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A vida é uma grande peça teatral.
A vida é um grande peça teatral, ou será que uma peça teatral é uma vida sintetizada?
Pensamentos e devaneios que me invadem após assistir ontem “Eu sou minha própria mulher”, monólogo apresentado pelo ator Edwin Luisi, de autoria do dramaturgo americano Doug Wright que analisa a vida de Charlote von Mahlsdorf, antiquário alemão que sobrevive a regimes nazistas e comunistas em Berlim Oriental/Alemanha, como um travesti. Charlotte preservava o Museu Gründerzeit e, no porão do local, mantinha um cabaré gay clandestino, durante os regimes de repressão. Uma personalidade comovente, alegre e adorável, que se tornou uma celebridade nos anos 80.
Mas eu não quero escrever sobre a peça em si, mas sim, destacar a interpretação do Edwin que impressionou a todos que assistiam ao monólogo. Inúmeros personagens passearam no palco e conversaram entre si e derramaram e expressaram seus sentimentos, na pele de uma só pessoa.
Sabemos da qualidade deste ator pelas participações nas novelas de televisão e até de um ou outro filme no cinema que assistimos, mas o ator se mostra mesmo é no palco, onde pode demonstrar toda a sua qualidade e isto o Luisi soube bem fazer.
Ver e participar deste tipo de apresentação nos dá a impressãocerteza que nem tudo está perdido e que, não há guerra, nem vícios, nem excessos, nem acidentes de trânsito, nem roubos, nem corrupção, nem governos que nos tirarão o prazer pela vida.
Sinto-me de alma lavada…
Presentes que trazem lembranças – o que vale é a intenção
Flores, perfumes, celular, par de botas, o presente tanto faz, o que vale é a intenção e o escolhemos de acordo com a disponibilidade de dinheiro e o tamanho do impacto que queremos causar e sobre isto tenho uma história que me foi contada pelo Pedro, aquele meu amigo com o qual sempre troco correspondências, disse-me Pedro:
“Na minha adolescência os recursos financeiros eram reduzidíssimos, pais pobres, família com seis filhos, ração dividida. Presentes? Só no Natal e de acordo com as necessidades: camisetas, calças, blusão…
A casa era alugada, o emprego do pai mal remunerado, mas aos “trancos e barrancos” íamos levando, todos frequentavam o colégio para ter um futuro melhor. A esperança de todos é no futuro. Tá, o colégio era estadual, mas ficava na mesma quadra em que morávamos o que reduzia o gasto com transporte, guarda-chuvas e sola de sapato.
Na escola, na mesma sala, no mesmo 5º ano primário, tem gente que nem sabe o que é isto a filha da professora também estudava, colega de classe, amiga de todos, a mais bonita, fazia aniversário .
Festa marcada, convites distribuídos nem todos os colegas iriam e eis que surge o dilema: Como ir a festa de uma colega, futura “ficante”, dar os parabéns, tomar refrigerante, comer o bolo, comer os brigadeiros, comer os docinhos de coco e todas aquelas guloseimas que, exageradamente, as mães preparavam, sem ter dinheiro para comprar nenhum presente?
Sem coragem para pedir ao pai e sabendo que a mãe não tinha como ajudar, decidi: Não vou a esta festa!
A medida que o dia chegava a ansiedade aumentava, a vontade de comparecer era imensa e na véspera, na sexta-feira, o lembrete final: Tu vais a festa amanhã, disse Maria, a aniversariante(vamos chamá-la assim).
Como não ir se o convite veio formal e agora informalmente? Resolvi ir, mesmo sem aquela grana para o presente.
Preparei-me, colocando aqueles panos, os melhores para a idade e época e tomei a estrada, sem antes receber as recomendações que toda mãe dá e (só mesmo mãe) o presente para Maria, uma rosa vermelha colhida lá no seu jardim.
Fiquei espantado, mas peguei a flor, fui caminhando em direção a casa de Maria, onde a festa realizar-se-ia, pensando e olhando para aquela rosa que carregava e refletindo sobre a maneira como a entregaria . Caminhei mais alguns passos e parei sobre o viaduto da linha férrea que atravessava a nossa cidade e olhei para todos os lados e pensei na reação de Maria, do Renato, da Neide e de todos os amigos que estavam na festa ao me verem chegar com uma flor, uma rosa vermelha. Não, não queria ver a reação deles, mas estava eu ali, com a rosa na mão e precisava livrar-me dela. Pobre viaduto, foi cúmplice/testemunha do meu ato, recebeu a rosa que minha mãe colheu no jardim para que pudesse presentear Maria. Ainda lembro, joguei-a e a vi caindo caindo, caindo e estatelar-se no chão entre os trilhos dos trens e da minha inexperiência e da minha vergonha em dar uma rosa de presente à Maria, que estava de aniversário quando ainda tínhamos 12 para 13 anos. A festa foi maravilhosa mas presente à Maria não dei e cultivo uma culpa na minha consciência desde então …”
É Pedro, o que vale é a intenção e neste caso a tua intenção foi a melhor possível, pois sabemos da pressão que sofremos nesta idade e da falta de personalidade que temos para assumir uma situação delicada.
Flores, perfumes, celular, par de botas, uma rosa, não importa, o que vale é a intenção
I Coletânea Scriptus – Um balaio de idéias
Agora não tem mais volta.
A capa é esta aí do lado, a editora abraçou a idéia e teve a coragem de fazer um “Balaio” delas. Os autores (25) selecionados, (alguns conheço pelos blog’s que visito) a dedicação da Letícia e do David não deve ser fácil e pronto. Cá estamos nós com a nossa pequena contribuição e com a primeira experiência em livro.
Visite a Novitas e veja os autores e seus endereços de contato e não percam tempo pois a fila para adquirir os exemplares está grande…


Horror
Passou caminhando,
lerdamente ,
naquela tarde gris de julho.
Ficou apenas
o perfume – horroroso
do charuto que mordia e mascava entre
os dentes da boca suja.
Mordido pelo lerdo,
Julho caminhava com o perfume gris
dos dentes no charuto.
Ficando apenas
a boca suja que mascava na tarde.
Horrorosa .