Artigos da categoria ‘Pensamentos’
Loucas loucuras
O mundo é dos loucos. Loucos, loucos, cada vez mais loucos. Somos todos. Loucos. E isto é o que nos conduz a frente em busca de nossos sonhos. Terão os loucos sonhos? Serão sonhos ou serão pequenas loucuras inseridas em balões de ensaio a espera de soluções e de teorias conspiratórias sobre todas as coisas?
Que loucura!!!!
Seria a loucura um diferencial para nos destacarmos no meio em que vivemos e na sociedade? Mas quem, quem irá nos julgar? Quem poderá assinalar que este, aquele, aquele outro, ou um terceiro é louco, se louco é quem me diz, como escreve o poeta?
Precisamos de atos de loucura para convencermos aos nossos amigos, aos nossos clientes, aos nossos colegas, aos nossos patrões, que somos normais…
O que é a loucura senão uma ausência de razão onde nunca ouve razão?
Sei lá…
Louco é o gato que desenrola o novelo e nem sabe tricotar ou serei eu o louco que falo com o gato, que falo com o cão que falo com o pássaro e as vezes comigo mesmo em frente ao espelho que reflete um outro eu que também está envolto em meio a toda esta loucura.
O mundo é dos loucos. Hitler, Einstein, Pelé, John Lennon, Zezinho, Joãozinho, Pedrinho, não importa. Um dia todos os gens de transmutarão e se igualarão em características e os execrados loucos e os festejados gênios se misturarão em meio a multidão e nunca mais serão identificados.
De louco e de gênio e de poeta e de sonhadores, todos temos um pouco.
O quê? Vai me dizer que você não é nem um pouquinho louco?
Eu sou…
Estado de espírito
“Voltando, percebo que tudo está tão vazio, sinto saudades até das gramas mal cortadas, do capim que cresce lá ao fundo e das araucárias que expelem as suas pinhas.”
Outonos e quadros e mudanças e cores
Assim, lerda e sorrateiramente, ele vai se apresentando e tomando o lugar deste verão que nos mostrou um sol tão forte que queimou muitas plantações e muitas árvores e muitos arbustos e muitos gramados e muitos corações solitários e apresentou suas garras através dos terremotos, das tempestades, das chuvaradas e das enchurradas, das quedas de barreiras e quedas de pontes e mortes por inundações e mortes por soterramentos e mortes…
Mas ele vem diminuindo o efeito do sol, abrandando o seu calor e vem diminuindo os dias e vem diminuindo a claridade que ofusca os olhos dos que tem pouco a ver. E vem aumentando a escuridão da noite e aumentando o brilho das estrelas e tornando as noites mais agradáveis e vem espalhando as folhas secas, pelas calçadas esburacadas ou pelos passeios das praças, que caem das árvores frondosas como que preparando a metamorfose necessária para a sobrevivência nossa.
Lerda e sorrateiramente ele se apresenta e sem delongas vamos incorporando esta nova estação aos nossos sentimentos que necessitam destes ciclos para renová-los.
O outono e suas mudanças nos conduzem por caminhos servindo de elo entre dois tempos extremos e, como em um quadro pintado, abstratamente, por um pintor famoso, ou que um dia alcance a fama nos deixa a opção de gostar ou não, apreciar ou não. Podemos comprar o quadro e fixá-lo na parede da sala do apartamento ou ir diariamente a galeria onde o quadro está exposto para sorver toda a atmosfera e todo clima do local, todo entusiasmo das demais pessoas que também vieram a galeria em busca da paz e da tranquilidade que o outono quadro emana.
O enredo de um filme que todos já vivemos e viveremos por muito tempo
O espírito natalino está, vagarosamente, se manifestando neste nosso dezembro equatorial em que nas ruas, nos shoppings movimentados, nas publicidades de revistas, jornais, rádios, tv’s… os papai-noéis em suas vestimentas importadas do polo norte, suados e cansados, derramam simpatia, esperança e o velho e contagiante “HOHOHO”, enquanto que as lojas, os camelôs, os vendedores de bíblias, enciclopédias, perfumes, potes de plásticos de todos os tamanhos e sem utilidade, as floriculturas, os supermercados, as lojinhas que vendem enfeites, guirlandas de natal e presentinhos de dez a quinze reais para satisfazer a enormidade de “amigos secretos/ocultos” que participamos, as vendedoras autônomas de quinquilharias bijouterias, aproveitam a ocasião para obter o maior lucro do ano, ainda mais que neste dezembro/2009 não se fala em crise financeira vinculada a crise dos Estados Unidos que tanto se falava em 2008.
E o aumento do consumo das drogas? E os acidentes com mortes fatais? E a corrupção que se alastra tal qual erva daninha em todas as esferas administrativas do governos municipal, estadual, federal? (até o governador do distrito federal!!!) E a fome e a miséria que aumentam proporcionalmente a natalidade? E os soldados enviados por Obama, o sr.nobel da paz, ao Afeganistão? EÂ as bombas atômicas que uns (EUA, Rússia) podem ter e outros (Irã) não. E os congestionamentos oméricos logo após um pouco de chuva? E as enchentes e vendavais que assolam os estados do sul? E o Flamengo que pensa novamente em ser campeão?
Tudo, tudo fica para depois. Depois do natal, depois do ano novo, depois da praia, depois da férias, depois…de a humanidade perceber que as coisas/fatos não são excludentes e que todos caminham lado a lado na mesma direção e em busca dos mesmos objetivos.
PS:
E se eu acreditasse em “Papai-noel”, pediria a ele este novo refrigerador que a Brastemp lançou e que revolucionará o mercado. Idéias boas merecem ser aplaudidas.
Tá bom, com um cd ou dvd do Raul Seixas também já me contentaria.




Conclusões conclusivas
A cabeça dolorida rola em direção as pequenas teorias que não solucionam a dor. Escravizados pelos efeitos rebuscados de imagens projetadas e de espectativas criadas os pensamentos se afastam dos objetivos e aceleram a sua busca do nada. O que seria o nada se a ausência total da cor é que caracteriza o branco?
Os pensamentos invadem os vazios e criam ecos que ninguém escuta.
Palavras aos ventos são escritas e sobrepostas em folhas de papel colorido. Volto às cores sem perceber, mas porque não misturar cores e palavras e dores e amores e sabores e dissabores, se elas se manifestam aleatoriamente e sem convites formais?
Fugir de construções metafísicas e confundi-las com as filosofias existentes não me atrai. Não quero, mas preciso, entender o mundo em que vivo e para isto me isolo em silêncio no meio dos barulhos naturais e dos artificialmente produzidos.
Basta. Não há conclusões conclusivas, mas as busco, desenfreadamente, e continuo nesta meditação em meio aos sons que não identifico, em meio as luzes que penetram pelas frestas das janelas e em meio aos cheiros e odores que me remetem a lembranças esquecidas e armazenadas na “caixa-preta” da vida.