Carnaval

Entre os confetes

As serpentinas

E fantasias[bb]

Estamos nós:

Conflitantes serpentes fantasiadas.

Por três ou quatro dias,

Absortos - jamais,

Livres - sempre.

Largamo-nos,

Esquecemos.

E na empolgação

Desfilamos

Promovendo a expulsão

Dos nossos fantasmas.

Numa lavagem interna

Do nosso Ego,

Nosso Corpo,

Nossa Alma,

Nossa consciência (está tranqüila)

Sensibilidades

O vinho

derramado, pelo corpo

da jovem, rolava.

Seu corpo

coberto apenas por um vestido de

seda branca, que virou vermelha

pelo vinho derramado, colava em sua pele.

A jovem gemia pelo prazer

que sentia, vendo o vinho percorrer

 suas partes mais

Sensíveis.

Gelado estava o vinho,

quando o bebi,

sobrando apenas um

vestido de seda - já branco.

Apesar do engasgamento

na pele morena e sensível

da jovem que gemia

e sentia prazer.

O sonho da chuva

Tudo está preparado.

As nuvens outrora claras e leves,

agora escuras e pesadas.

Os primeiros pingos caem.

Não há mais ninguém no paralelepípedo,

a não ser eu.

Eu que quero sentir de perto,

que quero conhecer a chuva no seu íntimo.

Sinto tudo vazio,

sinto me leve,

tenho vontade de voar.

Parece que estou drogado,

ou será que estou hipnotizado.

Nada vejo, mas sinto

que existe somente eu e a chuva.

Chuva em pingos passageiros

que passam e deixam meus cabelos molhados,

meu corpo encharcado.

Saio correndo para fugir

mas fugir de que

se não vejo nada.

Vejo sim.

Vejo meu sonho acabar,

mas estou feliz.

Feliz porque molhei o cérebro,

o cerébro ficou limpo

e agora está chovendo.

Chovendo no meu interior.

Sinto tudo molhado.

Molhado e acabado…

Caminhos

Os monstros

atacaram e

arrasaram

as vias transitadas pelos

sentimentos mais sublimes.

Os sentimentos enredaram-se

confundindo

os cérebros mais privilegiados.

A emoção da lugar

a razão, que

imperará

por mais que

nos empenhamos

contrariamente.

Estrondos

Estrondos
Invadem o ar molhado da manhã
espalhando o som pelo horizonte.
Nada se vê
só os pingos
encorpados
a bater nas marquizes
e nos carros que rompem a avenida
correndo
e fugindo
em direções opostas.
A chuva não pára e
os raios
multiplicam-se
provocando
Estrondos
que invadem o
ar molhado
da manhã…

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