Artigos da categoria ‘Blogagem coletiva’

7 de dezembro de 2008

Interludio com Florbela

Este artigo faz parte da Blogagem Coletiva sobre a grande poetiza portuguesa Florbela Espanca muito bem conduzida pela Flor do blog Interludio. Escolhi este poema porque identifica com toda clareza a principal característica da Florbela.

Deliciem-se

Vulcões

Tudo é frio e gelado. O gume dum punhal
Não tem a lividez sinistra da montanha
Quando a noite a inunda dum manto sem igual
De neve branca e fria onde o luar se banha.

No entanto que fogo, que lavas, a montanha
Oculta no seu seio de lividez fatal!
Tudo é quente lá dentro…e que paixão tamanha
A fria neve envolve em seu vestido ideal!

No gelo da indiferença ocultam-se as paixões
Como no gelo frio do cume da montanha
Se oculta a lava quente do seio dos vulcões…

Assim quando eu te falo alegre, friamente,
Sem um tremor de voz, mal sabes tu que estranha
Paixão palpita e ruge em mim doida e fremente!

9 de novembro de 2008

Florbela, mais que uma poetisa

Recebi um convite da Flor do Interlúdio para participar da

Blogagem coletiva “Uma festa para Florbela” poetisa portuguesa que estará comemorando em 08 de dezembro mais um ano de nascimento.

Bela iniciativa da Flor e como ela mesmo diz no seu artigo “os versos de Florbela expressam um erotismo e uma liberdade pioneiros na poesia de seu país”.

Serve este, também, de convite para aqueles que queiram irmanar-se nesta iniciativa.

26 de outubro de 2008

Labirinto – Jorge Luis Borges

Labirinto

Não haverá nunca uma porta. Estás dentro

E o alcácer abarca o universo

E não tem nem anverso nem reverso

Nem externo muro nem secreto centro.

Não esperes que o rigor de teu caminho

Que teimosamente se bifurca em outro,

Que obstinadamente se bifurca em outro,

Tenha fim. É de ferro teu destino

Como teu juiz. Não aguardes a investida

Do touro que é um homem e cuja estranha

Forma plural dá horror à maranha

De interminável pedra entretecida.

Não existe. Nada esperes. Nem sequer

No negro crepúsculo a fera.

Transcrevi esta poesia do livro Elogio da sombra(Poemas) / Perfis(Um ensaio auto biográfico) do grande escritor/poeta, Jorge Luis Borges, argentino que viveu neste nosso mundo até 1986 e teve como suas principais influências Dante Alighieri e Franz Kafka. Abordou em sua obra temas como filosofia, metafísica, mitologia e teologia. Borges abordou, ainda, a cultura dos pampas argentinos, publicando contos como “O morto”, “O homem da esquina rosada” e “O sul”. Entre seus contos mais conhecidos e comentados estão “A biblioteca de babel”, “O jardim de Veredas que se bifurcam”. Por causa da progressiva cegueira que toma conta de Borges, ele dedica-se a poesias e produz obras notáveis como “A cifra”(1981), “Atlas”(1984) e “Os conjurados”(1984-sua última obra).

Escolhi esta poesia e este grande escritor para fazer parte desta nossa “blogagem coletiva”, porque foi nele que descobri que tinha, primeiramente, algum interesse pela leitura e, mais tarde, pelo escrever.

7 de outubro de 2008

Blogagem coletiva

Muitos já aderiram, muitos ainda aderirão e eu não perco esta blogagem idealizada pela Lunna:

No dia 27 de outubro escolha uma poesia para postar e fale um pouco do poeta que a escreveu numa espécie de breve biografia.

Vamos homenagear a poesia e seus autores e deixar a blogosfera muito mais poética…

Junte-se a nós.

22 de março de 2008

A cachaça de cada um

Não gosto muito de aderir a blogagens coletivas porque penso que todos blogueiam melhor do que eu, mas como esta não é nenhuma competição resolvi aderir, ainda mais que foi idealizada pelo Rayol do Jus Indignatus.

Poderia escrever sobre a história e a origem da cachaça, mas isto já tem aqui, poderia falar sobre os porres homéricos que todos tomamos, poderia falar sobre os benefícios e ou malefícios da branquinha marvada, mas vou tentar escrever algo sobre a cachaça[bb] de cada um, metaforicamente.

A cachaça de Deus foi criar o mundo e mesmo depois de tanto tempo ficar observando o que fazemos com ele;

A cachaça de Jesus era fazer milagres. Não podia ver um necessitado, um faminto ou o vinho terminar que logo transformava água em vinho, multiplicava pães e peixes, fazia paralíticos andar;

A cachaça dos cientistas é provar que tudo isto é mentira. Ainda estão tentando;

A cachaça do Hitler era a purificação da raça, apesar de usar meios que não justificavam os fins.

Para não ficar tão distante e trazendo o enfoque para os dias de hoje, tem a cachaça dos presidentes dos EUA (hoje o Bush) que teimam em interferir em todos os outros países;

A cachaça do Hugo Chaves é fomentar a discórdia entre os países das Américas;

A cachaça do presidente do Brasil, Lula, é descobrir entre os seus companheiros[bb] alguém que possa substituí-lo na presidência, já que não pode se reeleger;

A cachaça dos grandes meios de comunicação é, de um lado, criticar o governo perante seus leitores, ouvintes ou telespectadores e , de outro, fazer acordos escusos que mantenham o estatus de ambos. “Mais circo e menos pão ao povo.”

Tem a cachaça dos políticos[bb], dos empresários, dos homens, das mulheres. Todos temos a nossa cachaça. Uns a utilizam ao extremo e embriagados não conseguem ver o que se passa fora deste barril que a fermenta, outros sabem utilizá-la de forma racional e fazer com que esta obsessão produza frutos[bb]. Tem os que não tem a sua cachaça, mantendo-se alheios, neutros, apenas seguindo a boiada;

E tem a nossa cachaça.

A minha, a do Rayol, a da Letícia, a da Loba, a da Acqua, a da Paula, a de tantos outros blogueiros que postam seus artigos e manifestam suas idéias e postam seus artigos e manifestam suas idéias e transformam seus blogs numa verdadeira cachaça e cujo vício jamais, dependendo de mim, será abandonado…

No máximo vamos construir um grande alambique.

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