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20 de setembro – Revolução Farroupilha
Vem ano, vai ano e minha indignação aumenta.
Já me manifestei aqui e depois de um bom tempo, percebo que pouca coisa mudou e se mudou foi para pior. O comércio tomou conta da data, tem gente que, com sotaque de outro estado, declara sua loja “gaúcha”, tem emissoras de rádio e televisão que durante o ano todo defendem a globalização a qualquer custo e nesta época assumem um papel bem regional a troco de melhor audiência.
Até o papa João Paulo em sua visita ao estado (em l980) foi declarado gaúcho
(“Ucho, ucho, ucho o papa é gaúcho”), dá prá aceitar, dá prá entender, mas escutar até a Volkswagem (carro do povo) fazendo publicidade com sotaque bem gaudério é dose.
Ainda bem que depois das comemorações as coisas voltam ao seu lugar e os verdadeiros gaúchos sobreviverão. Será?
Onde perdemos a nossa verdadeira identificação com as coisas do nosso estado e do nosso país?
Não sei quando, não sei onde, não sei como. Não sei, mas perdemos um pouco o nosso orgulho pelas coisas da nossa terra.Â É a globalização? São as multinacionais que adotam nossa terra e em seguida tomam conta dela? Será que é a internet que nos leva a ter contato com tudo e com todos e esta massificação é que faz com que nos desliguemos dos nossos verdadeiros costumes?
Esta é uma questão que vou pesquisar e tentar encontrar respostas entre uma chimarrão e outro, entre um churrasco e outro, entre uma bombacha e outra, montado no pingo, (cavalo) ou não, frequentando os CTG’s, festejando a Semana Farroupilha, ou simplesmente, TCHE, falando com este nosso sotaque muito peculiar.
Por hora vou anexar o hino que muitos gaúchos ainda conhecem para que percebam a sensibilidade do poeta Francisco Pinto da Fontoura.
HINO DO RIO GRANDE DO SUL
Como a aurora precursora
Do farol da divindade
Foi o 20 de Setembro
O precursor da liberdade
Mostremos valor constância
Nesta ímpia e injusta guerra
Sirvam nossas façanhas
De modelo a toda Terra
De modelo a toda Terra
Sirvam nossas façanhas
De modelo a toda Terra
Mas não basta pra ser livre
Ser forte, aguerrido e bravo
Povo que não tem virtude
Acaba por ser escravo
Mostremos valor constância
Nesta ímpia e injusta guerra
Sirvam nossas façanhas
De modelo a toda Terra
De modelo a toda Terra
Sirvam nossas façanhas
De modelo a toda Terra.

Inverno gelado
Faz um bom tempo que não passávamos tanto frio, mas é um frio gostoso que aumenta o nosso convívio, que nos leva a valorizar mais o sol, que nos mostra que a tal camada de ozônio não está tão a perigo, por isto quero partilhar, através destas fotos do nosso arquivo pessoal, com muitos de vocês que não tem ideia do que é isto. Reparem que as lentes ficaram um pouco embaçadas, tudo por conta da geada.




Este é o José do passo certo.
Falei ontem com o José, meu amigo de conversas intermináveis no boteco, ouvindo ao fundo o Raul cantando e insistindo que “o diabo é o pai do rock” e como sempre faço, exerci a minha função de ouvinte, pois José parece que tem duas, três, quatro bocas e fala com todas elas. A certa altura fiquei chocado com esta declaração dele:
-Odeio meu pai, odeio minha mãe. Odeio meus pais…
PQP!!!!!! Será que já tomamos demais? Será que é o efeito da batata frita?
José estava bem sóbrio e continuou:
- Meu pai me ensinou a pedir licença, a levantar o dedo quando queria falar em sala de aula, a respeitar os mais velhos, a não roubar, a não matar, a não furar filas, a torcer pelo GRÊMIO, a ser amigo dos amigos, a repartir o pão, a estudar, a trabalhar, a ter sonhos, a ter esperança no futuro, a …
-Mas isto lá são motivos para odiar os pais?
-Claro que são, insistia José. Eles só me ensinaram estas coisas “boas” e eu segui a risca. Sou um bom pai, marido, trabalhador, até estudando ainda estou, sempre me mantive otimista em relação ao futuro dos meus filhos, da minha cidade, do meu estado e do meu país. Sempre acreditei que os vereadores, os deputados, os senadores, os governadores, os presidentes exerciam seus mandatos preocupados com a população em geral, com nós que neles votamos e que se aparecesse alguém que tivesse um deslize seria exemplarmente punido. E o que vejo, o país do jeitinho, todos querendo levar vantagem em tudo, a corrupção correndo solta em todos o níveis, os senadores mais velhos, que deveriam dar exemplos, se locupletando sem parar, os colegas na empresa puxando tapetes para “subir”, os “Cartolas” recebendo porcentagens nas transações dos seus clubes, diplomas sendo vendidos a céu aberto e tantas outras falcatruas que me nego a relacionar e eu aqui, com estes meus escrúpulos, com esta minha mania de ser honesto, seguindo o exemplo dos meus pais e ensinando aos meus filhos como eles me ensinaram e não conseguindo nem ficar com os r$ 2,00 do troco que a Solange da padaria me deu a mais ontem quando fui comprar o pão. Entendeu porque odeio os meus pais? Entendeu?
Já estava ficando tarde, o nosso ponto, no boteco, já tínhamos batido, a conversa tinha fluído como nunca e todas as teorias sobre ódio e amor ao próximo, aos filhos e aos pais foram dissecadas.
Não posso concordar com o José, apesar de também ter motivos iguais aos dele para odiar os pais, mas penso que já passou da hora de revermos certos conceitos.


Inverno, a melhor estação do ano.
Era disso que eu falava. O frio chegou e se instalou com toda força em todos os cantos da cidade e principalmente do interior, do campo. Os termômetros sinalizam temperaturas perto dos “zero graus célsius” e a sensação térmica é de no mínimo -5°C
O vento que sopra é tão gelado que parece que já vem molhado e não há casacos, jaquetas, capuz, gorros, japonas, luvas suficientes para acalmar os efeitos.          Antes da chuva uma neblina expessa se apresenta e limita nossa visão, encurtando a distância até o horizonte.
O frio aumenta e gotículas de água caem das nuvens em forma de flocos (parece neve) que se dissipam ao tocarem o chão. Aos poucos os pingos gelados aumentam e já se forma uma garoa mais consistente molhando os menos avisados que correm em busca de abrigo. A neblina de antes é substituída pela fumaça das chaminés que espetam o vazio acima das casas, dentro delas as pessoas procuram seus lugares perto de fogões à lenha e das lareiras para amenizar as sensações.
Café, chocolate-quente, chimarrão, taças de vinho e até bolinhos-de-chuva, surgem…
Agora chove torrencialmente. Chuva e frio, frio e chuva. Poucos são os corajosos que se aventuram a enfrentar o que a natureza se nos apresenta e capa-de-chuva ou guarda-chuva não protegem nada e ninguém.
Pássaros pousados sobre a goiabeira se encolhem, molhados.
O frio impera e era disso que eu falava, mas é só o começo. Conferir o estoque de lenha, de café, de vinho, reler “Ensaio sobre a loucura” do Saramago, abrigar-se da chuva, blusões de lã e cobertores, mais lenha no fogão, mais uma taça de vinho, mais um café.
Não escrevo sobre o polo norte, este é o inverno do nosso estado, do nosso Rio Grande do Sul e é a melhor estação do ano.