Artigos da categoria ‘Pensamentos’

3 de dezembro de 2009

O enredo de um filme que todos já vivemos e viveremos por muito tempo

O espírito natalino está, vagarosamente, se manifestando neste nosso dezembro equatorial em que nas ruas, nos shoppings movimentados, nas publicidades de revistas, jornais, rádios, tv’s… os papai-noéis em suas vestimentas importadas do polo norte, suados e cansados, derramam simpatia, esperança e o velho e contagiante  “HOHOHO”, enquanto que as lojas, os camelôs, os vendedores de bíblias, enciclopédias, perfumes, potes de plásticos de todos os tamanhos e sem utilidade, as floriculturas, os supermercados, as lojinhas que vendem enfeites, guirlandas de natal e presentinhos de dez a quinze reais para satisfazer a enormidade de “amigos secretos/ocultos” que participamos, as vendedoras autônomas de quinquilharias bijouterias, aproveitam a ocasião para obter o maior lucro do ano, ainda mais que neste dezembro/2009 não se fala em crise financeira vinculada a crise dos Estados Unidos que tanto se falava em 2008.

E o aumento do consumo das drogas? E os acidentes com mortes fatais? E a corrupção que se alastra tal qual erva daninha em todas as esferas administrativas do governos municipal, estadual, federal? (até o governador do distrito federal!!!) E a fome e a miséria que aumentam proporcionalmente a natalidade? E os soldados enviados por Obama, o sr.nobel da paz, ao Afeganistão? E  as bombas atômicas que uns (EUA, Rússia) podem ter e outros (Irã) não. E os congestionamentos oméricos logo após um pouco de chuva? E as enchentes e vendavais que assolam os estados do sul? E o Flamengo que pensa novamente em ser campeão?

Tudo, tudo fica para depois.  Depois do natal, depois do ano novo, depois da praia, depois da férias, depois…de a humanidade perceber que as coisas/fatos não são excludentes e que todos caminham lado a lado na mesma direção e em busca dos mesmos objetivos.

PS:

E se eu acreditasse em “Papai-noel”, pediria a ele este novo refrigerador que a Brastemp lançou e que revolucionará o mercado. Idéias boas merecem ser aplaudidas.

Tá bom, com um cd ou dvd do Raul Seixas também já me contentaria.

24 de novembro de 2009

Caminhando na solidão

Caminhar, exercitar-me numa cidade onde as ruas e avenidas são planas não me cansa.

Fim de expediente, tênis, bermudas, camiseta e “pernas na estrada”. Trinta minutos, uma hora, ducha quase fria e como todo bom gaúcho, tomar um bom chimarrão.

O vento sopra e balança o sininho pendurado na sacada e o som produzido passa um sentimento de tranquilidade, de paz.

O apartamento está deserto, nem o Fredy está hoje, para correr sobre o estofado, receber-me à porta quando chego, ou miar aqueles miados chorosos, implorando ração, atenção, colo ou cama.

Freddy

A TV ligada, sem o som, contribui para amenizar a solidão. O jornal de ontem me conta velhas novidades em forma de notícias, mas o Eduardo Galeano me envolve na leitura de suas “As palavras Andantes” e em sua “Janela sobre o medo” ele diz:

A fome come o medo. O medo do silêncio atordoa as ruas. O medo ameaça.

Se você amar, vai pegar aids

Se fumar, vai ter câncer

Se beber, vai ter acidentes

Se respirar, vai se contaminar

Se comer, vai ter colesterol

Se falar, vai perder o emprego

Se caminhar, vai ter violência

Se pensar, vai ter angústia

Se duvidar, vai ter loucura

Se sentir, vai ter solidão.

E não preciso escrever mais nada…

12 de novembro de 2009

Apagão

E como a maioria, também sinto os efeitos do apagão. Deletei Apaguei os links das tv’s porque notícias velhas eu leio no jornal das manhãs e as novas/instantâneas eu vejo no twitter.

Algumas fotos da última viagem ao nordeste e aquelas do carnaval de 2003, alguém apagou.

O rascunho daquela poesia que escrevi depois daquela noite infinda, também foi apagada.

Noite escura

Não tenho uma memória privilegiada mas algumas ideias que armazenei nos confins do cerébro se apagaram. Um fax que recebi daqueles créditos de quando vendi as ações da Petrobrás, se apagou.

As esperanças, os sonhos, a realidade, as palavras, os textos e até os sentimentos se apagaram e percebo que a vida é efêmera e simples raios e relâmpagos de tempestades imaginárias arrasam com edificaçoes abstratas que construimos durante nossa estada e passagem neste mundo dominado por humanos que não se importam com os seus semelhantes e nem com a dor, com o amor, com o corpo ou com a alma.

Apague-se o “apagão”.

29 de outubro de 2009

A alma é a alma

O barulho da rua me incomoda. A cortina balança movimentada pelo vento que sopra na janela do apartamento. Outra moto passa e seu ronco barulhento penetra nos meus ouvidos e a voz do Bonner se emudece e não fico sabendo da notícia da hora. Continuo imóvel na poltrona a meditar sobre mudanças, conceitos, amizades.

O pensamento é uma coisa muito estranha. Um emaranhado de palavras e imagens que se acavalam e se sobrepõe, umas às outras. Uma simples imagem realimenta outra e nos coloca em ambientes tão pertos e, ao mesmo tempo, tão distantes, que nos perdemos em meio aos sonhos ou à realidade

O tempo modifica os nossos conhecimentos, os nossos conceitos.

O tempo modifica nosso corpo e parece que nossa alma o acompanha. A cor azul do vestido rosa confunde nosso discernimento e nossos ouvidos escutam o que querem escutar, nossos olhos veem o que querem ver, nossos lábios tocam o que querem tocar e nossas mãos agarram as oportunidade que se apresentam.

O calor do dia, com este sol escaldante, parece que danifica os nossos neurônios e eles, por vezes, são incapazes de se entender, uns com os outros.

Ouço sons de violinos e pianos, e os Bosques de Viena me fazem viajar. Percebo borboletas pretas sobrevoando o teto e pousando nas paredes do  quarto.

A debilidade do corpo e a insanidade da mente não ofuscam a beleza da alma.

15 de setembro de 2009

Produzir com inspiração, cada um tem a sua maneira.

Não sou blogueiro/escritor/poeta de rascunhos.

Quando escrevo vou do começo ao fim. Sem parar. Por vezes reviso, mas quando o artigo ou poema está pronto, está pronto e ponto final. Não altero, não complemento, não incluo versos no meio, não modifico o sentido das frases para não comprometer o texto. É o sentimento do momento que procuro expressar e transmitir.

As vezes falta inspiração, passo dias sem produzir nada e jogo ideias de um lado ao outro dentro do cérebro. Ideias que se chocam e se partem e se combinam parecendo reações químicas de um, dois, três elementos formando novos.

As  vezes produzo um texto normalmente como o que estou escrevendo agora, as vezes vejo-me envolto em uma nuvem de letras e palavras e ideias que se justapõe e vão formando textos distintos. Já me vi escrevendo, ao mesmo tempo, um texto e dois poemas com temas bem diferentes mas que conclui um após o outro.

Já me queixei a alguém que estava sem inspiração para escrever sobre dado assunto e com a sugestão deste, no meio da conversação, arquitetei o texto ou o poema e o finalizei até o fim do diálogo.

Tenho textos e poemas guardados para, quem sabe um dia, publicá-los, mas gosto mesmo de lançá-los na virtualidade do meu blog, mesmo porque existem pesquisas que indicam que estamos lendo cada vez menos livros e não sabemos o porque. Se os livros em geral estão em baixa o que dizer dos específicos, como por exemplo os livros de poesias de que trata a Lunna neste artigo em suas Teorias Impossíveis.

Eu já me contentaria em saber “quantos livros ou poesias você leu em toda a sua vida…” já que saber quantos livros de poesias você comprou é praticamente impossível, se bem que a quantidade de poesias lidas deve superar de longe a quantidade de livros de poesias comprados.

É o que eu penso.

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