Chimarrão – A terapia do gaúcho
Quem nunca tomou um não sabe o que está perdendo.
Aquela cuia cheia de erva-mate verdinha; um chazinho para diversificar o gosto; a água derramada vagarosamente, nem fria, nem fervente, no ponto; a bomba (de chimarrão) dentro da cuia a interligá-la com a boca do vivente que vai sorvendo o mate; a cuia de mão em mão e o pessoal jogando conversa fora ou resolvendo todos os problemas do mundo.
É uma delicia.
Naquelas manhãs, tardes, noites geladíssimas do nosso Rio Grande do Sul/BR em que as temperaturas baixam de 0°C e não ultrapassam os 10°C, a água do chimarrão vai descendo garganta abaixo aquecendo todos os rincões do corpo e também da alma.
Quem precisa de cobertor?
E não é só no frio. Chimarrão toma-se sempre, no inverno, na primavera, no outono ou no verão.
Tomo chimarrão desde os meus 13 anos (já devo estar verde por dentro) e desde então é difícil passar 2 ou 3 dias sem. É uma tradição que cultivo e repasso aos filhos, que espero repassarem aos seus. Esta tradição está tão enraizada nos costumes do gaúcho, catarina e até paranaense, que muitos o tomam no trabalho, nos passeios pelas praças das cidades, nos jogos de futebol, nas escolas, nos bancos, nas repartições públicas e em todos os lugares que se possa imaginar.
Nesta história do chimarrão sou meio conservador, mas se amanhã aparecer um cientista maluco “Paulo” inventando uma fórmula para socializar mundialmente esta bebida, vou apoiar pois penso que todos têm o direito de experimentar.
Se fosse nos EUA já estariam comercializando o “chima-cola” e ganhando muitos dólares .
Hoje, muitas vezes, tomo o chimarrão em frente ao computador. A esposa não gosta e os filhos, fora, não me fazem companhia sempre. Entre o escrever um artigo, ler um nos blogs e acessar os sites, a cuia se esvazia, a garrafa térmica se esvazia e a chaleira já chiando sobre o fogão a gás anunciando que tem mais água para a próxima rodada.
Estão servidos?
42 Comentários
É isso aí, Sérgio. País continental e costumes regionais.
Abraço.
Um dia ainda provo, só pra saber como é o ritual de tomá-lo, o sabor e tudo mais… rs
Beijos
Estás convidada, dama
Bj.
Chimarrão aqui em Cuiabá é um hara kiri! hehe…
O pessoal aqui é adepto ao terere!
Eu não curto nenhum dos dois! [Prefiro um chopp gelaaado!hehe]
Ótimo feriadão!
Beijos
Um chopinho sempre cai bem.
Bom feriado para ti também.
Bj.
Chimarrão
Glaucus Saraiva
Amargo doce que eu sorvo
Num beijo em lábios de prata.
Tens o perfume da mata
Molhada pelo sereno.
E a cuia, seio moreno,
Que passa de mão em mão
Traduz, no meu chimarrão,
Em sua simplicidade,
A velha hospitalidade
Da gente do meu rincão.
Trazes à minha lembrança,
Neste teu sabor selvagem,
A mística beberagem,
Do feiticeiro charrua,
E o perfil da lança nua,
Encravada na coxilha,
Apontando firme a trilha,
Por onde rolou a história,
Empoeirada de glórias,
De tradição farroupilha.
Em teus últimos arrancos,
Ao ronco do teu findar,
Ouço um potro a corcovear,
Na imensidão deste pampa,
E em minha mente se estampa,
Reboando nos confins ,
A voz febril dos clarins,
Repinicando: “Avançar”!
E então eu fico a pensar,
Apertando o lábio, assim,
Que o amargo está no fim,
E a seiva forte que eu sinto,
É o sangue de trinta e cinco,
Que volta verde pra mim.
Postei essa poesia no Flaiinando na Web, certa feita.
Dá uma boa descrição do “ritual” que é tomar o “mate”!
Um abraço, meu amigo!
Olá Paulo……….. agradeço a visitinha aos meus “segredos”! Mas, pena mesmo foi vc ter chegado no finalzinho. Poderíamos ter trocado várias idéias por aqui. Ainda assim…….. obrigada!
PS: Esta é a resposta ao teu comentário. Está lá……. como costumo fazer sempre. bjs
ai paulo, eu bem que tentei gostar… putz, mas é amargo né? rs… tive um ótimo incentivo, te garanto. mas nem assim rolou gostar! rs…
fico pensando que chimarrão pra vcs, gaúchos, é como o cafezinho pra nós. um hábito agradável que nos acompanha em todas as estações.
um beijo!
Este Claucus Saraiva sabe nos emocionar.
Abraço, Oscar
Marrie:
Já estava acompanhando a mais tempo.
Bj.
Experimenta de novo Loba.
É lógico que se tomasses desde os 13 anos como eu
seria bem diferente. Questão de costume.
Bj.
Nunca experimentei mas tenho curiosidade… vou ter de ir ao Sul.
Conheci o chimarrão com 12 anos, num padre do colégio que estudei.
O ano passado voltei a provar quando estive em Gramado. Não gostei.
Acho muito bonito e interessante esse processo do chimarrão, o cuidado, o carinho, o reunir as pessoas, o passar de boca em boca, sem preocupação com a higiene.
Estive esse mês em Camboriu, e vi pessoas tomando na praia.
É muito interessante a tradição.
abraços
Venha, Letícia.
É bom cultivar a tradição, Paula, mas posso te garantir que tem chimarrão e chimarrão. Alguns até nem eu gosto de tomar. Tem muitas pessoas que não o sabem preparar.
Abraços.
Eu nunca provei………. =(
Já está na hora, Van…
Bj.
Ahhh, eu sempre mato a vontade do chimarrão, na casa de uma prima, que é casada com gaucho, gente boa! Muio bom! Beijos, querido!
Valeu, Crys. Que bem que gostas.
Bj.
Agora vc imagina que EU, AQUI em Manaus, já tomei muito chimarrão (eu tive um quase cunhado que adorava, e aqui pertinho de mim tem uma lojinha que vende ervas 10), ó! Eu até que gostava, mas num deu pra acostumar, não – é que eu num curto muito bebidas quentes… Mas pra quem vive no sul, com esse frio duca que tá rolando, não tem coisa melhor, né?
Bjão!
No calor fica mais difícil. Melhor um suco bem gelado.
Bj.
Caro, vi várias ‘cuias’ (é assim que se chama?) à venda em Buenos, parece que eles tem esse mesmo hábito lá. Mas por inaptidão em saber como preparar, qual e onde comprar a erva, desisti de adquirir uma pra mim, tô arrependidaça.
Acho que seria uma ótima trocar o cigarro pelo chimarrón já que não saio dessa fase oral e o César Maia agora resolveu pegar no pé…
Mas precisaria de alguém pra me enviar via correio os apetrechos necessários. Eu pago, você se habilita a me desvirginar na tradição?
Bezzos, querido!
Já me ofereceram, mas eu não aceitei por… por… medo!
É, juro pra você.
Não sei, mas tenho medo de coisas verdes. Tinhe medo de ter um gosto horrível que me fizesse passar mal a noite inteira…
Quer dizer, hoje em dia nem tanto, mas nos meus 8 anos de idade era demais.
O problema é que foi, literalmente, uma oportunidade única. Nunca mais alguém me ofereceu.
Beijo!
Nathália:
É assim mesmo, verde e com gosto horrível no começo, quando se está aprendendo a apreciar, depois… vicia.
Quanto ao medo das coisas verdes, não vais poder morar em Marte(os EUA estão com uma missão quase lá) hehehe.
Bj.
É tomado, também, na Argentina, Paraguai e Uruguai, Srta Rosa.
Quanto a cuia,bomba e erva posso enviar, tens o meu e-mail.
Bj.
Não gosto de tomar chimarrão sozinha, prefiro que seja com companhia. Mas depois de ler esse post, já tô indo preparar a cuia na cozinha.
Sozinho ou acompanhado, o importante é cultivar a tradição, Venuss.
Bj
Meu marido foi ao Rio Grande do Sul e voltou todo, todo. Trouxe cuia e erva. Ficou impressionado como os gaúchos tomam chimarrão.Tentou mudar seus habitos capixabês, pois tinha gostado da tal erva, mas não teve jeito. O café venceu a erva … rsrs.
PS.: Cara acredita que em pleno janeiro encontrei uma familía aki no ES, na praia com o maior sol, tomando chimarrão? Realmente não há como negar, somos todos iguais, a única diferença é a cultura, pois quem abre mão de um cafezinho bem quente passado na hora em qualquer estação? Da mesma forma vocês com o chimarrão.
Parabéns pelo blog. Muito bom.
Obrigado pela visita, Pri, volte sempre.
Também tomamos o cafezinho, mas o chimarrão é uma terapía, uma tradição, eu diria uma seita.
Bj.
fala cara… sou de sao paulo mas moro em MS.. aqui o pessoal toma tereré pois é muito quente… eu sou fascinado em um chimarrao.. adoro mesmo e tomo todo dia… eu aprendi a fazer faz um tempinho, com um primo que morou no Sul.. mas ae fui deixado sozinho com a cuia a bomba e a erva e minhas experiencias nao foram muito abonadoras: a bomba sempre intupia… entao eu comecei a ver videos no youtube que ensinavam a preparar um chimas… eu estou tentando todos os dias e tenho sucesso… sao raras as vezes que intope…. mas a minha frustraçao é a de nao ter nenhum gaucho por perto para me ensinar ao vivo como é que se prepara… sou muito perfeccionista, entao, mesmo que nao entupa a bomba eu sempre acho que um verdadeiro gaucho faz melhor, faz o “legitimo”. Minha duvida é a seguinte: cada pessoa que toma diariamente seu chimas, ae no sul, desenvolve uma maneira especial, dentro do limite do processo de preparo, de preparar seu chimas? ou seja,,, cada um tem seu jeitinho??? me responda por favor, pois nunca me interresei em fazer comentarios em blogs ou sites… e só o chimas me despertou esse enterresse
Estás no caminho certo Marcel. A prática aprimora o feito.
Não tem mistério. É assim mesmo.
Obrigado pela visita ao blog e, se quiser, aproveite e leia outros artigos.
Abraço.
hum…num vejo a hora de poder experimentar..
tenhu outras intençoes tbm ao ir fazer isso..
conheçer Porto Alegre eh tudo q mais quero…rsrs =)))
bjuus
Tá convidada. Sabes que somos mui hospitaleiros.
Só não posso te mandar a passagem. Hehehehe
Beijo
Adoro chimarrão, aqui no trabalho tomamos 4 térmicas por dia em 3 não importa se é verão ou inverno, moro no PR e tem dias bastante quentes tbém.
Acostumar com chimarrão é que nem quando a gente é criança e não gosta de cerveja, acha amargo, ruim, não entende como os outros gostam, mas aí vc cresce toma algumas vezes forçado, lá pela terceira vez vc já adora… com água tonica e agua com gás é a mesma coisa, água tonica é terrível, mas lá pela quarta latinha da tua vida vc já não sente mais o amargo e se torna uma delicia.
Então é natural que quem experimente ache horrível no inicio, depois vira um vicio assim como pessoas se viciam em cerveja, só que o chimarrão não faz mal, a não ser que seja em excesso.rs.
abração, até
Mais Legal esta pagina eu e minha familia tambem adoramos um bom mate
Boa Tarde tchê!
Agora tu imaginas eu morando aqui no NE, tento que ficar distante do meu Rio Grande, porém não deixo de matear, mando buscar a erva ai n Sul, fica muito caro mais não falta o mate.
Há, aproveita e visita o nosso blog (amantesdomate.blogspot.com).
Passa por lá e deixa teu comentário eu e minha família vamos adorar.
Pois eu acho charmosérrimo. E queria ser viciada num chima ao invés dos meus Carltons que viraram Downhill (é dunhill mas acho que o outro nome traduz melhor o gosto, que mudou pra pior). Pra piorar eu agora sou viciada sem marquise. Talvez seja um hábito a adquirir, quem sabe vira vício e eu troco de vício, né? O problema vai ser tomar um chimarrão e fumar fora da marquise. Sem o chimarrão já é deveras complicado…
Besos!
oi adoro chimarão meu amigo, pois sou pernanmbucano mais tomo chimarão com muito orgulho gostaria que todas as pesoas tomasem, e sentisem o grande prazer que é um gande abraço p todos
Só pra deixar constado, o Chimarrão é PARANAENSE, e não gaúcho como muitos pensam ;D
Parabéns pelo blog e pelo texto do Chimarrão, sou de SP (noreoeste do estado) e tomo diariamente meu amado e “sagrado” tereré e cultivo este amado “vicio” a um bom tempo.
Gosto também de chimarrão.
Bons mates e bons textos!!!
Abraço.


Eh,eh,eh… estive por ai pelo Sul e conheci o hábito, sem me habituar.
O que reparei, e contei para o pessoal daí que comigo estava, era a gôndola do super.
Comparei com o café. Aqui, é difícil encontrar chimarrão, e quando tem, são poucos pacotes, de uma só marca e velho de gôndola.
Mas café, cada região do estado exibe suas marcas, sempre muitas.
Ai, tinha que me contentar com uma única marca de café exibida no super que íamos.
Viva o Brasil e seus hábitos regionais.
Abraços!