Artigos de junho de 2009

28 de junho de 2009

Morre o homem mas fica o mito

Eu não queria, mas como todos estão falando, escrevendo, colocando fotos, chorando, lamentando, discorrendo sobre sua caminhada como homem e como mito, também resolvi aderir. Gostei do texto do Jânio na sua habitual ironia e na forma diferente de escrever sobre os fatos e pensei em como poder ser original, diferente, homenagear sem ser repetitivo. Claro que é muito difícil escrever sobre um assunto que está sendo tão bem ou, bem demais, focado por toda mídia e por todos os blogueiros, então pus-me a pensar durante a nossa (minha e da esposa) caminhada neste domingo pela manhã em busca da vida mais saudável, quando deparei-me com nosso amigo Orlando Silva.

Sempre tive curiosidade em saber  porque o pai do “Lando” lhe deu este nome até que um dia, conversando com ele, descobri que o pai era fâ ardoroso do Orlando Silva e como consequência e já que tinham o mesmo sobrenome…

O Orlando cresceu, casou, e lá pelos anos 80 nasce o seu primeiro filho e, seguindo a tradição do pai, queria escolher-lhe um nome marcante, que se fosse mencionado na escola, no trabalho ou em qualquer lugar,  chamasse atenção.

Pensou, cogitou, conversou com a esposa, ponderou, até que concluiu a peregrinação em busca de um nome simples mas complexo, desconhecido mas famoso, inusitado, futurista, idealista.

Foi ao cartório e convenceu os escrivões, que não queriam registrar o filho com aquele nome, mas após um certo tempo conseguiu e hoje (como foi pela manhã quando nos encontramos em meio a caminhada) ele exibe com orgulho a Certidão de Nascimento do seu filho onde está escrito o seguinte nome:

Michael Jackson da Silva

Ainda bem que eu não aderi a esta forma de colocar nomes em filhos, pois correria o risco de chamá-los de Renato Russo Diesel, Engenheiros do Havaii Diesel, Pink Floyd Diesel e mais recentemente, Cachorro Grande Diesel… Horrível?

Foi com esta lembrança que resolvi homenagear este ídolo que mesmo após sua morte jamais será esquecido

27 de junho de 2009

A experiência não tem preço e só pode ser extirpada pela morte

Caminho na calçada em direção ao nada e passo novamente em frente àquela casa verde.

Pintada com tinta à óleo verde, as paredes de madeira e janelas com vidros transparentes. Caminho pela calçada e deparo-me com aquela casa, de nº 1738, onde na varanda sentado está a experiência, que noto nos cabelos brancos, nas rugas do rosto, nos óculos fundo de garrafa e por vezes na bengala que auxilia no andar de Seu Milton, que já se tornou meu amigo das tantas vezes em que nos encontramos, eu caminhando pela calçada e passando pela casa verde de nº 1738 e ele sentado na varanda em sua cadeira de palhas, contemplando o infinito e meditando sobre o passado que se lhe parece tão distante.

Outro dia, no outro lado da rua, passei em frente a Clínica de fisioterapia e o Seu Milton saia do prédio auxiliado pela esposa. Esposas geralmente são mais novas e tem menos experiência que os esposos que têm menos resistência. Ela andava e se preocupava com ele que se amparava na bengala para atravessar a rua em direção a cadeira de palhas que o esperava na varanda da casa verde de nº 1738.

Sexta-feira pela manhã a grade de metal, bem alta, pintada de preta com um portão para ser chaveado, estava sendo colocada por aquela empresa metalúrgica, a pedido da filha,  que nem lá morava, por que tentaram assaltar seu Milton e levar a sua experiência em vez de compartilhá-la, levar a TV 17 polegadas, preto e branco, levar o último salário da aposentadoria que sacaram no banco, levar o sapato preto, bico fino que Milton guardava na cômoda do quarto, lustroso e brilhante, para usar no derradeiro dia, só para comprar drogas e alguns segundos de prazer como me disse ele.

Queria ter conversado mais com ele, quem sabe ainda conversarei, pois hoje passei, novamente, caminhando pela calçada e notei o vazio da cadeira de palha que estava solitária na varanda da casa verde de nº 1738 e ao lado dela, em pé, a esposa, parada, como que me aguardando para dar a informação de que Seu Milton fora internado com pneumonia no Hospital Geral, mas que tudo estava bem e que amanhã ele estaria de volta à sua casa, à sua rotina, ao nosso diálogo quase que diário.

A noite, na volta, passei por ali imaginando como seriam vazias as minhas caminhadas sem o sorriso, o cumprimento, o aceno do Seu Milton e as nossas rápidas conversas onde cada palavra dita vinha recheada de sabedoria e simplicidade e experiência.

Amanhã passarei novamente em frente a casa verde, pintada com tinta à óleo, e cercada por uma grande grade preta para proteger os cabelos brancos e as rugas e os olhos fracos da experiência que não acaba e que nem mesmo o mais completo dos larápios consegue roubar.

A experiência não tem preço e só pode ser extirpada pela morte…

25 de junho de 2009

Projetar o futuro dá conforto, dá segurança, dá preguiça e dá sede

Será que vai chover? O frio será intenso? Sol de 40°?  Em que fase da lua estamos? Teremos neblina? Qual será  a velocidade do vento na tempestade que se aproxima? Granizo? Qual será a temperatura às 8 da manhã? Neve? Geada?

Perguntas que não querem calar na nossa busca ferrenha de saber antes o que vai acontecer depois amanhã.

Por vezes até que saber, por exemplo, as previsões do tempo pode evitar alguns transtornos, algumas mortes (no caso de furacões),  algumas perdas na agricultura, mas de que nos adianta saber o tempo de vida que ainda temos? De que adianta sabermos o fim do filme, da novela, se ainda não olhamos o início? De que adianta lermos o último capítulo do livro se os primeiros ainda nem foram escritos? De que adianta nos preocuparmos com a saideira se nem a 1ª brahma tomamos? brahma

Perguntas e respostas que não querem calar ainda mais que somos diariamente induzidos pelos jornais, pelas emissoras de  rádio e televisão, pelos sites especializados e pelas próprias pessoas que em seus diálogos não dispensam as projeções e as incursões sobre o futuro como fez o Altair, um velho amigo, que encontrei ontem no calçadão quando retornava do almoço para o trabalho:

- As 6:00h o despertador tocou, liguei o rádio e fiquei ouvindo antes de levantar, escutei mais um pouco, em seguida virei para o lado para continuar dormindo e então veio ela da cozinha, a esposa, fazendo igual a todos os dias, me perguntando se não ia levantar. Disse-lhe que estava garoando,  que choveria a manhã toda, como dissera o locutor do rádio e por isto não iria trabalhar hoje e fiquei deitado até a chuva passar…

Depois desta filosofia do Altair, que me ensinou a não ser tão estressado com as coisas do cotidiano, sempre em busca do cumprimento de metas, de satisfações materiais neste nosso mundo capitalista,  conclui que até certo ponto é bom para a alma saber o que vai acontecer num futuro bem próximo, e, após o expediente passei a preocupar-me com a saideira.

Não tem saideira sem a primeira…

23 de junho de 2009

O homem é um ser em extinção, os políticos não.

O homem é um ser em extinção.

O homem, alguns animais, algumas árvores, frutas, até a água já foi dito que um dia acabaria, mas tem uma raça que nunca se extinguirá:  a raça dos políticos corruptos. E que raça.

Desde que consigo somar, multiplicar, dividir (sou do tempo em que aprendíamos a tabuada na escola) acompanho estas discussões sobre os atos dos políticos,  vereadores, prefeitos, deputados, governadores, presidentes e senadoes. Eles, invariavelmente, trabalham, e muito, em benefício próprio ou dos seus comparsas, seus parentes e seus mais próximos cabos eleitorais. Não têm escrúpulos e se for preciso,  usam sua influência, fazem conchavos, encaminham e se esforçam para aprovar leis, camuflam e  saem ilesos a qualquer sindicância, CPI ou qualquer outro tipo de investigação.

Escândalos e mais escândalos, envolvendo esta espécie que nunca se extinguirá, ocorrem desde sempre, e, não tem partido, não tem cidade, não tem estado, nem câmara de vereadores, assembleia legislativa ou congresso nacional  que escape.

Já ouvimos muito falar em todo e qualquer tipo de falcatrua, desde porcentagens sobre comissões de comissões, até roubo escancarado, mas cá prá nos, secretamente, esta última modalidade que surgiu é realmente inusitada.

Atos secretos? Atos ingênuos? Atos que melhorariam a vida de alguns servidores, de parentes dos parentes dos senadores, dos amigos e cabos eleitorais de governadores.

Sinceramente, penso que estamos exagerando pois os senhores feudais só estão tentando repassar parte dos recursos que tem no orçamento e talvez se eles não assim o fizerem, os recursos acabarão se perdendo no ralo do senado.

O homem é um ser em extinção, mas antes que ele suma do mapa, rogo que se conscientize e num mutirão, num esforço maior, trabalhe contra este espetáculo que nos é oferecido diariamente. Já que não dá para eliminar os que estão hoje por aí,  (sabemos que serão sumariamente punidos todos os envolvidos, como por exemplo, o mordomo, o motorista a senhora da limpeza, a senhora do cafezinho, o servidor recem contratado e só) em atividade, que selecionemos e votemos com mais consciência nas próximas eleições.

Vai ser difícil.

22 de junho de 2009

Escravidão

A vida

enfim.

Acabou.

Os anos, as rugas,

os desgostos.

Escravos somos todos

Escravos

da  dor, do dia, da noite,

do amor.

O amor

enfim

acabou a noite

acabou o dia

acabou a dor…

Prá que rimar?

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