terça-feira, 11 de março de 2008

A Páscoa e nossos pecados

As vezes fico imaginando o futuro e as pesquisas que farão sobre o nosso tempo daqui a 100/200 anos.

-”Olha só o que descobri: reuniam-se em um prédio de concreto, arredondado, alguns cobertos, e bem no centro tinha um gramado onde alguns corriam de lá para cá atrás de uma circunferência de couro”;

-”Observem estas imagens: parecem veículos de transporte, andam no chão e numa velocidade muito lenta (160 km/h)”.

Muitas coisas interessantes e profundamente inéditas poderão ser estudadas. Tem os cemitérios, os postos de gasolina, a dança do créu, as praias, mas como ainda não existe o teletransporte, ou a viagem através do tempo (será que não existe mesmo?) não consigo ir até o futuro e fico só na imaginação, continuando a escrever sobre o passado e o presente.

Dia 23 de março será o Domingo de Páscoa, precedido do sábado de aleluia, da sexta-feira santa, enfim da semana santa.

Na minha infância/adolescência estes dias santificados eram muito mais considerados datas religiosas do que hoje em dia em que a maioria do povo aproveita o “feriadão” e nem sabe o real significado da Páscoa.

Morando no interior do interior, numa época em que o consumismo não era tão desenfreado e que fabricávamos nossos próprios brinquedos com sucatas, a sexta-feira santa era sagrada. Não se podia falar alto, subir nas árvores frutíferas para degustar os frutos, correr ou jogar bola nos potreiros (campo cercado onde se prendia o gado). A molecada jasia prostrada aos quatro cantos da casa ou da área que englobava a propriedade.

Tudo era pecado. Nem tudo, ou, nem para todos tudo era pecado.

Os pais do Milton, meu amigo de infância, tinham uma enorme propriedade agrícola e de pecuária, onde todos os dias ordenhavam as vacas e as soltavam no potreiro, mas nas sextas-feiras santas deixavam o gado confinado nas estrebarias (local onde o gado ficava de noite ou quando chovia e era alimentado) e liberavam o campo, onde, imediatamente, colocávamos as golerias já fabricadas, demarcávamos o gramado e após a escolha dos times, em média 15 para cada lado, jogávamos, jogávamos e jogávamos.

As vezes nem almoçávamos, as vezes o jogo iniciava após o almoço, as vezes já estava escuro, anoitecendo, e continuávamos a jogar.

Por alguns anos nos encontrávamos na casa do Milton, nas sextas-feiras santas e nossos pais nem sabiam que era para jogar futebol (qualquer movimento mais brusco era proibido)

Era uma época de restrições mas também de procura de alternativas e quando encontrávamos alguém com uma visão mais liberal dos fatos, como os pais do Milton, em quem podíamos nos apoiar, chegávamos a conclusão que muitas coisas ainda, e sempre, poderiam ser alteradas e que nem todos os pecados são tão pecados assim

Categorias: Pessoal
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5 Comentários

11 de março de 2008

eu sou um pecador.


11 de março de 2008
Paulo R. Diesel

Peça perdão meu filho, peça perdão…


12 de março de 2008

Pecado não existe! O que existe é tentativa de aprisionar o desejo, o que nunca poderá ser feito plenamente.

E hoje? Hoje Páscoa é só CHO-CO-LA-TE!!! Bommmmmm!!!

Mas, sinto falta dos momentos reflexivos sobre a Paixão de Cristo. Sinto mesmo! As pessoas faziam uma catarse sobre um muita coisa e reviam conceitos, pelo menos por um dia que fosse.

Beijos, moço.


14 de março de 2008
loba

pecado, como qq outro conceito, é relativo. prefiro acreditar que pecado seja a quebra dos valores morais e éticos.
minhas lembranças infantis da sexta da paixão são muito interessantes. tudo era triste neste dia. como se a natureza se entristecesse. muito mais tarde descobri a força dos dogmas e o qto eles podem interferir no sentir da gente.
seja como for. é gostoso lembrar da infância, né?
beijo.


14 de março de 2008

Oi Paulo.
Eu não sou cristã, então não entendo nada de Páscoa. Celebro os solstícios e equinócios e os ovos da Páscoa celebram a fertilidade na primavera – a Deusa tornando possível a vida e isso representa a alegria. É tudo que sei da páscoa.
Abraços meus


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