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Odeio os donos dos cães
Odeio os cães. Não. Talvez eu odeie os donos dos cães, que não os ensinam as coisas básicas.
Os carros passam e os cães com seus pelos lisos, encaracolados, enfeitados com fitinhas, enfiam suas cabecinhas janela a fora como que a desafiar a força dos ventos que as vezes os empurram para dentro do carro. Os cães retornam e em cada esquina, em cada semáfaro, sinal, sinaleira, latem desesperadamente para todo e qualquer pedestre que se atrever a passar por perto. Os motoristas estacionam e pegam seus cãezinhos no colo a passear e eles latem e ficam raivosos e são acariciados e adorados por seus donos que não veem limite entre o normal e o ridículo ( ora, ora cães com gorrinhos e roupinhas de papai-noel!!!)
As calçadas são a cloacas dos cãezinhos. Por onde passam regam os postes sem pudor e ficam observando, de longe, para ver se a copa do poste está verdinha ou se os frutos logo vem. Em dois meses pisei inúmeras vezes em montinhos de “coco” de cachorro que estão espalhados pelas calçadas e parques (culpa dos donos?) que uso para as caminhadas, tentando manter a qualidade de vida. E é nestas caminhadas ou passeios que o meu ódio crescente desgosto por estes cães, aumenta. Cada casa tem um cão e a tarde ou pela manhã eles combinam, ainda não descobri onde eles de reúnem, um latir permanente, infernal, estridente a medida que vou passando em frete as grades onde os donos dos cães os soltam/prendem e os põe a latir. Caminha-se onze metros e o cão “A” passa o bastom do latir para o cão “B” que passa para o “C” e assim sucessivamente até que, quando percebo, já estou caminhando no meio da rua/avenida para fugir destas surpresas que latem. O pior é quando se está caminhando descontraida e descompromissadamente e o cão está ali, sorrateiramente, escondido entre um arbusto ou outro e corre em disparada contra a grade, provocando um aumento descomunal do pulsar do nosso coração e umaa vontade enorme de fugir.
Os cães estão latindo agora. Cães de rua, cães de casa, cães com donos, cães sem dono…
Claro que já escrevi aqui sobre a gata da vizinha, mas os cães são os campeões. Lembro de três em especial, na minha infância, um pequinês que mordia meus calcanhares quando colocava o jornal Nova Geração debaixo da porta da casa da Dona Maria; um bulldog que se chamava “Minca” que parecia querer engolir-me toda vez que passava em frente ao portão daquele casarão branco, depois do viaduto e um “vira latas” que corria atrás de mim, da casa do pai do Xiru até o portão do potreiro, equilibrando a lata de três litros de leite “in natura” de vacas e depois de ter fugido de três quero-queros e seus razantes assustadores.
Será que é um trauma, ou será que os cães com os quais ando convivendo são mesmo do mal?
Será que é um ódio pontual daquele lindo cãozinho que não quis me dar o seu e-mail na quarta-feira quando estive a caminhar no parque?
Sei lá. Só sei que o meu vizinho tem um canil nos fundos da sua casa onde habitam dois cães muito mal cuidados e têm dois, três, não sei bem, quatro cães dentro de casa que nem é tão grande assim e não consegue cuidar deles.
Já estou me convencendo que odeio mesmo é o dono destes cãezinhos que na intenção de usufruir do afeto e da companhia deles, acabam confundindo as coisas e até maltratando-os.
Por enquanto não vejo solução e vou me esquivando daqui e me esquivando dali, atravessando uma rua aqui e fugindo de um cão acolá até que os donos irracionais acordem e adestrem seus cães.
Por enquanto ainda não vou sugerir o “Dr. Pet”…
Criança sorri e emociona quem as faz sorrir
“Botei meu sapatinho na janela do quintal,
papai noel deixou meu presente de natal.
Como é que papai noel não se esquece de ninguém,
seja rico ou seja pobre o velhinho sempre vem…”
Cresci ouvindo e cantando esta música que nos encantava e nos envolvia nesta magia que era o Natal. Colocar o sapato na janela era uma de nossas práticas em tempo de criança (te lembra Neusa?) e sempre encontrávamos algo, nas manhãs em que acordávamos excitados em busca do presente que, financeiramente, não significava muito mas e a magia… Ah!!!! A magia…
Incentivamos este costume na nossa família e a repetição dos atos por nossos filhos nos deixava muito felizes. Lembro que certa vez a Camila, nossa filha mais nova, no alto dos seus quatro/cinco anos, não lembro bem, chamou-me e pediu ajuda para colocar o “sapatinho” na janela. Colocamos e ela com muita ansiedade queria ir dormir logo para que a noite passasse, para que a manhã chegasse, para que o papai noel deixasse um bombom, um chocolate seu presentinho.
Que beleza, pensei, mas logo percebi que nada tínhamos em casa, caramelo, bombom, chocolate, pirulito, para que o “papai noel” colocasse no sapato. Bateu o desespero, como interromper tão precocemente esta magia? Como dizer a filha que o “papai noel” nada tinha para deixar?
Ideia!!!!!
“Querida Camila! Faltam treze dias para o Natal. Estou com muito trabalho e hoje não pude deixar nada, pois o estoque acabou e o mercado já estava fechado. Eu voltarei. Abraços : PAPAI NOEL”
Um bilhete que a deixou feliz e que por muito tempo ela mostrava aos irmãos e colegas. Algum tempo depois falamos sobre o fato e sobre a importância que pequenos gestos podem colaborar com a felicidade e com a realização dos sonhos, mesmo que sejam sonhos pequenos, simples, como receber um bombom num sapato que se coloca na janela do quintal.
Feliz Natal a todos
Para onde caminha a humanidade
Chove e chove forte. Sempre é assim. O ciclo se repete. A temperatura esquenta, esquenta e vem o vento trazendo nuvens carregadas que desaguam sobre as árvores, as ruas, as casas, os edifícios e os cemitérios.
Sim, os cemitérios, aqueles mesmos que foram visitados por milhares e milhares de pessoas que fizeram a limpeza dos túmulos e trocaram as flores secas ou as de plástico, que ainda permaneceram nos vasos ou deitados sobre as lápides dos ente-queridos falecidos e cuja visita será renovada no próximo 2 de novembro-FINADOS .
Respeito aos que realmente tem sentimentos, assim como os sentimentos da natureza extravasados, aqui, pela Suzana, mas nesta questão da morte fico com um, não, com dois pés atrás.
Faz anos que observo esta fúria da natureza sobre os cemitérios e o tempo passa e a história se repete. As pessoas fazem as suas homenagens e no mesmo dia ou um ou dois dias depois a ventania faz o seu serviço.
Fico imaginando se é coincidência ou se os deuses se rebelam com a hipocrisia de muitos que em vida não se relacionavam bem com o pai, o tio, o irmão, a mãe, um amigo que faleceram e agora comparecem anualmente aos cemitérios para colocar as flores, de preferência, de plástico porque elas não morrem.
Não vejo a morte assim. O que fica para mim são as lembranças, o ensinamentos, o bem que se faz em vida e a continuidade dela seja em que estágio for.
Se estamos só de passagem ou não, eu não sei, mas que os ventos fortes e as chuvas arrasadoras poderiam fazer uma visita ao cerébro de muito ser humano para derrubar vasos com flores de plástico, flores naturais e secas que só servem para aliviar suas conciências, poderia…
Amigos, amigos, negócios à parte…
Hoje ando meio Zen – “zen paciência” como diz a Camila no seu Infinito Particular.
Neste dia do “AMIGO” minha paciência está no limite. São e-mails, mensagens no celular, ligações telefônicas, parabéns ao vivo e a cores… Não sabia que tinha tantos “amigos” e não vou ficar aqui exercitando minha hipocrisia retribuindo ou pensando que todos eles têm alguma afinidade comigo, no máximo uma afinidade comercial ou que são manifestações desinteressadas e motivadas pela convivência diária no trabalho, na escola, ou em qualquer outro local. Será que estou muito amargo e não consigo abrir este velho coração que bate e bate a procura e a espera de sentimentos reais e sinceros? Pode parecer estranho, mas como já vivi muitas experiências e continuo vivendo a cada dia, posso garantir que amizade mesmo é aquela que temos na infância, quando ainda crianças, nas nossas primeiras brincadeiras, nossos primeiros contatos na escola, nos nossos primeiros passos em que ainda graça em nós toda a inocência e desinteresse. Depois crescemos, assimilamos os conceitos e preconceitos da sociedade e nos portamos politicamente corretos.
Temos muitos colegas, muitos conhecidos e, até na virtualidade, nos identificamos com pessoas e textos e blogues que acompanhamos (obrigado Luma, Lunna, Letícia) , mas tudo se limita a isto e amizade sincera e sem interesse nenhum ainda não encontrei(excetuando filhos e esposa com os quais realmente podemos contar).
Uma coisa é certa, se tem-se necessidade de escolher um dia para homenagear aos amigos e fazer com que eles nós não nos esqueçamos que temos que cultivar a amizade, algo vai mal ou a amizade acabou ou tem algum interresse acima de todas estas coisas…
Ou então estou mesmo “zen paciência”…


Em busca de paciência e inspiração
Confesso que os assuntos do cotidiano estão acabando com minha inspiração e paciência.
As águas de março estão caindo todas em janeiro e os rios aumentaram os seus leitos invadindo as avenidas, casas, lojas, que antes invadiram com seus aterros as margens dos rios. É a vingança.
O trânsito matando cada vez mais. A tá, sei, o trânsito levando as culpas da negligência dos motoristas que correm em demasia pelas ruas, movidos pelo combustível nos tanques dos carros e pelo combustível (álcool, drogas) que afeta os poucos neurônios que ainda possuem (nesta madrugada um carro bateu com tanta força num poste que partiu ao meio , aqui em Porto Alegre/RS, imaginem a velocidade que vinha).
Em Brasília 19 horas, não. Estamos precisando de galhos de arruda nas portas das nossas casa já que o governador e seus acessores e seus deputados não precisam desta proteção.
Homens do exército e suprimentos e ajuda são enviados ao Haiti, mesmo sabendo que quem manda lá é os EUA, porque os problemas (fome, moradia, saúde, emprego…)no Brasil já estão todos solucionados.
Não sei.
Tenho a sensação que o mundo está por um fio (acho que ando falando muito com cartomantes), que podemos amanhecer mortos por um terremoto, por uma bomba, por enchentes, por uma gerra que não é a nossa, por um crime passional, por uma bala perdida, ou amanhecer num paraíso, onde só existiriam novelas, filmes em reprise, BBB’s, “Fazendas”, horários políticos gratuítos, programas de TV’s dando casas a todos e redes sociais dando espaço de 140 caracteres para não escreverem nada.
Parece que a escolha será bem difícil, mas é na loucura, nas paixões, no misticismo, no rock, nos poetas mortos e nem tanto, nas minhas memórias, nas palavras esquecidas nas entrelinhas dos discursos não escritos e não divulgados, nos pequenos sentimentos, na química, nos animais e na natureza que se transforma para aceitar-nos, que preciso me inspirar.
Dai-me paciência!!!! E inspiração