Todo menino é maluquinho, mas feliz
O menino irriquieto brinca na sala.
Sobre o tapete, sobre o sofá, sobre a mesa de centro, sobre a televisão, na estante, os brinquedos viajam de cá para lá.
Monstros imaginários circundam o menino que foge deles. Pequenos aviões sobrevoam a selva fabricada e o som supersônico quase rompe os tímpanos dos adultos que se atrevem a marcar presença. Dois bonequinhos articulados se enfrentam em lutas livres que só acabam quando um deles cai da mão do menino e o outro torna-se o grande vencedor. Uma espada de plástico cruza o ar num zás trás que assusta o gato que até a pouco jazia paciente e desligadamente no canto da sala. Alguns pêlos ainda flutuam no ar.
A televisão ligada tira-lhe, por segundos, a atenção mas o retorno ao mundo imaginário é imediato. Uma moto cruza o tapete e o som característico emitido pela boca do menino ecoa. A pantufa imitando um carro de corrida corre no circuito oval com destino à vitória.
O menino, na sua realidade, atira com sua metralhadora ao infinito como que a assassinar a solidão que sente e que vejo no fundo dos seus olhos castanhos.
A brincadeira acaba.
Recolher os brinquedos é preciso para se submeter a organização. A quantidade recolhida daria para marcar a volta na mata para que “João e Maria” não se perdessem, mas todos são, cuidadosamente, acondicionados em suas caixas.
Um pastel, um suco e a cama para recarregar as baterias para amanhã

É fácil concluir que a felicidade existe e que ela caminha lado a lado com a inocência dos meninos, das meninas, dos homens e de sua infância.


