Artigos da categoria ‘Cotidiano’

11 de julho de 2010

Reflexões e pensamentos e premonições

Parece que os motivos não são os mesmos, mas o resultado da busca foi igual para todos. Culpas e desculpas remetem a esperas desnecessárias e conversas a exmo não levam a nada. Fracassos e sucessos não demonstram procedimentos certos ou errados. O sentido das coisas se perde em meio ao labirinto de emoções onde o melhor e mais sensato é deixar passar a tempestade, acalmar a ventania e prosseguir na velocidade apropriada.

Observar os loucos e os malucos, que assumem seus atos e enfrentam a sociedade assustada pela total falta de parâmetros, é um exercício que nos faz encontrar soluções para questões que talvez só mesmo com a ajuda de um bom analista conseguiríamos.

Mas quem somos nós para rotular pessoas e taxá-las de “loucas”, de “malucas” se os espelhos que refletem nossas imagens, por vezes, dizem as mesmas coisas sobre nós?

Desculpa, mas esta culpa não é minha, meus motivos são circunstanciais e a minha busca é incansável e em meio a tantas figuras, esforço-me em criar neologismos, novos versos, novos textos e poemas para dizer e reafirmar as mesmas inquietudes.

Eu sei tudo que eu fiz. Eu sei tudo o que eu disse. Eu preservo a memória e a amplio a medida que se faz necessário. Penso e reflito muito sobre um passado que está tão estático, como um retrato amarelado guardado no meio das folhas, também amareladas, do livro que li quando buscava horizontes que só se encontra neles.

Penso e reflito muito sobre o presente que vivo com muita intensidade.

Penso e reflito muito sobre um futuro que por mais que nos esforcemos, sempre dá lugar ao presente e quando percebemos estamos projetando-o novamente, sonhando, planejando e buscando formas, meios, motivos para alcançá-lo.

Quando lemos um conto, quando lemos um texto, quando lemos um livro, quando apreciamos uma poesia, quando vemos uma criança correndo atrás de uma bola que insiste em rolar rua abaixo, quando ouvimos os pássaros cantando nos inícios das manhãs, quando percebemos os girassóis girarem acompanhando o sol, quando vemos o vento ventando e soprando sementes de árvores e de flores e de arbustos de um lado ao outro do mato, da mata, da pracinha ai da nossa cidade, para que a natureza não se acabe, quando o trem já se vai pelo trilho escolhido no meio do túnel que leva ao outro lado, quando os nossos pensamentos tomam conta do vazio que existem em nossas cabeças, quando nos perdemos em meio a dúvidas sobre a existência de corpo e de almas, paramos e num magistral balançar de varinha de condão que fadas maquiavélicas esqueceram em pontos estratégicos, transformamos tudo e implacavelmente, transferimos estas incertezas, estas dúvidas, estas culpas, estes fingimentos, estas esquisitices malucas e maravilhosamente loucas, para pessoas sensíveis que vislumbram luzes no fim do túnel.

Espero que sejas uma.

2 de julho de 2010

Dar gorjeta não é obrigatório

Outro dia, num restaurante, falávamos sobre diversos assuntos, quando o tema centralizou-se nas “gorjetas” aos garçons. Uns estavam a favor, outros contra, para alguns tanto fazia e a nenhuma conclusão definitiva chegamos.

Ontem vi no noticiário televisivo que lá em Brasilia estão querendo criar uma lei que incorpora as gorjetas ao salário com direito a FGTS, férias, INSS, adicionais e tudo mais.

Eu já trabalhei de garçon, eu já fui patrão de garçon e garanto que a maioria dos clientes não gosta e não dá gorjetas, mesmo porque, o serviço já está sendo pago com o valor da refeição, da bebida…

É difícil eu pagar, lembro que fizemos (cerca de sessenta pessoas) um barulhaço num restaurante, no Recife, quando queriam nos obrigar a pagar a gorjeta, mas depois de muita negociação conseguimos pagar somente o valor da refeição (sempre tem uns que pagam), claro que fomos homenageados, nós e todos os nossos descendentes e ascendestes até a terceira e quarta gerações, mas também não mais voltamos lá.

Tá certo que é uma tradição já meio enraizada, mas se facilitarmos, mais cedo ou mais tarde, estaremos dando gorjetas ao padeiro pelo pão quentinho, ao cabeleireiro pelo bom corte e “pintura”, ao professor que ensinou muito bem, ao vendedor que atendeu com simpatia, ao caixa do supermercado que deu o troco certo, sem ficar com as moedinhas, ao motorista do ônibus ou do táxi que foi muito solícito, e a todas as demais profissões que também vão querer uma “lasquinha”.

Gorjetas? Só em último caso, mas por enquanto, não pago. E você?

29 de junho de 2010

A taça do mundo é nossa

Trabalho numa empresa com um grupo de pessoas e nossa  “Copa do Mundo” também é desgastante, é ganha no detalhe,  como a do Dunga, do Maradona e dos técnicos das outras seleções.

Nossa “copa” é diária, cada dia é um jogo, uma batalha e os pontos que somamos no fim deles, somam-se e acumulam-se no mês até fecharmos as metas.

E aí começa tudo de novo.

Nosso treinamento, também, é diário. Estudamos as regras, ficamos de olho nas ações e reações do mercado, estudamos nossos concorrentes adversários, tratamos a bola o cliente com carinho, simpatia, fazemos jogadas inéditas, fazemos jogadas normais, simples, que todos conhecem e que com a repetição tendem a dar certo sempre, fazemos jogas ensaiadas, as vezes temos que bater o escanteio e correr  para a área e cabecear, mas quando fazemos um gol, uma boa venda, vibramos, nos abraçamos, comemoramos e nos sentimos motivados para mais.

Nosso time tem muitos craques e os que ainda não são estudam, miram-se na experiência dos outros, treinam, esforçam-se para também chegar lá.

Não vencemos todos os jogos mas no mês jogo seguinte usamos todo nosso conhecimento, cavamos motivação onde por vezes nem tem e usamos as condições, promoções  que nos são oferecidas para, então, vencer.

Sempre estamos, na mídia interna, entre os primeiros colocados e no nosso grupo todos nos respeitam.

Não somos tão famosos.

Não somos “Kakás”, “Messis”, Lúcios”, “Dungas”, “Maradonas”, mas jogamos com o mesmo empenho, com a mesma raça, com a mesma ou até com mais vontade do que eles, temos uma torcida imensa que nunca nos vaia e temos total convicção que estaremos na final e na hora decisiva nos tornaremos campeões e levantaremos a taça da nossa “Copa do Mundo”.

Mesmo que no mês que vem tudo comece novamente…

29 de março de 2010

Depressão pós férias

Deixei adormecer o assunto dia destes. Pensei até em não escrever sobre ele, mas hoje uma colega que retornou das férias falou:

- Estou com Depressão Pós Férias!

Na mosca, Estéfani. O que será que nos acontece na volta ao trabalho do qual tanto gostamos?

As máquinas que operamos são as mesmas, os papéis que conferimos são os mesmos, os mesmos e-mails, as mesmas metas, as mesmas cobranças, os mesmos colegas, os mesmos cursos, os mesmos horários, as mesmas folgas semanais, os mesmos problemas a resolver e até o salário parece ser o mesmo.  Hehehehe.

Tá, mas se pouca coisa mudou, ou quase nada, porque esta depressão? Será que os dias de férias estavam tão maravilhosos que qualquer volta à “realidade” nos abate tanto? Será que não precisamos considerar a necessidade de trabalhar por mais 12 meses para termos direito a férias novamente?

Sei lá. Talvez um psicanalista tenha as respostas, mas posso garantir que a minha DPF (depressão pós férias) durou o tempo de mergulhar no trabalho que é estafante mas compensador e mesmo porque já estou planejando as próximas férias e tenho doze meses de metas e objetivos pela frente

21 de janeiro de 2010

Em busca de paciência e inspiração

Confesso que os assuntos do cotidiano estão acabando com minha inspiração e paciência.

As águas de março estão caindo todas em janeiro e os rios aumentaram os seus leitos invadindo as avenidas, casas, lojas, que antes invadiram com seus aterros as margens dos rios. É a vingança.

O trânsito matando cada vez mais. A tá, sei, o trânsito levando as culpas da negligência dos motoristas que correm em demasia pelas ruas, movidos pelo combustível nos tanques dos carros e pelo combustível (álcool, drogas) que afeta os poucos neurônios que ainda possuem (nesta madrugada um carro bateu com tanta força num poste que partiu ao meio , aqui em Porto Alegre/RS, imaginem a velocidade que vinha).

Em Brasília 19 horas, não. Estamos precisando de galhos de arruda nas portas das nossas casa já que o governador e seus acessores e seus deputados não precisam desta proteção.

Homens do exército e suprimentos e ajuda são enviados ao Haiti, mesmo sabendo que quem manda lá é os EUA, porque os problemas (fome, moradia, saúde, emprego…)no Brasil já estão todos solucionados.

Não sei.

Tenho a sensação que o mundo está por um fio (acho que ando falando muito com cartomantes), que podemos amanhecer mortos por um terremoto, por uma bomba, por enchentes, por uma gerra que não é a nossa, por um crime passional, por uma bala perdida, ou amanhecer num paraíso, onde só existiriam novelas, filmes em reprise, BBB’s, “Fazendas”, horários políticos gratuítos, programas de TV’s dando casas a todos e redes sociais dando espaço de 140 caracteres para não escreverem nada.

Parece que a escolha será bem difícil, mas é na loucura, nas paixões, no misticismo, no rock, nos poetas mortos e nem tanto, nas minhas memórias, nas palavras esquecidas  nas entrelinhas dos discursos não escritos e não divulgados, nos pequenos sentimentos, na química, nos animais e na natureza que se transforma para aceitar-nos, que preciso me inspirar.

Dai-me paciência!!!! E inspiração

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