Artigos da categoria ‘Desabafo’

16 de junho de 2010

A humanidade está cada vez mais incompetente

Tenho saudades de coisas que vivi no passado, de jogar bola com os amigos de infância, de dar voltas na bicicleta do “Gordinho”, de brincar de pega-pega no meio da plantação de mandiocas, de tantas outras coisas e então fico pensando e imaginando e procurando nestes 10% do cérebro que costumo usar, de onde vem estas lembranças, porque o cérebro insiste em me presentear com estas imagens que dominaram minha infância?

As vezes não consigo, mas ai eu vou num CFC para renovar minha Carteira de motorista que já está vencida, pago as taxas no banco, tiro fotografia 3X4 coloridas, faço cópias da identidade, cpf, comprovante de endereço, CNH, entrego ao pessoal que me encaminha para o exame médico e agenda o teste para dali dois três dias às 7:45h, peço licença no trabalho, chego no horário marcado, aguardo 5 minutos, a atendente solicita um documento para localizar a “etiqueta” e encaminhar-me a sala do teste e qual não é minha surpresa?

Uma atendente fala com a outra atendente, a outra atendente fala com a uma atendente e começa um jogo de empurra/empurra até que resolvem falar:

-Sr. Paulo, a “etiqueta” não saiu, deu um problema no computador e precisamos agendar o teste para daqui a sete (eu disse sete) dias.

Como assim, Jamelão? Faço tudo como querem, providencio os documentos, pago as taxas, compareço no horário marcado e a “etiqueta” não sai por culpa de um “tilt” no computador?

Sabemos em quem deu “tilt”, sabemos quem cometeu o equívoco, só não sabemos porque as máquinas/computadores estão cada vez mais modernas, com uma quantidade infinita de recursos e os homens/mulheres não sabem usar, não usam o seu tempo vago para estudar e se aperfeiçoar, nem aprender a trabalhar sem precisar mentir para os clientes.

Saudades das máquinas de escrever

e das pessoas competentes que as utilizavam, saudades das escolas, dos professores e dos funcionários dos CFC’s que não só pensavam em novelas, festas, fofocas, copa do mundo. Saudade dos tempos em que usávamos pelo menos 10% da nossa cabeça “animal”.

O teste, necessariamente, foi remarcado e ainda tiveram a “cara de pau” de me presentearem com um livrinho do Curso de atualização e renovação da CNH, coisa que deveriam ter feito lá no início, quando da minha inscrição.

PQP…

31 de março de 2010

Acaba um BBB e começa outro

É com profundo pesar que comunico, a quem ainda não tomou conhecimento, que o BBB 10 acabou.

Chorem, descabelem-se, rasguem suas roupas, enviem e-mails à Rede Globo sobre a sua contrariedade, boicotem os programas que a emissora televisiva colocar no lugar do BBB, saiam às ruas vestindo o preto do luto e nas camisetas, pretas, mandem escrever  “Sou contra o fim do BBB” mobilizem seus amigos, virtuais ou não, seus colegas de trabalho, de academia, de peladas de fim de semana, de caminhadas, para uma manifestação de repúdio ao término deste programa absolutamente cultural que por estes dias e meses nos ensinou tanto.

Como conseguiremos viver os próximos trezentos e tantos dias sem assistir aquelas carinhas tão espontâneas, os movimentos impensados, as danças, os banhos, os amassos artificiais, os exibicionismos em frete as câmeras não tão ocultas que servem de book para a Playboy ou outra Magazine qualquer, os convívios naturais entre pessoas com personalidades tão diversificadas, as Tessálidas, os Kadus, as Fernandas, as Lias, as Marocas, os Sérginhos, os Dourados e suas contribuições para o nosso crescimento intelectual em horário nobre na televisão, para o nosso conhecimento sobre geografia, sobre história e sobre a humanidade.

Como sobreviveremos sem ouvir aqueles textos maravilhosamente escritos pelo Bial, de improviso, após cada eliminação?

Estou preocupado, vai que surja um surto de depressão na população brasileira, maior que todas as “pestes” que até hoje se apresentaram e faltem psicanalistas para ajudá-la.

Nossa esperança é a propaganda eleitoral gratuita que em breve entrará no ar para nos orientar na escolha da nossa nova presidente da república (não, não é um ato falho, é uma constatação).

Enquanto isso, chorem, descabelem-se, rasguem suas roupas…

21 de janeiro de 2010

Em busca de paciência e inspiração

Confesso que os assuntos do cotidiano estão acabando com minha inspiração e paciência.

As águas de março estão caindo todas em janeiro e os rios aumentaram os seus leitos invadindo as avenidas, casas, lojas, que antes invadiram com seus aterros as margens dos rios. É a vingança.

O trânsito matando cada vez mais. A tá, sei, o trânsito levando as culpas da negligência dos motoristas que correm em demasia pelas ruas, movidos pelo combustível nos tanques dos carros e pelo combustível (álcool, drogas) que afeta os poucos neurônios que ainda possuem (nesta madrugada um carro bateu com tanta força num poste que partiu ao meio , aqui em Porto Alegre/RS, imaginem a velocidade que vinha).

Em Brasília 19 horas, não. Estamos precisando de galhos de arruda nas portas das nossas casa já que o governador e seus acessores e seus deputados não precisam desta proteção.

Homens do exército e suprimentos e ajuda são enviados ao Haiti, mesmo sabendo que quem manda lá é os EUA, porque os problemas (fome, moradia, saúde, emprego…)no Brasil já estão todos solucionados.

Não sei.

Tenho a sensação que o mundo está por um fio (acho que ando falando muito com cartomantes), que podemos amanhecer mortos por um terremoto, por uma bomba, por enchentes, por uma gerra que não é a nossa, por um crime passional, por uma bala perdida, ou amanhecer num paraíso, onde só existiriam novelas, filmes em reprise, BBB’s, “Fazendas”, horários políticos gratuítos, programas de TV’s dando casas a todos e redes sociais dando espaço de 140 caracteres para não escreverem nada.

Parece que a escolha será bem difícil, mas é na loucura, nas paixões, no misticismo, no rock, nos poetas mortos e nem tanto, nas minhas memórias, nas palavras esquecidas  nas entrelinhas dos discursos não escritos e não divulgados, nos pequenos sentimentos, na química, nos animais e na natureza que se transforma para aceitar-nos, que preciso me inspirar.

Dai-me paciência!!!! E inspiração

14 de janeiro de 2010

Odeio os donos dos cães

Odeio os cães. Não. Talvez eu odeie os donos dos cães, que não os ensinam as coisas básicas.

Os carros passam e os cães com seus pelos lisos, encaracolados, enfeitados com fitinhas, enfiam suas cabecinhas janela a fora como que a desafiar a força dos ventos que as vezes os empurram para dentro do carro. Os cães retornam e em cada esquina, em cada semáfaro, sinal, sinaleira, latem desesperadamente para todo e qualquer pedestre que se atrever a passar por perto. Os motoristas estacionam e pegam seus cãezinhos no colo a passear e eles latem e ficam raivosos e são acariciados e adorados por seus donos  que não veem limite entre o normal e o ridículo ( ora, ora cães com gorrinhos e roupinhas de papai-noel!!!)

As calçadas são a cloacas dos cãezinhos. Por onde passam regam os postes sem pudor e ficam observando, de longe, para ver se a copa do poste está verdinha ou se os frutos logo vem. Em dois meses pisei inúmeras vezes em montinhos de “coco” de cachorro que estão espalhados pelas calçadas e parques (culpa dos donos?) que uso para as caminhadas, tentando manter a qualidade de vida. E é nestas caminhadas ou passeios que o meu ódio crescente desgosto por estes cães, aumenta. Cada casa tem um cão e a tarde ou pela manhã eles combinam, ainda não descobri onde eles de reúnem, um latir permanente, infernal, estridente a medida que vou passando em frete as grades onde os donos dos cães os soltam/prendem e os põe a latir. Caminha-se onze metros e o cão “A” passa o bastom do latir para o cão “B” que passa para o “C” e assim sucessivamente até que, quando percebo, já estou caminhando no meio da rua/avenida para fugir destas surpresas que latem. O pior é quando se está caminhando descontraida e descompromissadamente e o cão está ali, sorrateiramente, escondido entre um arbusto ou outro e corre em disparada contra a grade, provocando um aumento descomunal do pulsar do nosso coração e umaa vontade enorme de fugir.

Os cães estão latindo agora. Cães de rua, cães de casa, cães com donos, cães sem dono…

Claro que já escrevi aqui sobre a gata da vizinha, mas os cães são os campeões. Lembro de três em especial, na minha infância, um pequinês que mordia meus calcanhares quando colocava o jornal Nova Geração debaixo da porta da casa da Dona Maria; um bulldog que se chamava “Minca” que parecia querer engolir-me toda vez que passava em frente ao portão  daquele casarão branco, depois do viaduto e um “vira latas” que corria atrás de mim, da casa do pai do Xiru até o portão do potreiro, equilibrando a lata de três litros de leite “in natura” de vacas e depois de ter fugido de três quero-queros e seus razantes assustadores.

Será que é um trauma, ou será que os cães com os quais ando convivendo são mesmo do mal?

Será que é um ódio pontual daquele lindo cãozinho que não quis me dar o seu e-mail na quarta-feira quando estive a caminhar no parque?

Sei lá. Só sei que o meu vizinho tem um canil nos fundos da sua casa onde habitam dois cães muito mal cuidados e têm dois, três, não sei bem, quatro cães dentro de casa que nem é tão grande assim e não consegue cuidar deles.

Já estou me convencendo que odeio mesmo é o dono destes cãezinhos que na intenção de usufruir do afeto e da companhia deles, acabam confundindo as coisas e até maltratando-os.

Por enquanto não vejo solução e vou me esquivando daqui e me esquivando dali, atravessando uma rua aqui e fugindo de um cão acolá até que os donos irracionais  acordem e adestrem seus cães.

Por enquanto ainda não vou sugerir o “Dr. Pet”…

16 de dezembro de 2009

Criança sorri e emociona quem as faz sorrir

“Botei meu sapatinho na janela do quintal,

papai noel deixou meu presente de natal.

Como é que papai noel não se esquece de ninguém,

seja rico ou seja pobre o velhinho sempre vem…”

Cresci ouvindo e cantando esta música que nos encantava e nos envolvia nesta magia que era o Natal. Colocar o sapato na janela era uma de nossas práticas em tempo de criança (te lembra Neusa?) e sempre encontrávamos algo, nas manhãs em que acordávamos excitados em busca do presente que, financeiramente, não significava muito mas e a magia… Ah!!!! A magia…

Incentivamos este costume na nossa família e a repetição dos atos por nossos filhos nos deixava muito felizes. Lembro que certa vez a Camila, nossa filha mais nova, no alto dos seus quatro/cinco anos, não lembro bem, chamou-me e pediu ajuda para colocar o “sapatinho” na janela. Colocamos e ela com muita ansiedade queria ir dormir logo para que a noite passasse, para que a manhã chegasse, para que o papai noel deixasse um bombom, um chocolate seu presentinho.

Que beleza, pensei, mas logo percebi que nada tínhamos em casa, caramelo, bombom, chocolate, pirulito, para que o “papai noel” colocasse no sapato. Bateu o desespero, como interromper tão precocemente esta magia? Como dizer a filha que o “papai noel” nada tinha para deixar?

Ideia!!!!!

“Querida Camila! Faltam treze dias para o Natal. Estou com muito trabalho e hoje não pude deixar nada, pois o estoque acabou e o mercado já estava fechado. Eu voltarei. Abraços :  PAPAI NOEL”

Um bilhete que a deixou feliz e que por muito tempo ela mostrava aos irmãos e colegas. Algum tempo depois falamos sobre o fato e sobre a importância que pequenos gestos podem colaborar com a felicidade e com a realização dos sonhos, mesmo que sejam sonhos pequenos, simples, como receber um bombom num sapato que se coloca na janela do quintal.

Feliz Natal a todos

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