comentários

22 de outubro de 2009

Ela pensava apenas na chuva e contava as gotas que seu guarda-chuva “cospia” de um mundo para o outro. As ilusões ao redor se desenhavam até que você apareceu do nada, como paisagem recém desenhada, sem grandes traços, apenas aquela imagem ainda sem definição. Foi tudo tão rápido que o tempo escorreu feito a água que corre para o bueiro e desaparece feito o carro que foi embora quando o sinal abriu…


23 de outubro de 2009

Moço,

Sua estória eh um encanto. Adorei!

Um feliz dia pra vc.


23 de outubro de 2009

Ela simplesmente caminhava pela chuva deixando aquelas gotas molhar o seu corpo. Mesmo percebendo a minha presença não fez nenhum sinal, deixou apenas a vida seguir seu curso normal!!

Abraços querido


23 de outubro de 2009

Uma história que, certamente, está longe do fim.

Nos tempos atuais, vir aqui e ler um texto desses é reconfortante! :)


23 de outubro de 2009

Opa! Quis dizer, “estória”! rs


25 de outubro de 2009

Perfeitooo tanta clareza de uma forma simples egostosa.
Bjs de mel
ursinha


25 de outubro de 2009

A chuva como cúmplice (ou como testemunha) de um amor desfeito.
A chuva que vem e vai é tão necessária, como o amor.
Já falei da chuva em muitos textos meus, já fiz até poesia! A chuva é minha amiga e minha aliada!

Ando ausente, e nao me perdoo por perder teus textos que são agradáveis de ler.
Beijao, querido!


26 de outubro de 2009

história inacabada que já acabou?? mesmo??rs…

Bom dia Paulo!


27 de outubro de 2009

Ahhh, mas que lindo texto. Adoro ler sobre o amor, mesmo sobre as histórias inacabadas que já acabaram! É, tem pessoas que marcam mesmo e permanecem pra sempre, mesmo que o pra sempre sempre acabe. Tem pessoas que deixam aquele gostinho de quero mais, a sensação de que ainda havia tanto o q se viver juntos, mas…
Enfim, histórias inacabadas sempre tem um fim, um dia, mesmo q o fim seja o recomeço…

Adorei sua visita, fico feliz qdo vc aparece!!! Obrigada!
Bjos pra ti


27 de outubro de 2009

Hum… és um romântico!

Besos,


27 de outubro de 2009

Gostei muito do seu texto Paulo, a seqüência natural ficou muito bom, me senti um passageiro a bordo da sua história. Grande abraço


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