Caminhando na solidão
Caminhar, exercitar-me numa cidade onde as ruas e avenidas são planas não me cansa.
Fim de expediente, tênis, bermudas, camiseta e “pernas na estrada”. Trinta minutos, uma hora, ducha quase fria e como todo bom gaúcho, tomar um bom chimarrão.
O vento sopra e balança o sininho pendurado na sacada e o som produzido passa um sentimento de tranquilidade, de paz.
O apartamento está deserto, nem o Fredy está hoje, para correr sobre o estofado, receber-me à porta quando chego, ou miar aqueles miados chorosos, implorando ração, atenção, colo ou cama.

A TV ligada, sem o som, contribui para amenizar a solidão. O jornal de ontem me conta velhas novidades em forma de notícias, mas o Eduardo Galeano me envolve na leitura de suas “As palavras Andantes” e em sua “Janela sobre o medo” ele diz:
A fome come o medo. O medo do silêncio atordoa as ruas. O medo ameaça.
Se você amar, vai pegar aids
Se fumar, vai ter câncer
Se beber, vai ter acidentes
Se respirar, vai se contaminar
Se comer, vai ter colesterol
Se falar, vai perder o emprego
Se caminhar, vai ter violência
Se pensar, vai ter angústia
Se duvidar, vai ter loucura
Se sentir, vai ter solidão.
E não preciso escrever mais nada…
3 Comentários
Que triste…
Caminhar é bom, mas não na solidão.
Bom dia Paulo!
Bem realista, triste mas é isso mesmo.


E se viver terá eternamente saudadeS!!!
Adoorei!!
Beijos querido!!!