Artigos da categoria ‘Problemas e/ou soluções’

23 de novembro de 2009

Sempre invejei e invejarei as formigas

Sempre invejei as formigas, sua organização, a divisão de tarefas por castas, sua limpeza e eficiência.

Sempre imaginava a nossa sociedade inspirando-se num formigueiro, no seu funcionamento, tanto que muitas vezes observava as pessoas, os carros, do alto de edifícios, ou de qualquer outro lugar alto e, pelo menos no caminhar das pessoas ou no andar dos carros via-se uma certa organização, uns cedendo espaço,  outros ocupando, pessoas e carros fluindo e seguindo o fluxo, mas de uns tempos para cá a organização se desorganizou de tal forma que há muitos conflitos, encontrões, batidas, quebra de hierarquias, serviços ineficientes…

Fui, então, pesquisar sobre as formigas, sobre os formigueiros e

“Uma sociedade extremamente organizada, que não possui nenhum tipo de liderança. Parece impossível? Não no mundo das formigas. Pertencentes ao mundo dos insetos sociais…cada uma cumpre o seu papel…”

encontrei este texto da Juliana Tiraboschi no Galileu que descreve tudo com detalhes e cada vez mais relaciono nossa sociedade com a das formigas e fico na esperança de um dia viver numa destas sociedades perfeitas.

Na pesquisa descobri, também o termo eusocial. A formiga é um animal eusocial.

O termo eusocial é conferido aos animais que apresentam as sociedades mais complexas, ou seja, aqueles que compartilham três características: uma sobreposição de gerações em um mesmo ninho, o cuidado cooperativo com a prole, e uma divisão de tarefas (reprodutores e operárias).

Será que nunca conseguiremos nos espelhar nelas? Será que nunca nos organizaremos nem conseguiremos viver, fazendo cada um a sua parte e sem termos que seguir um lider maior?

Continuo invejando e com esperanças, muitas esperanças…

19 de novembro de 2009

Quando o cliente perde a razão

Tem dias que parecem noites e noites que são verdadeiros breus. Mas não é de noites que quero falar, é de dias…

Nos últimos dias a natureza não tem sido muito agradável com os habitantes da nossa cidade/estado. É vento, é chuva, é tempestade, é inundação, é luz que se acaba, é internet que não funciona, é loja que fica semi-aberta sem poder dar aquele padrão de atendimento aos clientes (alguém ainda não sabe que, nas minhas horas vagas, trabalho numa loja de varejo?) é cliente nervoso a procura de soluções para seus problemas e especialmente este de hoje a tarde.

O dia virou noite, energia elétrica desligada, portas fechadas para que vento e chuva não adentrem, caixas não funcionando por conta do sistema fora do ar, mas o que o cliente tem com isto?  Nada.

O liquidificador do cliente “pifou”, queimou. O cliente vem à loja atrás de soluções. O vendedor explica o processo de envio à Assistência e o tempo de retorno. O cliente pensa, repensa e conclui que não pode esperar  pelos seus sucos, suas liquidificações e, revoltado, indignado, apesar do pronto atendimento do vendedor e com a “cabeça super quente” pega o produto, olha em volta e arremessa o ao chão.

Catapluft, scrasx, proonn, é o que se ouve. Pedaços de liquidificador passeiam sobre o piso da loja, em frente ao balcão e um simples problema de motor, transforma-se em problema nenhum, pois não sobrou nada inteiro do produto e agora não tem mais solução.

Já vi muita coisa nesta área, mas um cliente tão “fora da casinha” nunca. O pior é que ele perdeu toda a razão ao quebrar o produto e dispensar, desta maneira, o conserto do mesmo.

Eu não disse que tem dias que parecem noites escuras…

26 de julho de 2009

Curso de leitura das entrelinhas.

Recebi, da minha amiga Andréia, este pequeno desabafo que, após autorização dela e algumas adaptações na história, compartilho com os leitores do blogue:

“Veja, Paulo, a quantas chega a desilusão humana, como em sã consciência podemos pensar que finalmente será uma noite diferente, que finalmente algo mudará, pois…

Pensei que esta seria uma noite diferente.

Os incensos já estavam acesos, as velas queimavam e iluminavam a sala, o corredor e o quarto. A música tocava suave, se espalhava pelo ar e embalava os movimentos. Chocolates, morangos, chantilly, vinho cabernet…

A tarde estava fria e aquela mensagem via celular me fez entender muita coisa. Aliás, faz tempo que teus recados não são tão claros, faz tempo que tento ler as entrelinhas e não consigo, faz tempo que leio as entrelinhas e nelas nada encontro.

Providenciei o que pedistes, fui ao super, passei na floricultura, comprei até aquela água mineral que tu gostas.

Parece que esta seria uma noite diferente.

São oito horas, volto ao celular e releio a mensagem, não quero esquecer de nenhum detalhe.  O tempo passa e a primeira taça de vinho já se foi. Sento na poltrona, levanto, vou à janela, abro e fecho a porta, minha ansiedade  aumenta.

Agora já são nove. Uma, duas velas se apagaram, a garrafa de vinho já está pela metade e relendo a mensagem já não percebo mais tanta clareza no que está escrito.

Será que esta não foi uma noite diferente? Alguns morangos se vão, a primeira barra de chocolate, já me sinto meio entorpecida pelo vinho e o ponteiro maior do relógio não para de ultrapassar o menor.

Já são onze horas e aquela que parecia ser uma noite diferente, realmente foi.

Recolhi as velas, apaguei o incenso, morangos, chocolates abandonei e do vinho só restou a garrafa reserva, a taça quebrei atirando-a contra a porta. Perdi a noite mas alguém, também, me perdeu.”

Dei um conselho a Andréia: matricule-se num “curso de leitura das entrelinhas“, pois, ou tentas compreender melhor o que está escrito ou te relacionas com pessoas com menos problemas de comunicação.”

livro aberto

27 de abril de 2009

Nossa paciência não se acaba ou nos acostumamos com a dor

O fim do mundo está próximo, será que sobreviveremos?

Sobrevivemos ao dilúvio, à Sodoma e Gomorra, à hipocrisia dos políticos. Sobrevivemos às Cruzadas, ao fogo de Nero em Roma, à Cleópatra, à hipocrisia dos políticos. Sobrevivemos às arenas da Grécia antiga, aos gladiadores, à Pilatos, que lavou as mãos, à Hitler, ao holocausto, ao muro de Berlim. Sobrevivemos à derrota da seleção brasileira de futebol em 1950 no Maracanã, à guerra do Vietnã, às ditaduras, às democracias maquiadas, às guerras civis nas Américas, na Europa e Ásia. Sobrevivemos aos Clinton’s, aos Nixon’s, aos Bush’s, ao Papa Doc, à Getúlio, à Geisel, à Golbery, à Médici, à Collor, à hipocrisia dos políticos. Sobrevivemos às grandes mídias, suas revistas, seus jornais, suas televisões e à toda sua linha editorial viciada.

Sobrevivemos às enchentes, aos furacões, às tempestades, aos vulcões em erupção. Sobrevivemos à frebe amarela que insiste em retornar, à gripe asiática, à gripe aviária, ao ebola, ao câncer, à meningite, à Aids, ao buraco na camada de ozônio. Sobrevivemos à queda das torres gêmeas, à hipocrisia dos políticos, à queda das bolsas, à crise financeira internacional e à falência de empresas centenárias.

Anuncia-se o fim do mundo, mas será que sobreviveremos  a esta nova epidemia que se instala em nossas cidades com cara de pandemia como alertam as autoridades da OMS. Será que conseguirão controlar esta gripe suína, cujo vírus se agigantou por estes rincões a fora e cuja origem foi o México?

Claro que sobreviveremos e em breve estaremos contando esta história, sem nos esquecer que as  catástrofes são tantas  e tanta desgraça acontece neste mundo que não temos necessidade de dedicarmos-nos, com tanto afínco, ao uso exagerado do álcool, e entregarmos-nos ao vício das drogas (o crac está nas ruas de todas as cidades) e dirigir cada vez com mais imprudência e excesso de  velocidade pelas rodovias causando acidentes mortais.

A tudo sobreviveremos, até à hipocrisia dos políticos cuja última obra está estampada nos jornais, nas revistas nos blog’s e nos noticiários de televisão. Este é o pior vírus que nos assola dioturnamente, sem estudos para vacina, sem antídotos, sem cura, sem fim.

Passagens aéreas para parentes, para pai, para mãe, para namoradas e para não mais sei quem.

Será que sobreviveremos?

Claro que sobreviveremos e depois deste escândalo, virá outro e mais outro e mais outro e nem o mundo, nem os políticos hipócrritas, nem a corrupção, nem os corruptos, nem os corruptores, nem a mídia complacente, nem nada acabará.

8 de abril de 2009

A páscoa do passado, do presente e do futuro

Queremos ovos de chocolates grandes, enormes, recheados com bombons , recheados com a capa do Batmann, com glos labial, com bracelete que muda de cor, com um mini Max Steel, com um microfone da Hannah Montana… Nós crianças/adolescentes estamos cada vez mais exigentes ou a indústria chocolateira(Garoto, Nestlé, Lakta…) cada vez mais criativa?

Opinem.ovo-de-pascoa-by-maricastelli

Lembro-me de quando ainda se acreditava em “coelinho da páscoa”, em que os pais nos ensinavam as crenças bíblicas, em que procurávamos nossos ninhos de páscoa nos potreiros, nas roças ou nos pátios das casas na área rural em que morávamos.

Contentávamos-nos em procurar, cansávamos-nos, disputávamos os ninhos, brigávamos por eles e quando os encontrávamos, continham casquinhas de ovos de galinha pintadas com papel crepon, recheados com amendoins torrados e açucarados, continham pé-de-moleque (uma espécie de rapadura) e até alguns ovinhos de chocolate (no máximo 15 g), tinha coelinhos de pão de mel e todas aquelas coisas que poucos conhecem ou se lembram.

Lembro-me, agora já um pouco mais urbano, de quando morávamos na “Rua Seca, nº 265″ (esta rua ainda vai gerar um post) e o pai trabalhava no armazém de “secos e molhados” do Curtume (também gerará post) e lá tinha umas caixas pequenas de madeira que continham aqueles tabletes de 125g de goiabada ou marmelada, enroladas em plásticos direto da indústria. Depois que as goiabadas eram vendidas, usávamos as caixas para fazer os ninhos de páscoa. Enfeitávamos com papel colorido colado ao redor das caixinhas e dentro delas colocávamos papel picado.

O pai era forte e persistente, pois a família era grande e seis caixinhas eram por ele (está bem, ajudávamos) enfeitadas e colocadas, sábado de aleluia, sobre o sofá da sala, sobre a mesa de centro, na mesa da cozinha, a espera das gulozeimas da páscoa, que logo cedinho, na manhã do domingo de páscoa, corríamos a ver.

Sem exigências de recheios especiais, sem exigência de enormes ovos e de marcas famosas, continuávamos ganhando aquelas casquinhas pintadas e recheadas com amendoim, barrinhas de chocolate “preto e branco”, balas de goma, aquele velho e bom chocolate “Bastom de leite” que, na lembrança, faz-me salivar. As vezes vinham acompanhados de um par de meias, ou uma camiseta, ou, até, um calção, dependendo da necessidade.

Era muito diferente. Era muito modesto, mas era o que os pais conseguiam nos dar na época e sem contestações (será que viviam no meio de uma crise financeira mundial?) e nós nos contentávamos. Ficávamos muito felizes e satisfeitos.

Outro dia assisti a volta de uma mãe à loja para trocar um ovo que comprara para presentear o filho e cujo recheio não agradou. A loja trocou o ovo na ânsia de agradar ao cliente, mas cá para nós, isto é mesmo necessário?

Falo do passado para pensar, no presente,  sobre o futuro e projeto ovos recheados de insatisfações, de frustrações, de expectativas não realizadas. Recheados de confusões e de inversão de valores.

Ou melhoramos a educação dos nossos filhos (começando pela nossa) usando uma psicologia mais atuante e não tão protecionista, ou até a magia destas ocasiões se perderá no tempo.

Se é que já não se perdeu…

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