Tudo está preparado.
As nuvens outrora claras e leves,
agora escuras e pesadas.
Os primeiros pingos caem.
Não há mais ninguém no paralelepípedo,
a não ser eu.
Eu que quero sentir de perto,
que quero conhecer a chuva no seu íntimo.
Sinto tudo vazio,
sinto me leve,
tenho vontade de voar.
Parece que estou drogado,
ou será que estou hipnotizado.
Nada vejo, mas sinto
que existe somente eu e a chuva.
Chuva em pingos passageiros
que passam e deixam meus cabelos molhados,
meu corpo encharcado.
Saio correndo para fugir
mas fugir de que
se não vejo nada.
Vejo sim.
Vejo meu sonho acabar,
mas estou feliz.
Feliz porque molhei o cérebro,
o cerébro ficou limpo
e agora está chovendo.
Chovendo no meu interior.
Sinto tudo molhado.
Molhado e acabado…