Artigos da categoria ‘Problemas e/ou soluções’
Sempre invejei e invejarei as formigas
Sempre invejei as formigas, sua organização, a divisão de tarefas por castas, sua limpeza e eficiência.
Sempre imaginava a nossa sociedade inspirando-se num formigueiro, no seu funcionamento, tanto que muitas vezes observava as pessoas, os carros, do alto de edifícios, ou de qualquer outro lugar alto e, pelo menos no caminhar das pessoas ou no andar dos carros via-se uma certa organização, uns cedendo espaço, outros ocupando, pessoas e carros fluindo e seguindo o fluxo, mas de uns tempos para cá a organização se desorganizou de tal forma que há muitos conflitos, encontrões, batidas, quebra de hierarquias, serviços ineficientes…
Fui, então, pesquisar sobre as formigas, sobre os formigueiros e
“Uma sociedade extremamente organizada, que não possui nenhum tipo de liderança. Parece impossível? Não no mundo das formigas. Pertencentes ao mundo dos insetos sociais…cada uma cumpre o seu papel…”
encontrei este texto da Juliana Tiraboschi no Galileu que descreve tudo com detalhes e cada vez mais relaciono nossa sociedade com a das formigas e fico na esperança de um dia viver numa destas sociedades perfeitas.
Na pesquisa descobri, também o termo eusocial. A formiga é um animal eusocial.
O termo eusocial é conferido aos animais que apresentam as sociedades mais complexas, ou seja, aqueles que compartilham três características: uma sobreposição de gerações em um mesmo ninho, o cuidado cooperativo com a prole, e uma divisão de tarefas (reprodutores e operárias).
Será que nunca conseguiremos nos espelhar nelas? Será que nunca nos organizaremos nem conseguiremos viver, fazendo cada um a sua parte e sem termos que seguir um lider maior?
Continuo invejando e com esperanças, muitas esperanças…
Quando o cliente perde a razão
Tem dias que parecem noites e noites que são verdadeiros breus. Mas não é de noites que quero falar, é de dias…
Nos últimos dias a natureza não tem sido muito agradável com os habitantes da nossa cidade/estado. É vento, é chuva, é tempestade, é inundação, é luz que se acaba, é internet que não funciona, é loja que fica semi-aberta sem poder dar aquele padrão de atendimento aos clientes (alguém ainda não sabe que, nas minhas horas vagas, trabalho numa loja de varejo?) é cliente nervoso a procura de soluções para seus problemas e especialmente este de hoje a tarde.
O dia virou noite, energia elétrica desligada, portas fechadas para que vento e chuva não adentrem, caixas não funcionando por conta do sistema fora do ar, mas o que o cliente tem com isto? Nada.
O liquidificador do cliente “pifou”, queimou. O cliente vem à loja atrás de soluções. O vendedor explica o processo de envio à Assistência e o tempo de retorno. O cliente pensa, repensa e conclui que não pode esperar pelos seus sucos, suas liquidificações e, revoltado, indignado, apesar do pronto atendimento do vendedor e com a “cabeça super quente” pega o produto, olha em volta e arremessa o ao chão.
Catapluft, scrasx, proonn, é o que se ouve. Pedaços de liquidificador passeiam sobre o piso da loja, em frente ao balcão e um simples problema de motor, transforma-se em problema nenhum, pois não sobrou nada inteiro do produto e agora não tem mais solução.
Já vi muita coisa nesta área, mas um cliente tão “fora da casinha” nunca. O pior é que ele perdeu toda a razão ao quebrar o produto e dispensar, desta maneira, o conserto do mesmo.
Eu não disse que tem dias que parecem noites escuras…
Curso de leitura das entrelinhas.
Recebi, da minha amiga Andréia, este pequeno desabafo que, após autorização dela e algumas adaptações na história, compartilho com os leitores do blogue:
“Veja, Paulo, a quantas chega a desilusão humana, como em sã consciência podemos pensar que finalmente será uma noite diferente, que finalmente algo mudará, pois…
Pensei que esta seria uma noite diferente.
Os incensos já estavam acesos, as velas queimavam e iluminavam a sala, o corredor e o quarto. A música tocava suave, se espalhava pelo ar e embalava os movimentos. Chocolates, morangos, chantilly, vinho cabernet…
A tarde estava fria e aquela mensagem via celular me fez entender muita coisa. Aliás, faz tempo que teus recados não são tão claros, faz tempo que tento ler as entrelinhas e não consigo, faz tempo que leio as entrelinhas e nelas nada encontro.
Providenciei o que pedistes, fui ao super, passei na floricultura, comprei até aquela água mineral que tu gostas.
Parece que esta seria uma noite diferente.
São oito horas, volto ao celular e releio a mensagem, não quero esquecer de nenhum detalhe. O tempo passa e a primeira taça de vinho já se foi. Sento na poltrona, levanto, vou à janela, abro e fecho a porta, minha ansiedade aumenta.
Agora já são nove. Uma, duas velas se apagaram, a garrafa de vinho já está pela metade e relendo a mensagem já não percebo mais tanta clareza no que está escrito.
Será que esta não foi uma noite diferente? Alguns morangos se vão, a primeira barra de chocolate, já me sinto meio entorpecida pelo vinho e o ponteiro maior do relógio não para de ultrapassar o menor.
Já são onze horas e aquela que parecia ser uma noite diferente, realmente foi.
Recolhi as velas, apaguei o incenso, morangos, chocolates abandonei e do vinho só restou a garrafa reserva, a taça quebrei atirando-a contra a porta. Perdi a noite mas alguém, também, me perdeu.”
Dei um conselho a Andréia: matricule-se num “curso de leitura das entrelinhas“, pois, ou tentas compreender melhor o que está escrito ou te relacionas com pessoas com menos problemas de comunicação.”

Nossa paciência não se acaba ou nos acostumamos com a dor
O fim do mundo está próximo, será que sobreviveremos?
Sobrevivemos ao dilúvio, à Sodoma e Gomorra, à hipocrisia dos políticos. Sobrevivemos às Cruzadas, ao fogo de Nero em Roma, à Cleópatra, à hipocrisia dos políticos. Sobrevivemos às arenas da Grécia antiga, aos gladiadores, à Pilatos, que lavou as mãos, à Hitler, ao holocausto, ao muro de Berlim. Sobrevivemos à derrota da seleção brasileira de futebol em 1950 no Maracanã, à guerra do Vietnã, às ditaduras, às democracias maquiadas, às guerras civis nas Américas, na Europa e Ásia. Sobrevivemos aos Clinton’s, aos Nixon’s, aos Bush’s, ao Papa Doc, à Getúlio, à Geisel, à Golbery, à Médici, à Collor, à hipocrisia dos políticos. Sobrevivemos às grandes mídias, suas revistas, seus jornais, suas televisões e à toda sua linha editorial viciada.
Sobrevivemos às enchentes, aos furacões, às tempestades, aos vulcões em erupção. Sobrevivemos à frebe amarela que insiste em retornar, à gripe asiática, à gripe aviária, ao ebola, ao câncer, à meningite, à Aids, ao buraco na camada de ozônio. Sobrevivemos à queda das torres gêmeas, à hipocrisia dos políticos, à queda das bolsas, à crise financeira internacional e à falência de empresas centenárias.
Anuncia-se o fim do mundo, mas será que sobreviveremos a esta nova epidemia que se instala em nossas cidades com cara de pandemia como alertam as autoridades da OMS. Será que conseguirão controlar esta gripe suína, cujo vírus se agigantou por estes rincões a fora e cuja origem foi o México?
Claro que sobreviveremos e em breve estaremos contando esta história, sem nos esquecer que as catástrofes são tantas e tanta desgraça acontece neste mundo que não temos necessidade de dedicarmos-nos, com tanto afínco, ao uso exagerado do álcool, e entregarmos-nos ao vício das drogas (o crac está nas ruas de todas as cidades) e dirigir cada vez com mais imprudência e excesso de velocidade pelas rodovias causando acidentes mortais.
A tudo sobreviveremos, até à hipocrisia dos políticos cuja última obra está estampada nos jornais, nas revistas nos blog’s e nos noticiários de televisão. Este é o pior vírus que nos assola dioturnamente, sem estudos para vacina, sem antídotos, sem cura, sem fim.
Passagens aéreas para parentes, para pai, para mãe, para namoradas e para não mais sei quem.
Será que sobreviveremos?
Claro que sobreviveremos e depois deste escândalo, virá outro e mais outro e mais outro e nem o mundo, nem os políticos hipócrritas, nem a corrupção, nem os corruptos, nem os corruptores, nem a mídia complacente, nem nada acabará.


A parábola do milho e do agricultor
Existia uma vez, na distante terra do “talvez”, um agricultor colono fazendeiro que plantava milho.Tinha uma área pequena de terras e sua plantação prosperava. Plantava, colhia, vendia, pagava suas contas, pagava seus colaboradores, guardava um pouco do lucro e uma parte reinvestia e adquiria mais terras que eram adubadas, semeadas, cuidadas, a safra colhida, vendida, pagava suas contas, seus colaboradores, parte do lucro para a poupança e parte comprando novas terras, reinvestindo.
Ano após ano o agricultor se destacava entre os fazendeiros da região, apresentava um bom desempenho e crescia sem parar, conseguia aumentar sua propriedade e até comprava terras em todas as regiões, mais próximas e mais distantes. Agora ele já tinha plantações de milho por quase todo estado da federação e em cada plantação tinha dezenas de colaboradores que eram bem remunerados, recebiam um bom salário, valores por produção e até percentuais sobre os lucros.
Graças ao espirito empreendedor e ao amplo conhecimento sobre relações interpessoais, o agricultor cativava a todos e até os colaboradores de agricultores vizinhos, seus amigos, queriam trabalhar na sua plantação de milho que já estava sendo diversificada. Aparecendo uma vaga sempre tinham muitos para trabalhar e a escolha se tornava fácil.
Agrônomos, veterinários candidatavam-se e passavam a trabalhar. Eram jovens “com o gás todo”, motivados pela rapidez dos resultados, teóricos (sem a prática), em busca do seu espaço a qualquer preço e a presença ou valorização dos trabalhadores mesmo, aqueles que ajudaram a plantar as primeiras sementes, aqueles que sofreram nas poucas interpéries que ocorreram, que cresceram na propriedade com os ensinamentos e a motivação do agricultor, aos poucos, ia diminuindo.
A propriedade crescia e crescia e além de “plantadores” que ficavam no campo, cada vez mais foram contratadas pessoas para a administração dos negócios para:Â comprar as sementes, separar e enviar para as plantações, estocar, conseguir preços melhores, administrar o pessoal, controlar gastos, fazer cobranças, controlar remunerações, implantar programas informatizados e todo o tipo de serviços administrativos inerentes as funções.
Eram muitas pessoas e, proporcionalmente, quase tinham mais trabalhadores administrativos que trabalhadores braçais, do campo, que ficavam na ponta da propriedade. Aos poucos, depois de muitos estudos, os “administradores” chegaram a conlusão que os trabalhadores não eram os mais importantes da cadeia produtiva, que o que importava eram as sementes, o adubo, que existiam variedades de espécies de sementes e que a transmutação delas é que dava o melhor rendimento e que era isto que levava as plantações ao sucesso.
Conseguiram convencer o agricultor disto e ele tomou medidas excluindo ganhos, remunerações. O que antes representava produtividade numa determinada plantação, agora não era o suficiente e o crescimento exigido era sempre maior do que as possibilidades. Obtendo um crescimento inadequado, ou, não produzindo o suficiente em determinada safra, a remuneração diminuia, os lucros não eram mais distribuidos e o pagamento pela produtividade se esvaia.
Os trabalhadores antes motivados e sempre prontos para enfrentar o sol ou a chuva do dia a dia, agora não mais conseguiam desempenhar suas funções a contento, deixando de lado técnicas que sempre deram certo e aderindo a algumas que comprometiam o desempenho, como por exemplo, adubação em excesso, covas mais próximas, menos sementes nas covas…
Esta história, na distante terras do “talvez”, ainda não acabou, mas muitos trabalhadores já foram plantar em outra freguezias, muitas plantações, pelas técnicas indevidas e pela desmotivação, diminuiram a colheita e mesmo aquelas plantações novas que o agricultor continua implantando, estão colhendo muito aquém das espectativas…
Não, não se mata a galinha dos ovos de ouro, mas também não se deve diminuir os quilates do quinhão que é distribuido.