Artigos da categoria ‘Coisas do Rio Grande’
Onde perdemos a nossa verdadeira identificação com as coisas do nosso estado e do nosso país?
Não sei quando, não sei onde, não sei como. Não sei, mas perdemos um pouco o nosso orgulho pelas coisas da nossa terra. É a globalização? São as multinacionais que adotam nossa terra e em seguida tomam conta dela? Será que é a internet que nos leva a ter contato com tudo e com todos e esta massificação é que faz com que nos desliguemos dos nossos verdadeiros costumes?
Esta é uma questão que vou pesquisar e tentar encontrar respostas entre uma chimarrão e outro, entre um churrasco e outro, entre uma bombacha e outra, montado no pingo, (cavalo) ou não, frequentando os CTG’s, festejando a Semana Farroupilha, ou simplesmente, TCHE, falando com este nosso sotaque muito peculiar.
Por hora vou anexar o hino que muitos gaúchos ainda conhecem para que percebam a sensibilidade do poeta Francisco Pinto da Fontoura.
HINO DO RIO GRANDE DO SUL
Como a aurora precursora
Do farol da divindade
Foi o 20 de Setembro
O precursor da liberdade
Mostremos valor constância
Nesta ímpia e injusta guerra
Sirvam nossas façanhas
De modelo a toda Terra
De modelo a toda Terra
Sirvam nossas façanhas
De modelo a toda Terra
Mas não basta pra ser livre
Ser forte, aguerrido e bravo
Povo que não tem virtude
Acaba por ser escravo
Mostremos valor constância
Nesta ímpia e injusta guerra
Sirvam nossas façanhas
De modelo a toda Terra
De modelo a toda Terra
Sirvam nossas façanhas
De modelo a toda Terra.

Inverno gelado
Faz um bom tempo que não passávamos tanto frio, mas é um frio gostoso que aumenta o nosso convívio, que nos leva a valorizar mais o sol, que nos mostra que a tal camada de ozônio não está tão a perigo, por isto quero partilhar, através destas fotos do nosso arquivo pessoal, com muitos de vocês que não tem ideia do que é isto. Reparem que as lentes ficaram um pouco embaçadas, tudo por conta da geada.




Este é o José do passo certo.
Falei ontem com o José, meu amigo de conversas intermináveis no boteco, ouvindo ao fundo o Raul cantando e insistindo que “o diabo é o pai do rock” e como sempre faço, exerci a minha função de ouvinte, pois José parece que tem duas, três, quatro bocas e fala com todas elas. A certa altura fiquei chocado com esta declaração dele:
-Odeio meu pai, odeio minha mãe. Odeio meus pais…
PQP!!!!!! Será que já tomamos demais? Será que é o efeito da batata frita?
José estava bem sóbrio e continuou:
- Meu pai me ensinou a pedir licença, a levantar o dedo quando queria falar em sala de aula, a respeitar os mais velhos, a não roubar, a não matar, a não furar filas, a torcer pelo GRÊMIO, a ser amigo dos amigos, a repartir o pão, a estudar, a trabalhar, a ter sonhos, a ter esperança no futuro, a …
-Mas isto lá são motivos para odiar os pais?
-Claro que são, insistia José. Eles só me ensinaram estas coisas “boas” e eu segui a risca. Sou um bom pai, marido, trabalhador, até estudando ainda estou, sempre me mantive otimista em relação ao futuro dos meus filhos, da minha cidade, do meu estado e do meu país. Sempre acreditei que os vereadores, os deputados, os senadores, os governadores, os presidentes exerciam seus mandatos preocupados com a população em geral, com nós que neles votamos e que se aparecesse alguém que tivesse um deslize seria exemplarmente punido. E o que vejo, o país do jeitinho, todos querendo levar vantagem em tudo, a corrupção correndo solta em todos o níveis, os senadores mais velhos, que deveriam dar exemplos, se locupletando sem parar, os colegas na empresa puxando tapetes para “subir”, os “Cartolas” recebendo porcentagens nas transações dos seus clubes, diplomas sendo vendidos a céu aberto e tantas outras falcatruas que me nego a relacionar e eu aqui, com estes meus escrúpulos, com esta minha mania de ser honesto, seguindo o exemplo dos meus pais e ensinando aos meus filhos como eles me ensinaram e não conseguindo nem ficar com os r$ 2,00 do troco que a Solange da padaria me deu a mais ontem quando fui comprar o pão. Entendeu porque odeio os meus pais? Entendeu?
Já estava ficando tarde, o nosso ponto, no boteco, já tínhamos batido, a conversa tinha fluído como nunca e todas as teorias sobre ódio e amor ao próximo, aos filhos e aos pais foram dissecadas.
Não posso concordar com o José, apesar de também ter motivos iguais aos dele para odiar os pais, mas penso que já passou da hora de revermos certos conceitos.
O que fazer para amenizar a fome no mundo?
Fico pensando no que fazer para contribuir nesta luta inglória que é a fome no mundo, no Brasil e principalmente aqui, mais perto, no Rio Grande do Sul.
O IBGE divulgou recentemente que o nosso estado tem 800 mil gaúchos passando fome, conforme matéria do Correio do Povo que enfoca as ações das instituiçoes para angariar alimentos e amenizar os efeitos nas comunidades carentes.
Confesso que fico um pouco constrangido, ( na medida do possível auxilio nas ações que se apresentam ), mas ontem, domingo de inverno que tinha mais cara de outono, com temperatura amena e sol fraco, visitamos em família um festival gastronômico na serra gaúcha, mais precisamente em Carlos Barbosa/RS, o FESTIQUEIJO 2009.
Visitamos a cidade, assistimos a um show com uma banda na praça principal da cidade, compramos casacos e blusas nos estandes das Malharias locais e como atração principal, entramos em um amplo salão mediante o pagamento de R$ 48,00 de ingresso por pessoa, onde disponibilizavam vinhos, espumantes, refrigerantes, queijos, pizzas, pão de queijo, polenta, salsichão, frango, pastéis…
De posse do ingresso, passava-se por uma roleta e adentrava-se no salão onde haviam inúmeros estandes com as bebidas e as comidas e com um garfinho e uma taça de vidro que recebia-se na entrada, podia se comer e beber a vontade.
Ficamos em torno de 3 horas, mas não conseguimos experimentar todos os vinhos, espumantes, queijos… Rodava-se no salão, escolhia-se o vinho, usava-se o garfo para pegar o queijo (tinha um provlone muito bom), o salamito, o frango, os pastéis, as pizzas, até brigadeiros tinha.
É uma festa tradicional da região e se estende por todo mês de julho (02 a 26) .
Tá e porque falar em um Festival de gastronomia e em pessoas passando fome?
Precisava fazer este alerta. Penso que todos têm o direito ao lazer, mas ao mesmo tempo, têm a obrigação de olhar ao próximo que tem necessidades semelhantes e não tem acesso a, nem mesmo, um prato de feijão e arroz diariamente.


20 de setembro – Revolução Farroupilha
Vem ano, vai ano e minha indignação aumenta.
Já me manifestei aqui e depois de um bom tempo, percebo que pouca coisa mudou e se mudou foi para pior. O comércio tomou conta da data, tem gente que, com sotaque de outro estado, declara sua loja “gaúcha”, tem emissoras de rádio e televisão que durante o ano todo defendem a globalização a qualquer custo e nesta época assumem um papel bem regional a troco de melhor audiência.
Até o papa João Paulo em sua visita ao estado (em l980) foi declarado gaúcho
(“Ucho, ucho, ucho o papa é gaúcho”), dá prá aceitar, dá prá entender, mas escutar até a Volkswagem (carro do povo) fazendo publicidade com sotaque bem gaudério é dose.
Ainda bem que depois das comemorações as coisas voltam ao seu lugar e os verdadeiros gaúchos sobreviverão. Será?