A mão esquerda

porKeeperCookie

A mão esquerda

A porta dos fundos daquela casa sombria, com seus pinheiros orientais plantados em fila e enclausurados pelas fortes grades pintadas de preto e cujas setas de ferro apontam silenciosamente para o céu, batia,  movido pelo vento forte que soprava.

Um odor funesto penetrava nas narinas de quem aventurava-se a adentrar pela porta a vasculhar e a matar a curiosidade.

A casa estava com as luzes, todas, ligadas e mariposas bailavam ao redor da lâmpada na cozinha. Estava quente e a banheira transbordava água por conta de uma torneira não fechada, no banheiro. Um disco arranhado tocava na vitrola e repetia sempre o mesmo verso e som.

Na sala o odor aumentava e a suspeita de corpos estirados, no piso frio, aumentava.

Na frente da TV de 29′ cujo tubo de imagem estava quebrado e em meio aos cacos de vidro, uma caixa contendo lâminas com uma gota de sangue em cada, jazia e era dali que o odor partia, da coleção de lâminas com os sangue dos assassinados, cuja caixa foi jogada para fora de mais um episódio do Dexter.

Vermelho como sangue. Era sangue. Era muito sangue para pouca ladeira.

Misteriosamente.

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