Artigos de janeiro de 2010
Como conseguir um bom marido
Teve uma época em que, se o homem tinha alguma dúvida ou se ele se esquivava demais da pressão da mulher e da família da mulher em relação ao casamento e não estava muito a fim de se tornar um marido, vinha a “nona” ou a avó aconselhando: -Faz um bom jantar, capricha no prato principal que ao fim dele, o pedido de casamento será feito. A estatística registra que de cada dez tentativas, dez se concretizavam. E hajam padres e hajam igrejas e hajam salões para tanta festa.
Passando o tempo, com o advento do feminismo e da luta pela igualdade entre homens e mulheres, esta estratégia foi deixada de lado, talvez alguém ainda a use, mas não tenho notícia de resultados mesmo porque a maioria das mulheres jovens de hoje não sabem nem fritar um ovo.
Nos dias de hoje acontece o contrário. Tem muito homem que, querendo impressionar ou fazer um agrado para alguma mulher, entra na cozinha e prepara com maestria um bom prato para a esposa, namorada, amiga e fica só esperando os elogios (não é a toa que os melhores chef’s dos restaurantes, mundo afora, são homens).
Nunca escondi que gosto de preparar alguns pratos, tanto que as receitas que publicamos aqui são todas devidamente testadas e as vezes também gosto de impressionar, fazer um agrado e com pratos simples o que, geralmente, dá certo.
Molho de miúdos de frango
- 400 g miúdos de frango (moelas e fígados)
- 6 tomates
- 1 cebola
- temperos
Picar os miúdos no tamanho desejado, fritar primeiro as moelas e depois juntar os fígados. Acrescentar a cebola e os tomates e os temperos, fritar, cozer até que o molho estiver pronto.
Pode ser servido com arroz branco, purê de batatas, batatas cozidas, massas caseiras…
Eu servi uma boa massa, acompanhada do molho e uma saladinha básica.
Experimentem e descobrirão, como eu descobri, que além de ser um molho muito bom é também um eficaz afrodisíaco.
Bom apetite!!!
A psicologia entre pais e filhos
Todo pai e toda mãe tem que usar muito de psicologia para administrar os filhos, dar exemplos, compreendê-los, encaminhá-los. Nestas minhas andanças já vi muita coisa sendo usada e tem uma que o meu cunhado sempre usava e outra que nós criamos lá em casa, que tinha e tem um efeito sobre os nossos filhos e que repassamos a nossos amigos que usaram na educação dos filhos deles.
-Bagunça generalizada e o Cristiano tentando por ordem na casa, filho pequeno, amiguinhos, correria, pulos na piscina, bola pra cá e pra lá, mais correria, a água da piscina invadindo o espaço da churrasqueira, crianças, pulando na água, água voando sobre as mesas, bolas, crianças, água e ninguém ouvindo os apelos carinhosos do churrasqueiro na tentativa de amenizar os efeitos negativos das brincadeiras que já estavam extrapolando o bom senso, até que do alto da sua experiência de pai-psicólogo ele pega seu filho pela mão, arrasta-o para um canto, abaixa-se e explica falando baixo, explica falando normal e por fim explica GRITANDO já que era só desta maneira que o garoto entenderia. E entendeu. Depois deste episódio, sempre que necessário, dizíamos : Queres que eu explique como o tio Cristiano explica? Claro que não precisava pois a lição ficou na memória de todos.
-Almoço servido, purê de batatas, molho de frango, salada e nossa filha de três anos não querendo comer. Tentativas da mãe, tentativas do pai e nada da criança comer, mais tentativas, mais conversas e nada. A criança chora e reclama e chora e não quer comer. O pai e a mãe já irritados e sem mais idéias para convencer a filha, até que na última hora o pai-psicólogo entra em ação, pega o prato, divide ao meio o purê que tem nele e diz: Dividi tua comida ao meio, primeiro tu comes esta metade e depois tu comes a outra metade. Pronto. Criança feliz, mãe feliz, pai feliz. A guria comeu tudo e mais uma máxima na psicologia foi criada.
Estudos são feitos, livros são escritos, mas a experiência que os pais adquirem com os próprios filhos não tem preço.
Entenderam? Não? Última chance: Primeiro leiam a metade de cima, depois a outra metade ou vão querer que o tio Cristiano EXPLIQUE…
Horror
Passou caminhando,
lerdamente ,
naquela tarde gris de julho.
Ficou apenas
o perfume – horroroso
do charuto que mordia e mascava entre
os dentes da boca suja.
Mordido pelo lerdo,
Julho caminhava com o perfume gris
dos dentes no charuto.
Ficando apenas
a boca suja que mascava na tarde.
Horrorosa .
Em busca de paciência e inspiração
Confesso que os assuntos do cotidiano estão acabando com minha inspiração e paciência.
As águas de março estão caindo todas em janeiro e os rios aumentaram os seus leitos invadindo as avenidas, casas, lojas, que antes invadiram com seus aterros as margens dos rios. É a vingança.
O trânsito matando cada vez mais. A tá, sei, o trânsito levando as culpas da negligência dos motoristas que correm em demasia pelas ruas, movidos pelo combustível nos tanques dos carros e pelo combustível (álcool, drogas) que afeta os poucos neurônios que ainda possuem (nesta madrugada um carro bateu com tanta força num poste que partiu ao meio , aqui em Porto Alegre/RS, imaginem a velocidade que vinha).
Em Brasília 19 horas, não. Estamos precisando de galhos de arruda nas portas das nossas casa já que o governador e seus acessores e seus deputados não precisam desta proteção.
Homens do exército e suprimentos e ajuda são enviados ao Haiti, mesmo sabendo que quem manda lá é os EUA, porque os problemas (fome, moradia, saúde, emprego…)no Brasil já estão todos solucionados.
Não sei.
Tenho a sensação que o mundo está por um fio (acho que ando falando muito com cartomantes), que podemos amanhecer mortos por um terremoto, por uma bomba, por enchentes, por uma gerra que não é a nossa, por um crime passional, por uma bala perdida, ou amanhecer num paraíso, onde só existiriam novelas, filmes em reprise, BBB’s, “Fazendas”, horários políticos gratuítos, programas de TV’s dando casas a todos e redes sociais dando espaço de 140 caracteres para não escreverem nada.
Parece que a escolha será bem difícil, mas é na loucura, nas paixões, no misticismo, no rock, nos poetas mortos e nem tanto, nas minhas memórias, nas palavras esquecidas nas entrelinhas dos discursos não escritos e não divulgados, nos pequenos sentimentos, na química, nos animais e na natureza que se transforma para aceitar-nos, que preciso me inspirar.
Dai-me paciência!!!! E inspiração



Colcha de calças de jeans usadas
Aplaudo sempre as grandes idéias, mas quando a Marlene veio com esta, confesso que fiquei meio cético: Fazer uma colcha para cama de casal com calças jeans usadas, ao meu ver, seria impossível. Para ela não.
Arquitetou, pesquisou, desenhou, lubrificou a máquina de costura, abriu o bau, procurou no fundo das gavetas e dos roupeiros, cortou o cós, as partes rasgadas e o que não dava para utilizar, alinhavou, costurou e … fez a colcha.
Surgiram calças e mais calças e mais calças de anos e anos de uso, calças minhas, calças dela, calças dos filhos, calças bem lavadas, surradas, calças quase novas, calças usadas e usadas e usadas como aquela da Camila que já estava se desintegrando e ela insistia em usar, calças como aquela minha que rasgou toda naquele dia em que precisei fugir dos quero-queros me me perseguiam com rasantes e seu ferrão a mostra e ao pular a cerca fiquei preso no arame farpado, calças com o aquela em que…Â Â são tantas histórias envolvidas que um texto só não basta.
Não sei de onde ela consegui tanto jeans, porque muita roupa que não usamos mais doamos a quem delas possa, ainda, tirar proveito, mas enfim a colcha ficou pronta conforme a fotografia abaixo demonstra e o meu ceticismo deu lugar a alegria de ver uma colcha nova sobre a nossa cama.
Até o Fredy gostou da idéia e como disse lá no início, grandes idéias, muitos aplausos.