quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

A morte do sr. Apólito

A história é trágica, mas como toda história trágica, esta também tem o seu lado cômico.

Na cidade tinham duas funerárias, pelo menos eram duas as mais famosas e de maior concorrência e uma delas era a de maior movimento.

Todos os dias, se não eram dois, pelo menos um velório/enterro acontecia. Caixão, velas, castiçais, flores, coroas de flores, pessoas chorando, conversando, tristes, familiares sentados em fila a espera dos pêsames e dois bancos grandes em frente a funerária impedindo o ir e vir dos pedestres na calçada. A polícia organizando o trânsito em frente, na avenida. O sr. Apólito, proprietário da funerária, sempre ali, prestando o seu bom serviço, água gelada, mais uma cadeira aqui, um ombro para chorar acolá… É ele quem preparava os mortos, punha-lhes o terno e o sapato “de morrer”, acomodava-os dentro do caixão, fazia o comunicado da morte através das emissoras de rádio, pregava nos postes da cidade o “aviso de falecimento”… Encerrado o velório colocava, auxiliado por seu filho Marcus, o caixão em sua Caravan preta e dirigia pacientemente até os cemitérios para o enterro.

caravan preta

E eis que, naquele dia fatídigo, o movimento foi todo transferido para a funerária de nº 2 e a do sr. Apólito permaneceu fechada, sem velas, sem flores, sem nada.

Vi num aviso preso ao poste:   Comunicamos o falecimento do sr. Apólito… Está explicado. O dono da funerária morreu, vítima de um efizema pulmonar e os filhos o velaram na concorrência, exigindo todos os serviços a que tinham direito e que por anos e anos o seu pai querido prestara.

Não tinha muita gente no velório, o sr. Apólito era homem de poucos amigos, mesmo porque poucos queriam ser amigos do homem da funerária.

Pelas conversas no velório, os filhos não seguirão o ofício do pai e a funerária já está a venda ou o prédio será alugado para alguma loja de departamentos…

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3 Comentários

11 de dezembro de 2009

Eu juro que não entendi porque velaram o pai na concorrente, mas tudo bem. Grande abraço


12 de dezembro de 2009

Também não entendi…


13 de dezembro de 2009

Ao meu ver, ele foi velado no concorrente pq ele próprio, ajudado pelo filho, realizava todo o trabalho. O filho estava em um momento de dor, precisava ser amparado e não tinha condições de trabalhar.

Certo?


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