Artigos da categoria ‘Cotidiano’

21 de janeiro de 2010

Em busca de paciência e inspiração

Confesso que os assuntos do cotidiano estão acabando com minha inspiração e paciência.

As águas de março estão caindo todas em janeiro e os rios aumentaram os seus leitos invadindo as avenidas, casas, lojas, que antes invadiram com seus aterros as margens dos rios. É a vingança.

O trânsito matando cada vez mais. A tá, sei, o trânsito levando as culpas da negligência dos motoristas que correm em demasia pelas ruas, movidos pelo combustível nos tanques dos carros e pelo combustível (álcool, drogas) que afeta os poucos neurônios que ainda possuem (nesta madrugada um carro bateu com tanta força num poste que partiu ao meio , aqui em Porto Alegre/RS, imaginem a velocidade que vinha).

Em Brasília 19 horas, não. Estamos precisando de galhos de arruda nas portas das nossas casa já que o governador e seus acessores e seus deputados não precisam desta proteção.

Homens do exército e suprimentos e ajuda são enviados ao Haiti, mesmo sabendo que quem manda lá é os EUA, porque os problemas (fome, moradia, saúde, emprego…)no Brasil já estão todos solucionados.

Não sei.

Tenho a sensação que o mundo está por um fio (acho que ando falando muito com cartomantes), que podemos amanhecer mortos por um terremoto, por uma bomba, por enchentes, por uma gerra que não é a nossa, por um crime passional, por uma bala perdida, ou amanhecer num paraíso, onde só existiriam novelas, filmes em reprise, BBB’s, “Fazendas”, horários políticos gratuítos, programas de TV’s dando casas a todos e redes sociais dando espaço de 140 caracteres para não escreverem nada.

Parece que a escolha será bem difícil, mas é na loucura, nas paixões, no misticismo, no rock, nos poetas mortos e nem tanto, nas minhas memórias, nas palavras esquecidas  nas entrelinhas dos discursos não escritos e não divulgados, nos pequenos sentimentos, na química, nos animais e na natureza que se transforma para aceitar-nos, que preciso me inspirar.

Dai-me paciência!!!! E inspiração

12 de janeiro de 2010

Trabalho, vícios, férias, calor infernal e alimentação saudável

Chegar do trabalho depois de mais um dia cansativo, mas gratificante, onde as metas que estipulamos foram alcançadas, é algo inexplicável. Caí 40° (parafraseando) quando não é quente chove e inunda como na foto, suor tomando conta do corpo das 8:00 h da manhã até às 8:00 h da noite,  corpo e mente pedindo sossego e você o que faz?

A roupa do dia a dia é jogada num canto, visto bermuda e camiseta e tênis e vou caminhar? (volta Lene que contigo é mais prazeiroso)  Sim, eu vou. Caminho, caminho e me reabilito para a vida.  Colocar os pensamentos em ordem, fazer aquela reciclagem e deletar alguns problemas que surgiram no dia ou encontrar a solução de outros.

Isto aqui está parecendo um diário Depois, para não deixar de cultivar meu vício, aquela cuia de porongo, aquela erva mate, a bomba, a água no ponto e o chimarrão vou sorvendo. Mas que vício que nada. Esta é uma das maiores e melhores tradições dos gaúchos que mesmo neste calor infernal tem gente que não entende tomam o seu chimarrão.

Mas aí eu fico pensando, se o diabo (e seu inferno) mudou-se para esta parte do planeta e implantou sua indústria calorífica para acabar com a esperança de um clima quase perfeito, o que poderemos fazer?

Abandonar o hábito do chimarrão? Não mais comer o nosso churrasco que já faz parte da culinária mundial?

Não, eu não estou aqui para trazer respostas, eu quero é implantar cada vez mais perguntas para que quem tiver capacidade ou inteligência ou vontade, responda.

Bom, agora, aqui, no meio do texto a água acabou e chega de chimarrão. Fazer aquele sanduíche saudável, pois a tempos já aderi a este lanche noturno, além das cenouras e beterrabas raladas, muita alface, brócolis, beringela, abacaxi, mamão, mangas. Hoje fiquei sabendo que sementes de girassol é muito bom, quem sabe um dia eu experimente.

E a noite cai xavão e o calor não passa e o BBB insiste em invadir a sala aqui de casa e o ar já está ligado no quarto e os pensamentos me levam ao início do texto e penso nas férias que serão em fevereiro e lembro do Cruzeiro que ganhamos naquela promoção interna da empresa ( Fernando de Noronha que nos espere) e percebo que realmente é gratificante trabalhar e fechar metas e ganhar prêmios e sair de férias e retornar para o trabalho, mas rezando para que o calor diminua para que possamos continuar com os nossos pequenos vícios.

Vê-se que nem tudo está perdido, como dizia o Renato Russo.

3 de dezembro de 2009

O enredo de um filme que todos já vivemos e viveremos por muito tempo

O espírito natalino está, vagarosamente, se manifestando neste nosso dezembro equatorial em que nas ruas, nos shoppings movimentados, nas publicidades de revistas, jornais, rádios, tv’s… os papai-noéis em suas vestimentas importadas do polo norte, suados e cansados, derramam simpatia, esperança e o velho e contagiante  “HOHOHO”, enquanto que as lojas, os camelôs, os vendedores de bíblias, enciclopédias, perfumes, potes de plásticos de todos os tamanhos e sem utilidade, as floriculturas, os supermercados, as lojinhas que vendem enfeites, guirlandas de natal e presentinhos de dez a quinze reais para satisfazer a enormidade de “amigos secretos/ocultos” que participamos, as vendedoras autônomas de quinquilharias bijouterias, aproveitam a ocasião para obter o maior lucro do ano, ainda mais que neste dezembro/2009 não se fala em crise financeira vinculada a crise dos Estados Unidos que tanto se falava em 2008.

E o aumento do consumo das drogas? E os acidentes com mortes fatais? E a corrupção que se alastra tal qual erva daninha em todas as esferas administrativas do governos municipal, estadual, federal? (até o governador do distrito federal!!!) E a fome e a miséria que aumentam proporcionalmente a natalidade? E os soldados enviados por Obama, o sr.nobel da paz, ao Afeganistão? E  as bombas atômicas que uns (EUA, Rússia) podem ter e outros (Irã) não. E os congestionamentos oméricos logo após um pouco de chuva? E as enchentes e vendavais que assolam os estados do sul? E o Flamengo que pensa novamente em ser campeão?

Tudo, tudo fica para depois.  Depois do natal, depois do ano novo, depois da praia, depois da férias, depois…de a humanidade perceber que as coisas/fatos não são excludentes e que todos caminham lado a lado na mesma direção e em busca dos mesmos objetivos.

PS:

E se eu acreditasse em “Papai-noel”, pediria a ele este novo refrigerador que a Brastemp lançou e que revolucionará o mercado. Idéias boas merecem ser aplaudidas.

Tá bom, com um cd ou dvd do Raul Seixas também já me contentaria.

24 de novembro de 2009

Caminhando na solidão

Caminhar, exercitar-me numa cidade onde as ruas e avenidas são planas não me cansa.

Fim de expediente, tênis, bermudas, camiseta e “pernas na estrada”. Trinta minutos, uma hora, ducha quase fria e como todo bom gaúcho, tomar um bom chimarrão.

O vento sopra e balança o sininho pendurado na sacada e o som produzido passa um sentimento de tranquilidade, de paz.

O apartamento está deserto, nem o Fredy está hoje, para correr sobre o estofado, receber-me à porta quando chego, ou miar aqueles miados chorosos, implorando ração, atenção, colo ou cama.

Freddy

A TV ligada, sem o som, contribui para amenizar a solidão. O jornal de ontem me conta velhas novidades em forma de notícias, mas o Eduardo Galeano me envolve na leitura de suas “As palavras Andantes” e em sua “Janela sobre o medo” ele diz:

A fome come o medo. O medo do silêncio atordoa as ruas. O medo ameaça.

Se você amar, vai pegar aids

Se fumar, vai ter câncer

Se beber, vai ter acidentes

Se respirar, vai se contaminar

Se comer, vai ter colesterol

Se falar, vai perder o emprego

Se caminhar, vai ter violência

Se pensar, vai ter angústia

Se duvidar, vai ter loucura

Se sentir, vai ter solidão.

E não preciso escrever mais nada…

18 de outubro de 2009

Jogar ou armar boliche

O que será que nós ainda não fizemos?

Outro dia fomos ao “xopin” e jogamos boliche. Tudo automatizado, os pinos derrubados sendo reerguidos, as bolas sendo devolvidas, o número de pinos sendo marcados no placar, tudo automaticamente, até o tempo que compramos sendo controlado pelo computador.

Lembro-me de um tempo não tão distante, na minha infância, quando ajudar nos afazeres domésticos ou entregar jornal, ou fazer um ou outro serviço a troco de algumas moedas para ajudar no orçamento familiar, era algo  normal e não era proibido por lei e os nossos pais não eram acusados de exploração infantil e não vinha nenhum conselho tutelar dar palpites sobre a administração familiar e nós não nos envolvíamos com pequenos furtos, nem com vadiagem nem com drogas nem com nada… Tá, era uma época difícil e, por exemplo, o boliche não era computadorizado.

Terças-feiras a tarde, quartas e quintas-feiras a noite era quando eu ia, faceiro, ao clube da cidade trabalhar de “armador de pinos de boliche”. Os homens e as mulheres jogavam a bola, os pinos eram derrubados, jogávamos a bola, rapidamente, de volta por uma espécie de trilho, armávamos os pinos e em seguida já vinha outra bola, derrubando mais pinos e lá íamos nós armar os pinos novamente. As vezes as bolas eram jogadas com tanta força que os pinos eram arremeçados com violéncia conta a parede e por vezes tínhamos que nos defender para que não fossemos atingidos.

Nossa maior alegria era quando, depois de todos os jogadores jogarem, recebíamos o nosso pagamento e muitas vezes adicionado de um refrigerante, inteiramente grátis. Depois, bem, depois corríamos para casa, entregávamos o dinheiro recebido aos pais e íamos jogar bola, brincar de esconde-esconde, de pega-pega, ou de outras brincadeiras que inventávamos, porque, afinal de contas, ninguém era de ferro.

BolicheÉ difícil dizer o que ainda não fizemos, mas quem passou por certas coisas no passado nunca terá medo ou terá problemas para enfrentar obstáculos ou desafios no presente e/ou no futuro.

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