Archive for the ‘Pessoal’ Category

fevereiro 29th, 2008

Dia internacional da mulher - sou contra

Vou falar hoje, não vou esperar até 8 de março:

Sou contra o dia internacional da mulher.

Porque estabelecer um dia especial para as mulheres se o mesmo não é feito para os homens? Não se trata de machismo ou anti-feminismo, trata-se de igualdade de direitos como a muito é reinvindicado por todos.

A mulher é especial. Comparando com o homem, ela é mais sensível, é mais amiga, é mais amante, é mais honesta, é mais meticulosa, é mais batalhadora, é mais companheira, é mais confiável, é mais calma, é mais perspicaz, é mais objetiva, é mais lúcida, é mais otimista, é mais feliz, é mais coerente, é mais expressiva, é mais inteligente, é mais sentimental, é mais forte do que ele, mas mesmo assim, sou contra.

Sou contra porque desde sempre considerei a mulher como algo impressindível na sociedade em geral e tem um papel importantíssimo na engrenagem do dia a dia em todos os segmentos. Sou contra porque um dia só é pouco e não adianta fazer todas as homenagens em um dia e nos demais estuprá-las, escravizá-las sexualmente, agredí-las e engravidá-las em meio a um porre e outro.

Vamos amar as mulheres e deixar que elas nos amem. Vamos compreendê-las e fazer com que nos compreendam. Vamos andar lado a lado, pois assim alcançaremos com mais segurança os nossos objetivos.

Sejamos sensíveis e junto com a sensibilidade delas construamos um mundo mais humano, sem reeditar preconceitos que escravizam a todos.

Sou contra o dia internacional da mulher, mas infinitamente a favor delas.

PS: Dedico este artigo a minha esposa e às minhas duas filhas.

 

fevereiro 19th, 2008

Fumar ou não fumar, cuidado com o seu pulmão

No Blog do Bender li um artigo sobre fumar em lugar fechado e lembrei-me de um fato que se passou comigo.

Meu pai fumava direto, cresci entre pacotes e pacotes de cigarros que ele guardava em casa, nas gavetas, nos armários, mas nunca, nunca pus um cigarro na boca (alguns amigos até me recriminavam por isto, na época).

Nunca fumei.

Vai que, passados alguns anos, já casado, fomos proprietários de uma pizzaria onde trabalhávamos direto com clientes fumantes ou não. Continuava não fumando, mas ali, no meio de todos eles, aspirando a fumaça dia após dia, enchi os meus pulmões indiretamente, pois fazendo um exame de rotina o médico não acreditou quando disse que não fumava visto que a aparência do pulmão era de fumante.

Hoje arrependo-me (será?) de não ter fumado, pois conforme o médico, levará algum tempo para limpar os pulmões e talvez eu tenha perdido,  segundo relatos de muitos fumantes,   o prazer inenarrável do fumar.

janeiro 24th, 2008

Olhar pelos olhos

Os olhos, como que atingidos por grãos de areia, insistem em se fechar. Esfrego-os, tento mantê-los abertos, mas tudo é inútil.

O cérebro manda mensagens de alerta para que algo seja feito. A luz que vem do monitor do computador parece penetrar no verde e branco do globo ocular.

E pensar que há pouco observavas com avidez os menores movimentos que te circundavam e agora já não podes olhar para as teclas que insistem em se manifestar publicamente.

Abandonas a idéia tenebrosa de olhar por olhar e fechas-te na tua insignificância, penetrando, só, nos teus próprios pensamentos e de devaneio em devaneio te perdes nesta teia que tu mesmo construístes.

Não são os olhos, não é o cérebro, não são os dedos que viajam pelo teclado, és tu que te perdestes e agora foges a um lugar incerto e não sabido.

Abra, abra os teus olhos e volte a enxergar.

janeiro 11th, 2008

A incansável sala de espera do Consultório médico

Ontem fomos ao oftalmo. Consulta já marcada a 40 dias. Quinta-feira 10 de janeiro às 15:00h

Chegamos 5 minutos atrasados. Aguardamos. Recepcionista/telefonista muito atenciosa (deve ganhar um bom salário pois está sempre sorrindo, feliz e muito solícita com todos, ao vivo e ao telefone). Cadastro feito, somos encaminhados à sala ao lado.

Já são 15:20 h. Tem mais 6 pessoas e continuam chegando pacientes. Na sala o ar ligado mantém a temperatura baixa. Os médicos e enfermeiras atravessam a sala de quando em vez. Tem uma bombona com água gelada.

Já são 15:45 h e ainda não fomos atendidos. Às 16:00 h uma das enfermeiras coloca uma moeda de R$ 0,25 na máquina de café e avisa que o café está a disposição “coloquem a moeda (fornecida por eles) e o café sai quentinho, estamos um pouco atrasados no atendimento por…(nem quis ouvir a desculpa). No alto uma televisão reproduzindo uma cirurgia num olho realizada a pouco instantes.

São 16:10 h. Fomos chamados à sala do médico. O atendimento se processa.

A questão é: Marcamos a consulta a 40 dias para data e hora estipuladas por eles e somos atendidos com atraso de mais de hora. Será que os compromissos que temos são tão irrelevantes? Ou será que os médicos, doutores, são tão importantes que podem tratar-nos com tanto descaso? Provavelmente o custo de nossa hora é infinitamente menor que o deles, mas horários são horários e deveriam ser cumpridos.

Ressaltamos que o atendimento foi excelente, todos muito atenciosos e competentes, o problema é a demora até o início dele.

Uma total falta de respeito.

janeiro 8th, 2008

O enterro de minha avó

Hoje fui no enterro da minha vó.

Porque a gente morre?

Para que alguns parentes e alguns amigos se reunam ao redor do caixão e se entreolhem e conversem, alguns choram, uns riem e outros permanecem alheios.

Minha vó “Herta” tinha 86 anos, morreu dormindo. Ela sempre me pareceu muito extrovertida, estava sempre sorrindo e sempre pronta para uma brincadeira. Lembro-me de uma ocasião, na infância, em seu sítio (eram agricultores os meus avós) em que brincávamos no pátio da casa dela e mexíamos com as galinhas , mas não contávamos com a galinha-choca que era braba ao extremo e que correu atrás de nós para nos pegar, enquanto a minha vó dava gargalhadas.

Observei no enterro que conhecia pouca gente. Alguns vizinhos dela, uns parentes distantes, meus tios, os filhos do meu tio, meus irmãos e a comunidade em geral.

A família pertence a uma comunidade evangélica onde o pastor faz a encomenda do corpo e respectivo enterro, um coro de homens e mulheres entoavam cânticos (assustadores) para homenagear a vó que em vida fazia parte do grupo, o pastor lia a passagem bíblica e a relia em seguida como que a preencher o tempo de que dispunha.

As pessoas conversavam, algumas crianças correndo e pulando o muro a espantar o tédio, na rua os automóveis passando longe do sofrimento, o pastor a repetir os apóstolos, a última oração, a caminhada da casa mortuária até o cemitério ao lado, o sol escaldante, guarda-chuvas se abrindo entre os túmulos a esconder as cabeças, brancas e grisalhas, do sol, o pastor faz mais uma oração, o grupo canta, os parentes mais próximos choram, o corpo desce a cova auxiliado pelos coveiros, o choro da despedida se intensifica, o pastor “Do pó ao pó…”, flores, muitas flores a enfeitar o túmulo, os parentes se despedem. Muitos se encontrarão somente no próximo enterro.

Porque a gente morre?

Quero guardar na lembrança os momentos divertidos que passamos com esta vó extrovertida, que muito me fez rir e, esquecer estes cânticos, lamurias, orações e passagens bíblicas repetidas pelo pastor a exaustão que nos deixaram deprimidos neste enterro.

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