Artigos da categoria ‘Pessoal’

30 de agosto de 2010

Fotografias inocentes e o nu de Jaqueline Onássis na playboy americana de 1973 proibida no Brasil

Tinha eu lá meus treze anos, morávamos ali, na “Rua Seca, nº 256″, segunda casa depois da igreja, aquela que tinha uma fila de laranjeiras, um forno de tijolos e barro ao lado da casa onde eram feitos os pães de milho coloniais para a família, uma ameixeira e uma árvore de caqui, mais ao fundo.

Rua Seca porque somente as oito casas mais pertos da caixa d’água central tinham água encanada e as demais se abasteciam em uma torneira que estava colocada estrategicamente onde hoje está o cemitério.

Meu irmão mais velho conseguiu um emprego em outra cidade e só vinha para casa nos fins de semana. Época de vacas magríssimas, nossa casa tinha três quartos, o do casal, dos filhos homens e das filhas mulheres (que aliás nem lâmpada com energia elétrica tinha), e nós, eu e meu irmão mais novo ficamos muito felizes pois, pelo menos nos dias de semana, o quarto era completamente nosso. Uma cama de casal, uma de solteiro, roupeiro não tinha, as poucas roupas eram guardadas no das irmãs.

Em um fim de semana qualquer, meu irmão mais velho resolveu cuidar da decoração do quarto  ( Já tinha lá um aparelho de som da Telefunken, bem moderno, com três caixas de som onde podíamos ouvir as emissoras FM que à época engatinhavam no “dial”, as paredes de madeira apresentavam frestas entre uma táboa e outra, que no inverno sulista provocava assobios como aqueles nos westerns americanos pela força do vento minuano, que curtíamos enquanto a mãe não colocava panos entre elas para deixar o frio no lado externo da casa. Não foi uma nem duas vezes em que estávamos dormindo e caia sobre nossas cabeças partículas da cal, as vezes branca, as vezes azul (cal branco com anil) tinta com a qual as paredes do quarto eram pintadas.) e trouxe alguns posters de ídolos das telenovelas extraídos da Revista Capricho e da Playboy americana de 1973 que publicou Jaqueline Onássis nua. não sei como ele conseguiu pois a circulação da revista no Brasil estava proibida – bons tempos aqueles…

Até que ficou bom, mas na semana, enquanto ele estava fora da cidade, resolvemos ajudar. Fomos até a casa da nossa avó e vasculhamos as Revistas ” OCruzeiro”, antigas,  que eles guardavam numa sala, dentro de uma escrivaninha, tipo aquelas para desenhistas trabalharem e escolhemos e recortamos, e recortamos, até que tínhamos o suficiente para encher o quarto todo. A parede da esquerda, da direita, da frente, a parede de trás e até o teto, pronto, deu trabalho, mas, a nosso juíso, estava perfeito, e a decoração agora contava com fotografia de mulheres de todos os tipos, só que, na nossa inocência(?)   de 13 e 12 anos, todas elas estavam vestidas e bem vestidas, com roupas longas, com casacões, com cabelos e rostos bem arrumados, com fotografias só do rosto e nenhuma fotografia com poses eróticas e mulheres nuas, nem fazendo poses portando longas piteiras e a fumaça sendo assoprada de suas bocas,  que era a intenção  do meu irmão.

Claro que no fim de semana, quando ele regressou ao nosso convívio, ele ficou endiabrado e tivemos que correr por muito tempo, rua acima e ele atrás, rua abaixo e ele atrás, ao redor da casa, até que ele nos alcançou e, cordialmente, fomos  convidados a remover toda a decoração que colocamos, depois de levarmos uns “amáveis” tapas e socos que “nem doeram nada”.

Não entendemos bem porque mas, também, depois de tudo, resolvemos aceitar e nunca mais ajudamos na decoração, nem na conservação do que ele lá colocava…

16 de maio de 2010

Almoço de domingo diferente

Domingo, sete horas e vinte e três minutos, levanto-me da cama, abro a janela, vou até a sacada e percebo que mais uma vez os meteorologistas acertaram na previsão: Não chove e o sol já se apresenta no leste, entre as nuvens, manifestando seu calor intenso. Banho, café, sanduíche saudável depois do mamão e o sol dá lugar a nuvens e o dia que iniciava claro, já se apresenta gris e logo, em seguida, a chuva fininha já se apresenta. Até ja tinha escolhido a bermuda e a camiseta para o passeio do domingo, mas tive que mudar, calça jeans e até blusão de lã, assim, de imediato.

Carro na rodovia, esposa de guia ao lado (com uma guia assim quem precisa de GPS) rodamos, rodamos, duas ou três cidades e chegamos em Dois Irmãos, cidade onde mora meu colega e amigo Tiago, num sítio que está construindo.

Chuva fininha de molhar bobo e o frio pegando. Na casa construida com costaneiras, ouvia-se o barulho das chamas produzidas pela lenha em brasa no fogão que estrategicamente estava instalado no meio da sala. Sentamos ao lado do fogão enquanto conversávamos saudosamente sobre assuntos e fatos que já se passaram e sorvendo o chimarrão que a esposa do Tiago preparou com maestria numa cuia grande e com erva bem verdinha.

O Tiago, em meio a conversa, já foi colocando o carvão na churrasqueira, salgando e espetando a costela e a picanha enquanto preparava a caipirinha abria a lata de “ice” bem gelada.

Chimarrão de mão em mão, caipirinha, reposição de lenha no fogão, churrasco pronto. Almoço na mesa, com salada, arroz e aipim cozido e a conversa e a troca de experiências continuando.

Vinho, refri, cerveja, podia se escolher e depois do almoço um cafezinho, torta de bolacha de sobremesa e até uma partida de bilhar na mesa oficial que eles têm. deixei o anfitrião vencer para receber novos convites.

Foi um domingo diferente, prazeroso e que acabou com uma visita a uma malharia em Portão/RS para apreciar a moda outono/inverno de malhas e tricôs que estão em alta neste 2010 e nem precisei ficar sentado a frente da TV assistindo mais uma derrota do imortal tricolor Grêmio frente ao Corinthians.

Precisamos repetir.

27 de março de 2010

Pare de fumar, vizinho

Não sou preconceituoso, pelo menos tento, mas a cada momento esta máxima é posta a prova.

Primeiro os mais atingidos foram os negros afro-brasileiros e eles sofriam e continuam sofrendo todo tipo de preconceito (até vagas especiais nas universidades eles conseguiram), mas aos poucos muitos segmentos foram também atingidos: os homosexuais; as prostitutas; os paraplégicos; os bêbados; os pobres; os viciados; os blogueiros; os homens que gostam de assistir o futebol nas tardes de domingo; os rockeiros; os cães; os gatos; as mulheres que insistem em organizar a casa e o trabalho e a academia e o supermercado e as lojas do shopping; o povo, induzido por uma mídia sedenta, que se desloca à porta de um fórum para assistir o massacre dos Nardoni como se julgamentos parecidos não ocorressem diariamente em outros fóruns do país; os fumantes e tantos outros…

Cheguei onde queria chegar!!!

Os fumantes estão sofrendo preconceitos que afetam o seu dia a dia. Nunca fumei nem mesmo quando o meu pai fumava e os “Minister” “Hollywood” “Carlton” rolavam pelas gavetas.


Não podem fumar no trabalho, não podem fumar nas repartições públicas, não podem fumar nos restaurantes, nos ônibus, nos metrôs, nos shoppings, não podem fumar em locais públicos e agora descobri que nem em sua própria casa o fumante tem a liberdade de fumar. Descobri isto com o vizinho de porta. Moro numa cidade pequena, o prédio tem 3 andares, ficamos no 2º andar, tem uma sacada onde nos sentamos a noite, após o trabalho, para conversar, tomar chimarrão, curtir a noite observando as estrelas e sentindo a brisa deste início de outono, tomando aquela taça de vinho “Cabernet” que tanto gostamos, ou o copo de cerveja para amenizar o calor que por vezes nos ataca.

O vizinho até que é “gente boa”, discreto, na dele, mas sua esposa deve ser muito má, pois vez em quando ela o expulsa do apartamento, fecha a porta e só o deixa voltar quando terminou de fumar o cigarro e ele, fica, ali, resignado, na sacada, fumando e soltando as baforadas daquela fumaça “inofensiva” que, obviamente, vem em nossa direção fazendo com que nos recolhamos , fechando a porta e fugindo daquele cheiro que impregna o ar e até o apartamento quando esquecemos de fechar a porta, mas tentamos evitar de todas as formas  que a fumaça se aloje em nossos pulmões.

A esposa do “22″ remete o marido à sacada a cada cigarro que ele tenta fumar e eu é que sou o preconceituoso?

Com licença. Vou fechar a porta, novamente, pois a vizinha expulsou o marido e …

…Cigarros…

28 de janeiro de 2010

Colcha de calças de jeans usadas

Aplaudo sempre as grandes idéias, mas quando a Marlene veio com esta, confesso que fiquei meio cético: Fazer uma colcha para cama de casal com calças jeans usadas, ao meu ver, seria impossível. Para ela não.

Arquitetou, pesquisou, desenhou, lubrificou a máquina de costura, abriu o bau, procurou no fundo das gavetas e dos roupeiros, cortou o cós, as partes rasgadas e o que não dava para utilizar, alinhavou, costurou e … fez a colcha.

Surgiram calças e mais calças e mais calças de anos e anos de uso, calças minhas, calças dela, calças dos filhos, calças bem lavadas, surradas, calças quase novas, calças usadas e usadas e usadas como aquela da Camila que já estava se desintegrando e ela insistia em usar, calças como aquela minha que rasgou toda naquele dia em que precisei fugir dos quero-queros me me perseguiam com rasantes e seu ferrão a mostra e ao pular a cerca fiquei preso no arame farpado, calças com o aquela em que…   são tantas histórias envolvidas que um texto só não basta.

Não sei de onde ela consegui tanto jeans, porque muita roupa que não usamos mais doamos a quem delas possa, ainda, tirar proveito, mas enfim a colcha ficou pronta conforme a fotografia abaixo demonstra e o meu ceticismo deu lugar a alegria de ver uma colcha nova sobre a nossa cama.

(clique na imagem para ampliá-la)

Até o Fredy gostou da idéia e como disse lá no início, grandes idéias, muitos aplausos.

24 de janeiro de 2010

A psicologia entre pais e filhos

Todo pai e toda mãe tem que usar muito de psicologia para administrar os filhos, dar exemplos, compreendê-los, encaminhá-los. Nestas minhas andanças já vi muita coisa sendo usada e tem uma que o meu cunhado sempre usava e outra que nós criamos lá em casa, que tinha e tem um efeito sobre os nossos filhos e que repassamos a nossos amigos que usaram na educação dos filhos deles.

-Bagunça generalizada e o Cristiano tentando por ordem na casa, filho pequeno, amiguinhos, correria, pulos na piscina, bola pra cá e pra lá, mais correria, a água da piscina invadindo o espaço da churrasqueira, crianças, pulando na água, água voando sobre as mesas, bolas, crianças, água e ninguém ouvindo os apelos carinhosos do churrasqueiro na tentativa de amenizar os efeitos negativos das brincadeiras que já estavam extrapolando o bom senso, até que do alto da sua experiência de pai-psicólogo ele pega seu filho pela mão, arrasta-o para um canto, abaixa-se e explica falando baixo, explica falando normal e por fim explica GRITANDO já que era só desta maneira que o garoto entenderia. E entendeu. Depois deste episódio, sempre que necessário, dizíamos : Queres que eu explique como o tio Cristiano explica? Claro que não precisava pois a lição ficou na memória de todos.

-Almoço servido, purê de batatas, molho de frango, salada e nossa filha de três anos não querendo comer. Tentativas da mãe, tentativas do pai e nada da criança comer, mais tentativas, mais conversas e nada. A criança chora e reclama e chora e não quer comer. O pai e a mãe já irritados e sem mais idéias para convencer a filha, até que na última hora o pai-psicólogo entra em ação, pega o prato, divide ao meio o purê que tem nele e diz: Dividi tua comida ao meio, primeiro tu comes esta metade e depois tu comes a outra metade. Pronto. Criança feliz, mãe feliz, pai feliz. A guria comeu tudo e mais uma máxima na psicologia foi criada.

Estudos são feitos, livros são escritos, mas a experiência que os pais adquirem com os próprios filhos não tem preço.

Entenderam? Não? Última chance: Primeiro leiam a metade de cima, depois a outra metade ou vão querer que o tio Cristiano EXPLIQUE…

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