Artigos da categoria ‘coletanea artesanal’
Coletânea Artesanal
Hoje estou por aqui, no Coletânea, mais uma colher de chá da Lunna.
Prestigiem
Madrugadas
As madrugadas já não são mais as mesmas.
Vasculho de bar em bar, de fotografia em fotografia e não encontro o que procuro.
As ruas desertas estão envoltas numa escuridão inconfundível. Caminho em direção ao nada e nas calçadas ainda encontro um ou outro passante a curtir a solidão dos boêmios.
Madrugadas paralelepípedadas, recebem seus últimos veículos que zarpam em alta velocidade.
Rapazes vorazes observam suas presas e atacam sem sucesso. As presas, por sua vez, dissimuladadas, jogam as suas últimas cartadas na esperança de vencer o jogo. Na saída da festa um casal perambula rua abaixo em busca da paz, sorrindo, falando alto, gesticulando, abraçando-se, beijando-se.
Continuo a minha procura, mas a madrugada me maltrata e esconde no limbo dos muros a verdadeira sensação do meu vazio.
Uma última porta aberta se oferece suplicando pela minha entrada. Reluto mas entro e despenco sobre a cadeira vazia que jaz, sozinha, na mesa lateral. Servem-me uma bebida qualquer que sorvo gole a gole. O garçon caminha de lado a lado a oferecer seus serviços. O barman já não mistura seus drinks tão circensemente. Um músico, no tablado, tocando e cantando B.B.King para uma platéia incrédula. Uma moça sentada em outra mesa, observando tudo e nada, que acontece ao redor, não entende, não procura entender, se surpreende.
Levanto e disparo em direção a saída.
A madrugada ainda está ali, envolvida em suas idiossincrasias e forçada a aceitar os bordões que lhe são impostas por todos que a destratam.
As madrugadas já não são mais as mesmas e de tanto vasculhar já não encontro mais nada. Nem os bêbados, nem as prostitutas, nem as cantoras, nem os boêmios que se foram em busca de algo melhor.
Aos poucos desisto.
Rendo-me.
A madrugada finda. Eu me entrego ao sono que renova minhas energias.
Não foi a primeira, não será a última.
Este pequeno conto foi publicado originalmente no blog Coletânea Artesanal em agosto /2008 e em breve, conforme nos diz a Lunna, sairá a próxima edição com o tema OUTONO, prestigiem.
Coletânea Artesanal
As amigas blogueiras Lunna e Letícia convidaram e agora publicaram a nova Coletânea.
M E T A M O R F O S E
Não me fiz de rogado e contribui. Venham à Coletânea Artesanal, tenho certeza que não se arrependerão


Lupicínio Rodrigues
Trouxe, nesta nova edição do “Abre Aspas”, um poeta brasileiro, gaúcho, que muito fez pela música brasileira. Sou apaixonado pelas letras dele e quero aqui prestar esta homenagem. Copiei sua história da Wikipédia e transcrevo logo a seguir a melhor, segundo o meu ponto de vista, de todas as letras do Lupe:
Lupicínio Rodrigues (Porto Alegre, 16 de setembro de 1914 — Porto Alegre, 27 de agosto de 1974) foi um compositor/poeta brasileiro.
Lupe, como era chamado desde pequeno, compôs marchinhas de carnaval e sambas-canção, músicas que expressam muito sentimento, principalmente a melancolia por um amor perdido. Foi o inventor do termo dor-de-cotovelo, que se refere à prática, comum nos bares, do homem ou mulher que se senta no balcão, crava os cotovelos no mesmo, pede um uísque duplo, e chora o amor que perdeu. Constantemente abandonado pelas mulheres, Lupicínio buscou em sua própria vida a inspiração para suas canções, onde a traição e o amor andavam sempre juntos.
De 1935 a 1947, trabalhou como bedel da Faculdade de Direito da UFRGS. Nunca saiu de Porto Alegre, a não ser por uns meses em 1939, para conhecer o ambiente musical carioca. Porto Alegre era seu berço querido e todo o seu universo.
Boêmio, foi proprietário de diversos bares, churrascarias e restaurantes com música, que seguidamente ia abrindo e fechando, tudo apenas para ter, antes do lucro, um local para encontro com os amigos.
Torcedor do Grêmio, compôs o hino do tricolor, em 1953: Até a pé nós iremos / para que der e vier / Mas o certo é que nós estaremos / com o Grêmio onde o Grêmio estiver. Seu retrato está na Galeria dos Gremistas Imortais, no salão nobre do clube.
Deixou cerca de uma centena e meia de canções editadas; outras centenas que compôs foram perdidas, esquecidas ou estão à espera de quem as resgate.
Nervos de Aço
Lupicínio Rodrigues
Composição: Lupicínio Rodrigues
Você sabe o que é ter um amor, meu senhor
Ter loucura por uma mulher
E depois encontrar esse amor, meu senhor
Ao lado de um tipo qualquer
Você sabe o que é ter um amor, meu senhor
E por ele quase morrer
E depois encontrá-lo em um braço
Que nem um pedaço do seu pode ser
Há pessoas de nervos de aço
Sem sangue nas veias e sem coração
Mas não sei se passando o que eu passo
Talvez não lhes venha qualquer reação
Eu não sei se o que trago no peito
É ciúme, é despeito, amizade ou horror
Eu só sei é que quando a vejo
Me dá um desejo de morte ou de dor