A violência e a impunidade caminham lado a lado no Pará
A história é interessante.
Uma menor, culpada ou não, foi presa e encarcerada com mais ou menos 20 homens, na mesma cela, durante 20 dias. O tempo passa, a carne é fraca, a mulher é fraca, os homens se servem. O estupro é evidente. A moça é solta. A mídia toma ciência. A repercução é imediata.
Exames, IML, delegados entrevistados, governadora dando e pedindo explicações.
A cidade - Abaetetuba. O estado - Pará.
Poderia ser a tua cidade, poderia ser o teu estado, poderia ser a tua filha, poderia, poderia, poderia.
Justiça, no mínimo justiça.
Hoje um delegado, na audiência, declarou que “a menina provavelmente tem um distúrbio, deve sofrer de algum mal, pois não declarou que era menor, em nenhum momento disse que era menor…”
O que devemos concluir?
Uma menor, presa por furto, não diz a idade e por isto é presa numa cela com muitos homens.
Será que este delegado disse que era delegado?
Será que não seria melhor a menor voltar para a cela porque aqui fora está bem pior do que lá dentro?
Punição aos (i)responsáveis antes que esta “doença” se alastre por este Brasil a fora e faltem celas para nos refugiarmos.
Olá, Paulo,
muito prazer em conhecer o seu belo blog. Realmente esse fato é tão marcante que desafia o nosso próprio entendimento, ficamos sem categorias para pensar essa situação. A situação no Pará deve ser tão delicada que esse fato deve ser a conseqüência de vários problemas e de abandono daquela região. Realmente um desafio muito grande para nós brasileiros.
Agora que tenho seu contato, espero visitar seu espaço mais vezes.
Obrigado pela visita no NossaVia,
Abraço
O problema, infelizmente, não é só do Estado do Pará, mas acredito que a causa desse interesse repentino da mídia pelo assunto se deve ao fato de o Estado ser governado por uma mulher do Partido dos Trabalhadores:
“A coordenadora da Pastoral Carcerária na questão feminina, Heidi Ann Cerneka, destacou que a superlotação em presídios femininos não é um “problema isolado”. Ela citou o caso de Abaetetuba (PA), onde uma menina de 15 anos passou 24 dias detida numa cela com 20 homens. “A cadeia de Abaetetuba é uma situação absolutamente desumana. Mas está muito longe de ser um caso isolado”, afirmou.
Ela destacou o problema de um presídio em Pernambuco, onde 65 mulheres que deveriam estar em regime semi-aberto cumprem pena em regime fechado. Em Minas Gerais, 14 meninas e 16 mulheres estão em cadeias masculinas. No Amazonas, presas ocupam cadeias mistas onde os presos ficam com as chaves. Em São Paulo, uma prisão que deveria receber 20 detentas tem mais de 90.”
Fonte: Boletim Eletrônico da Dep. Maria do Rosário.