Tudo é descartável

Ando um tanto preocupado.

Tudo é descartável.

Um eletrodoméstico, uma calça jeans, um par de calçados, um celular, as lentes de contato, as notícias, as amizades, os relacionamentos.

Ando um tanto preocupado e não encontro os motivos desta descartabilidade.

Seria o maior motivo este consumismo desenfreado que leva a sociedade ao caos?

Seria o maior motivo este dinamismo em que se transformou o nosso dia a dia e a nossa busca cada vez maior do prazer individual?

Seria o maior motivo  a nossa necessidade de auto afirmação através de objetos que indiscriminadamente vamos adquirindo e descartando e adquirindo e descartando e adquirindo e…?

Descartar amizades ou relacionamentos como que a descartar objetos, assim, num simples piscar de olhos, é algo inimaginável mas é o que está acontecendo.

Ainda preciso pesquisar sobre o tema, pois tem até certos artigos que são descartáveis como este que não publicarei cujos parágrafos principais foram descartados para não ferir suscetibilidades.

Ando um tanto preocupado…

Justiça com as próprias mãos

Dormia o sono dos justos, na cama, em seu quarto, no andar superior da casa. O quarto arejado era silencioso e aconchegante. Só dormia, não sonhava nem ouvia os pássaros nem os estranhos sons que vinham do outro lado da rua.

Sirenes, carros de polícia, uma multidão de curiosos, os bombeiros, pessoas desconhecidas, de outros bairros, amigos, vizinhos e familiares.

E ela lá, apagada, sem nada ouvir sem presenciar aquelas cenas que aconteciam…

Um cerco estava sendo preparado pela polícia. Ninguém poderia chegar mais perto. Acesso somente para a polícia e os que ela autorizava. Os curiosos intrigados, jornalistas, câmera de TV focando, transmissões ao vivo sendo preparadas.

E ela lá, apagada, sem nada ouvir, sem presenciar aquelas cenas que aconteciam…

A porta da casa arrombada, os móveis revirados, o investigador observando o corpo que jazia na porta da cozinha. Muito sangue.

A multidão pressionando os policiais por notícias, os repórteres usando de subterfúgios para ter acesso, o cão uivando, prostrado na escada que dá acesso ao andar de cima

E ela lá, apagada, sem nada ouvir, sem presenciar aquelas cenas que aconteciam.

Degrau por degrau o investigador sobe ao segundo andar a procura de explicações ou novos fatos que possam lhe auxiliar. No corredor alguns livros espalhados, um telefone celular, um quadro de Miró e uma faca ensanguentada. A porta do quarto aberta, uma caixinha de música (ainda tocando Danúbio Azul de Strauss) o chuveiro no banheiro a soltar água provocando o som de uma cascata e um corpo estirado na cama, uma arma na mão e a marca de tiro na testa.

E ela lá, apagada sem nada ouvir, as sirenes, os policiais, a multidão indignada, os repórteres, as câmeras, os detetives, a valsa, a água em forma de cascata, os pássaros e o cão a uivar.

Só queria dormir o sono dos justos que fazem justiça com as próprias mãos.

A greve dos Carteiros e o uniforme dos jogadores brasileiros em Pequim/2008

Por alguns 21 dias tivemos que enfrentar a greve dos Carteiros. Reivindicações justas ou não, não importa, o que importa é que eles têm o direito de reivindicar.

Aumento de salário. Diminuição da carga horária. Melhores condições de trabalhos externos e muitos outros ítens assinalados ali, naquela pauta de negociações que eles mantinham com o governo federal e que voltarão a negociar em agosto.

Porque fazer uma mobilização agora, não entregando as correspondências? É difícil de entender, mas, como sou curioso, incorporei o Sherlok Holmes e, com auxílio do Watson (elementar meu caro) descobri o verdadeiro motivo desta greve dos carteiros, a razão de todo o desconforto e de toda indignação deles nesta véspera de Olimpíada de Pequim 2008 (08/08/08).

Os carteiros com o seu tradicional uniforme, identificado a anos por qualquer pessoa que se lhes visse nas ruas, nas cidades, no campo ou por onde andavam a entrega de cartas, correspondências, pacotes, não queriam aceitar que a CBF copiasse o modelo do uniforme por eles idealizado e o adotasse para a seleção de futebol do Brasil e exigiram que nas negociações futuras tivessem participação nas vendas destes abrigos bastante difundidos pelos jogadores mundo afora.

Parece que foram atendidos, pois, conforme demonstro nas fotografias abaixo ou pelo que pudemos ver na mídia neste 23/07 os uniformes realmente são muito parecidos e pelo menos os carteiros, é certo que, torcerão pelo Ronaldinho, Lucas, Pato e cia, jogadores desta Seleção Brasileira de Futebol.

Eu também vou torcer.

Viamão Lotado

Em 20 de abril de 2008, como afirmou o Daniel, quando, efetivamente, foi publicado o 1º artigo do Viamão Lotado, fiquei feliz porque ele veio preencher uma lacuna que existia na “blogosfera”, ou seja, escrever sobre metablogging e na hora fiquei tão empolgado que inspirou-me a escrever um artigo no meu blog.

O Viamão Lotado entra lotado quase que diariamente na minha casa onde leio os artigos e aprendo com o Jânio e o Daniel como é que se faz um verdadeiro blog. Fide-se caro leitor, vale a pena.

Dicas como fazer para ter mais acessos e ganhar dinheiro com eles, sobre o WordPress, sobre domínios, sobre links, sobre o visual do seu blog, sobre qual tema usar e principalmente alertas sobre como não devemos agir em relação a certos blogueiros hipócritas que tentam ser mais realistas do que o próprio rei (sem plágio).

Ler este blog, ter acesso a tanta informação, poder criticar nos comentários, receber respostas que te fidelizam ainda mais e participar desta promoção que eles estão promovendo, para mim é indescritível e sugiro a todos que têm intenção de participar façam a sua resenha logo pois o prazo termina em 14 de agosto.

Vai ter tantos inscritos que uma USB Mini Cooling Fridge vai ser pouco.

O pomar de João e a cerejeira

João ganhou um pomar.

Sim, João é uma pessoa que gosta de pomares, gosta de cultivá-los, cuidá-los, gosta de ver o pomar crescer, florescer, dar frutos e por isto se dedica a ele.

É o que João está fazendo agora. Cuida de todos os detalhes, a escolha das mudas, o adubo certo (orgânico é claro), a rega, a poda. João só lamenta que as vezes já tem algumas árvores plantadas, árvores que não receberam todo o carinho e o cuidado de João desde o início de suas vidas.

Tem, lá no pomar que o João ganhou, uma bela árvore, a cerejeira, em meio a outras, que teria tudo para ser a que frutos mais suculentos daria, a melhor sombra, as melhores sementes para futuras mudas, mas não, não é isto o que acontece. (Bem que lhe avisaram que a mais bela poderia não ser)

No início João preocupou-se com a macieira que estava com alguns galhos quebrados e um fungo em seu caule. Cuidou dela, remediou-a, regou-a, mas não adiantou. Teve que substituí-la. Preocupou-se, também, com a figueira e aquela bergamoteira que estavam meio caídas, não conseguiam mais produzir e destoavam do resto das árvores que floriam e produziam muitos frutos. Substituiu-as, também.

E a cerejeira lá, vistosa, frondosa, ostentando o lugar de “rei” do pomar.

João substitui as três que sucumbiram e plantou mais outras, mas quando percebeu, uma das árvores parou de produzir, murcharam suas folhas, secaram seus galhos o que deixou-o bastante triste e preocupado. Pôs-se, então, a observar e a investigar. Algo de estranho vinha daquela cerejeira que afetava as demais árvores.

Seria a sombra que as vezes batia ao sul, as vezes ao norte? Seria o sopro do vento que passava por entre os galhos da verde cerejeira?

João continuou sua pesquisa e tratou de recuperar aquela que murchou, que secou. Conseguiu, mas quando percebeu, uma outra árvore frutífera foi atingida. Murchou. Galhos secos, frutas caindo, pouca produção.

E a cerejeira ali, imponente, balançando de um lado ao outro.

O serviço de João recomeçava. Recuperar outra árvore quase morta, coisa que fazia com prazer mas agora ciente da influência negativa da cerejeira sobre as demais, destilando o seu veneno cerejeiro, a sua sombra traiçoeira e o seu vento arrasador, João precisava fazer algo maior, não só para salvar a quase morta mas também proteger.

João talvez apele ao IBAMA.

João talvez faça denúncia à Associação das árvores desprotegidas. João talvez arregimente um exército de árvores e declare guerra à cerejeira.

João talvez use, finalmete, a sua moto-serra para salvar o seu pomar.

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