Artigos de julho de 2009
Inverno gelado
Faz um bom tempo que não passávamos tanto frio, mas é um frio gostoso que aumenta o nosso convívio, que nos leva a valorizar mais o sol, que nos mostra que a tal camada de ozônio não está tão a perigo, por isto quero partilhar, através destas fotos do nosso arquivo pessoal, com muitos de vocês que não tem ideia do que é isto. Reparem que as lentes ficaram um pouco embaçadas, tudo por conta da geada.




Curso de leitura das entrelinhas.
Recebi, da minha amiga Andréia, este pequeno desabafo que, após autorização dela e algumas adaptações na história, compartilho com os leitores do blogue:
“Veja, Paulo, a quantas chega a desilusão humana, como em sã consciência podemos pensar que finalmente será uma noite diferente, que finalmente algo mudará, pois…
Pensei que esta seria uma noite diferente.
Os incensos já estavam acesos, as velas queimavam e iluminavam a sala, o corredor e o quarto. A música tocava suave, se espalhava pelo ar e embalava os movimentos. Chocolates, morangos, chantilly, vinho cabernet…
A tarde estava fria e aquela mensagem via celular me fez entender muita coisa. Aliás, faz tempo que teus recados não são tão claros, faz tempo que tento ler as entrelinhas e não consigo, faz tempo que leio as entrelinhas e nelas nada encontro.
Providenciei o que pedistes, fui ao super, passei na floricultura, comprei até aquela água mineral que tu gostas.
Parece que esta seria uma noite diferente.
São oito horas, volto ao celular e releio a mensagem, não quero esquecer de nenhum detalhe. O tempo passa e a primeira taça de vinho já se foi. Sento na poltrona, levanto, vou à janela, abro e fecho a porta, minha ansiedade aumenta.
Agora já são nove. Uma, duas velas se apagaram, a garrafa de vinho já está pela metade e relendo a mensagem já não percebo mais tanta clareza no que está escrito.
Será que esta não foi uma noite diferente? Alguns morangos se vão, a primeira barra de chocolate, já me sinto meio entorpecida pelo vinho e o ponteiro maior do relógio não para de ultrapassar o menor.
Já são onze horas e aquela que parecia ser uma noite diferente, realmente foi.
Recolhi as velas, apaguei o incenso, morangos, chocolates abandonei e do vinho só restou a garrafa reserva, a taça quebrei atirando-a contra a porta. Perdi a noite mas alguém, também, me perdeu.”
Dei um conselho a Andréia: matricule-se num “curso de leitura das entrelinhas“, pois, ou tentas compreender melhor o que está escrito ou te relacionas com pessoas com menos problemas de comunicação.”

O cortador de gramas não acabou o serviço
A pedra atirada pelas hélices da máquina em alta velocidade atinge a perna do cortador de gramas. A calça de moleton, comprida, esconde o sangue que jorra veia a fora. O sangue jorra. O gramado verde contrasta com as pedras que ocupam alguns espaços. Os pássaros sobrevoam e dão razantes em busca de sementes para polinização. As nuvens já se apresentam escondendo o sol que era forte e a tarde despede-se. O cortador de gramas está sentado num toco de árvore e segura a flanela sobre o orifício criado pela pedra para estancar o sangue. A solução fisiológica é usada para limpar, e uma pomada de sulfato de neomicina genérico para a cicatrização. Ainda sangra e a perna está um pouco inchada.
Amanhece e chove uma chuva fria que faz com que o cortador de gramas permaneça em repouso e processe inúmeras teorias sobre a probabilidade de se acertar uma pedra que está sobre o gramado e debaixo de uma máquina de cortar gramas, cuja hélice gira rapidamente em voltas de 360° e atinge em cheio a perna do cortador de gramas que já não sangra mais. As teorias se sucedem e a perna direita também dói pois é usada de apoio para a esquerda convalescente.
O cortador queria só e unicamente cortar gramas e ver o tapete verde e sentir o perfume das flores e ver o fruto das árvores e ouvir o cantar dos pássaros e observar o voar das borboletas e molhar os lábios na água da fonte cristalina que corre sem parar e foi, inadvertidamente, atingido pela pedra em sua perna esquerda que fez com que o sangue jorrasse à sombra das araucárias.
O serviço ficou inacabado…
Amigos, amigos, negócios à parte…
Hoje ando meio Zen – “zen paciência” como diz a Camila no seu Infinito Particular.
Neste dia do “AMIGO” minha paciência está no limite. São e-mails, mensagens no celular, ligações telefônicas, parabéns ao vivo e a cores… Não sabia que tinha tantos “amigos” e não vou ficar aqui exercitando minha hipocrisia retribuindo ou pensando que todos eles têm alguma afinidade comigo, no máximo uma afinidade comercial ou que são manifestações desinteressadas e motivadas pela convivência diária no trabalho, na escola, ou em qualquer outro local. Será que estou muito amargo e não consigo abrir este velho coração que bate e bate a procura e a espera de sentimentos reais e sinceros? Pode parecer estranho, mas como já vivi muitas experiências e continuo vivendo a cada dia, posso garantir que amizade mesmo é aquela que temos na infância, quando ainda crianças, nas nossas primeiras brincadeiras, nossos primeiros contatos na escola, nos nossos primeiros passos em que ainda graça em nós toda a inocência e desinteresse. Depois crescemos, assimilamos os conceitos e preconceitos da sociedade e nos portamos politicamente corretos.
Temos muitos colegas, muitos conhecidos e, até na virtualidade, nos identificamos com pessoas e textos e blogues que acompanhamos (obrigado Luma, Lunna, Letícia) , mas tudo se limita a isto e amizade sincera e sem interesse nenhum ainda não encontrei(excetuando filhos e esposa com os quais realmente podemos contar).
Uma coisa é certa, se tem-se necessidade de escolher um dia para homenagear aos amigos e fazer com que eles nós não nos esqueçamos que temos que cultivar a amizade, algo vai mal ou a amizade acabou ou tem algum interresse acima de todas estas coisas…
Ou então estou mesmo “zen paciência”…


Respostas
O sol penetra nas frestas da janela.
A porta cerrada,
trancada.
E eu?
Estava realmente preso,
enjaulado.
Enclausurado.
Por ser julgado sem ser réu
Por acatar ordens de quem não ordena
Por ser masoquista
Por tentar provar que o homem vive só,
Que as pessoas não precisam umas das outras,
que o povo morreu e
que ao ressuscitar verá que sempre esteve errado,
ainda tendo tempo para reformular
todas estas questões.