Arquivo mensal setembro 2011

porKeeperCookie

A chuva e seus efeitos sobre o nosso corpo e nossa alma

O rádio ligado no AM emite o som característico de descargas elétricas vindas dos relâmpagos e trovões que a distância já se anunciam.            O som aumentando, raios cruzando o céu e deixando um rastro branco de ramificações tipo raízes de árvores estrondosas. Os trovões produzidos pelos raios se acotovelam e tentar rasgar o céu em pedaços de tanto barulho que fazem. Chove.

Gosto de ouvir os primeiros pingos da chuva batendo nas folhas das árvores, nas flores e nos paralelepípedos que descem a rua, tranquilamentes,  na contramão. Meu gato deitado nas britas do pátio da casa, parecendo um faquir em sua cama de pregos, corre fugindo dos pingos que insistem em molhar seus pelos macios. A chuva engrossa e já molha as pessoas que a esperavam e no entanto, agora, correm em todas as direções. O céu está escuro, chove e chove e chove. Observo a chuva e ela vai batendo no telhado das casas e vai deslizando pelas calhas até chegar nas sarjetas e acabar-se nas margens do arroio da cidade.

Gosto de ouvir os primeiros pingos da chuva e os segundos e os terceiros e todos os que caem e lavam minha alma. Gosto de perceber que a chuva transforma o ambiente, as pessoas e o estado de espírito.

O gato está de volta, roça sua cabeça em minhas pernas e se deita esticado na calçada, os raios não mais percebo e o som dos trovões se ouve bem ao longe parecendo o som de um carro que desce a colina a procura de uma garagem já encontrada.

Não chove mais. Já baixou a temperatura. Vou recolher-me a minha insignificância diante desta natureza que me encanta cada vez mais.