Artigos de setembro de 2009
O que nos resta
Acordo e
a necessidade
lateja.
A cabeça,
ainda,
inconsciente.
O dia inquieto
provoca reações
impensadas
O sol, o vento, as nuvens
se manifestam.
O silêncio
me abandona e
os sons do tudo
me embriagam.
Falta-me ar
e resta-nos o céu
e as estrelas.
20 de setembro – Revolução Farroupilha
Vem ano, vai ano e minha indignação aumenta.
Já me manifestei aqui e depois de um bom tempo, percebo que pouca coisa mudou e se mudou foi para pior. O comércio tomou conta da data, tem gente que, com sotaque de outro estado, declara sua loja “gaúcha”, tem emissoras de rádio e televisão que durante o ano todo defendem a globalização a qualquer custo e nesta época assumem um papel bem regional a troco de melhor audiência.
Até o papa João Paulo em sua visita ao estado (em l980) foi declarado gaúcho
(“Ucho, ucho, ucho o papa é gaúcho”), dá prá aceitar, dá prá entender, mas escutar até a Volkswagem (carro do povo) fazendo publicidade com sotaque bem gaudério é dose.
Ainda bem que depois das comemorações as coisas voltam ao seu lugar e os verdadeiros gaúchos sobreviverão. Será?
Produzir com inspiração, cada um tem a sua maneira.
Não sou blogueiro/escritor/poeta de rascunhos.
Quando escrevo vou do começo ao fim. Sem parar. Por vezes reviso, mas quando o artigo ou poema está pronto, está pronto e ponto final. Não altero, não complemento, não incluo versos no meio, não modifico o sentido das frases para não comprometer o texto. É o sentimento do momento que procuro expressar e transmitir.
As vezes falta inspiração, passo dias sem produzir nada e jogo ideias de um lado ao outro dentro do cérebro. Ideias que se chocam e se partem e se combinam parecendo reações químicas de um, dois, três elementos formando novos.
As vezes produzo um texto normalmente como o que estou escrevendo agora, as vezes vejo-me envolto em uma nuvem de letras e palavras e ideias que se justapõe e vão formando textos distintos. Já me vi escrevendo, ao mesmo tempo, um texto e dois poemas com temas bem diferentes mas que conclui um após o outro.
Já me queixei a alguém que estava sem inspiração para escrever sobre dado assunto e com a sugestão deste, no meio da conversação, arquitetei o texto ou o poema e o finalizei até o fim do diálogo.
Tenho textos e poemas guardados para, quem sabe um dia, publicá-los, mas gosto mesmo de lançá-los na virtualidade do meu blog, mesmo porque existem pesquisas que indicam que estamos lendo cada vez menos livros e não sabemos o porque. Se os livros em geral estão em baixa o que dizer dos específicos, como por exemplo os livros de poesias de que trata a Lunna neste artigo em suas Teorias Impossíveis.
Eu já me contentaria em saber “quantos livros ou poesias você leu em toda a sua vida…” já que saber quantos livros de poesias você comprou é praticamente impossível, se bem que a quantidade de poesias lidas deve superar de longe a quantidade de livros de poesias comprados.
É o que eu penso.
Receita de Massa Caseira
Morando aqui na cidade de Teutônia, estado do Rio grande do Sul, neste pais chamado Brasil, não tenho a mínima idéia de quantas pessoas neste mundão afora conhecem um cavalo, sabem que o leite vem das vacas, ou cabras, ou búfalas, imaginam de onde vem as frutas ou que os ovos simplesmente aparecem naquelas caixas carimbadas com o nome da granja.
Na área rural da minha cidade ainda existem muitos agricultores que criam suas galinhas no pátio, soltas, sem grades, para que elas botem aqueles ovos com uma gema de cor amarela, mas tão amarela, que parece só se conseguir com ingessão de produtos químicos. Confiram a cor na fotografia que publico junto com a receita desta Massa Caseira que de quando em vez produzo aqui em casa e que, modéstia a parte, na opinião desinteressada dos familiares e amigos, é muito boa.
Massa Caseira
4 ovos
500 g farinha de trigo (mais ou menos)
água
Misturar os ingredientes em um recipiente até que se possa colocá-la sobre a mesa para terminar de misturar e amassar até se conseguir uma massa que não mais grude na mesa. Cortar em duas ou três partes e abrir a massa com o rolo (aquele rolo “amansa marido”), deixar secar por um tempo (tem que se ver o ponto certo) e cortar em pequenas tiras.

Depois é só cozinhar e saborear.
Claro que comprar um pacote de massas prontas no supermercado, ou na quitanda, ou na padaria é muito mais prático e menos trabalhoso, mas não é isso que queremos. Queremos ocupar-nos com afazeres distintos dos nossos afazeres costumeiros para desestressar e recarregar as nossas baterias.
É o que eu faço.


Troca de estações
O sol está escaldante, senegalês.
As caturritas comem todas as amoras da árvore que plantamos.
No Jardim Botânico as serpentes nos encaram, mas são os gansos e as tartarugas e os peixes e as flores e as árvores que fotografamos.


O sol novamente está a pino, mas logo virá o vento que trará a chuva e ainda proporcionará mais alguns dias de frio, mas a transição das estações se fará naturalmente.