Artigos de maio de 2009
Morte passional.
O sangue ferve
e escorre
deixando rastros
fosforescentes
na escada.
O corpo
degrau a degrau
marca sua passagem.
No topo
o olho azul
e o sorriso sarcástico
denunciam a intenção.
A morte se mostra
olhos arregalados
cabelos em desalinho
pele rasgada e
os pensamentos
fugidios que encobrem
o crime.
Passional.
Fazer xixi no banho para economizar água? Eu não…
Já fazemos a nossa parte.
Economizamos energia elétrica, reaproveitamos a água da lavadora para molhar o gramado da casa, não jogamos sacos plásticos no lixão, separamos o lixo caseiro, reaproveitamos o lixo orgânico e o transformamos em adubo nas composteiras que construímos, economizamos água na hora de lavar louça, na hora de escovar os dentes, de tomar banho, a bóia da caixa de descarga do banheiro está dobrada para gastar só o suficiente para despachar os sólido e o líquidos, compramos bebidas, preferencialmente, em garrafas de vidro que possam ser reaproveitadas e fazemos uma série de ações que contribuem para deixar o meio ambiente por mais tempo como ele deveria estar, mas fazer xixi no chuveiro para economizar água, pensamos ser um exagero, parece ser coisa de quem quer aparecer ou de quem nunca teve a necessidade de lavar um box de banheiro ou frequentar o banheiro de uma casa onde este tipo de economia é praticada.
Fazer xixi no banho e depois gastar a água economizada lavando carros, calçadas e regando gramados e folhagens está fora dos meus planos Sr.Mário Mantovani, diretor da Fundação SOS Mata Atlântica. Espero que encontres soluções melhores.
Seja você mesmo, tenha as sua opiniões, apresente o contraditório e não seja mais uma “vaquinha de presépio”.
Vivemos na era dos opostos:
O feio e o bonito, o bem e o mal, o certo e o errado, o bom e o ruim, deus e o diabo, o homem e a mulher… Será que isto é coisa do século XXI ou será que sempre foi assim?
Tá e daí, o que é que tem se é um fato do presente do passado ou do futuro? Não tem nada, mas é que perante a sociedade se você não é bom – é ruim, se não é bonito – é feio, se não está com deus – está com o diabo, se…
Aprendi nas minhas aulas de química (saudades do professor Amilcar e do professor Krüger) que os opostos se atraem e geralmente nesta atração, tendo em vista as várias combinações possíveis, surge um terceiro elemento quimicamente equilibrado.
Porque não pode acontecer isto no nosso dia a dia? Porque não podemos buscar o equilíbrio em nossas ações?
Não deveríamos ser obrigados a seguir modelos esteriotipados, buscando satisfações pessoais que não são nossas e que se não alcançadas provocam frustrações tão grandes que levam até à depressão.
Eu sei que é difícil fugir dos padrões, pois se tentamos algo diferente, logo nos chamam de rebeldes, de marginais, de querermos ser mais realistas que o rei, mas passar a vida como “vaquinha de presépio” está fora das minhas aspirações e isto eu não recomendo a ninguém.
Libertem-se e assumam as suas posições.
*****Recomendo a leitura deste blog Coletânea Artesanal****
Não conseguimos nos livrar dos nossos pesadelos – o povo não merece os políticos que o governam
Quando e se eu acordar espero que este pesadelo já tenha terminado. Sim pois só pode ser pesadelo. Canso-me de escrever sobre as falcatruas que existem na área política, protesto e vejo colegas também escrevendo indignados, mas a roubalheira não acaba, a roubalheira continua.
Dói-me na alma o posicionamento destes donos do poder (será que eles não sabem que um dia acaba a mamata?) quando algo é descoberto. Dizem juram de pés juntos que não é verdade, que estão mentindo, que quem acusa não tem credibilidade, que o tempo é senhor da razão, mas quando o tempo passa, os conchavos não vingam e os fatos, os documentos e as provas falam por si só, eles se sentem perdidos, acuados.
Como pode uma senhora, paulista de nascimento, economista, que trabalhou por anos na maior empresa jornalística do Rio Grande do Sul (RBS), foi deputada, ministra do FHC e hoje está governadora gaúcha, pensar que um Caixa 2 deste tamanho e forma não seria descoberto? E claro que o principal acusador teve de morrer para que a Veja conseguisse as gravações e o depoimento da viúva, mas agora, para mim, está tudo esclarecido, ou quase.
Será que a governadora Yeda pensa que os gaúchos dormem de bombachas? Será que por muitos andarem pilchados, comemorarem a Revolução Farroupilha, cavalgarem, fazerem seus churrascos em fogo de chão e se reunirem nos CTG’s para cultivar e eternizar as tradições gaúchas, ela pensa que somos burros, alienados, sem noção? Espero que não.
Aguardemos os próximos atos desta peça que se desenrola lentamente, como convém. Impeachment como estão falando, só na última cena do último ato, se for necessário. Desejo que a atriz principal releia o roteiro e veja que o desempenho do seu papel está confuso e que na linha 22 da folha 5 está escrita a seguinte fala:
-”Gaúchos e gaúchas de todas as querências, Â Â eu renuncio…”
Desejar “merda” a eles só mesmo na estréia…
Comecei falando em pesadelo, torci para que logo acabasse, mas terminei o artigo falando em teatro e tenho a sensação de estar assistindo a um verdadeiro circo, onde o palhaço sou eu, onde o palhaço somos todos nós.


Observações de uma viagem.
Viajar despreocupadamente, sentado num banco do ônibus “Expresso Azul” para ir a Porto Alegre participar de uma reunião da empresa é algo que todos deveriam experimentar.
Passagem à mão, box 4, poltrona 18, fila para entrar e os costumeiros “fura-filas” a perturbar. O motorista conferindo os bilhetes, rasgando um pedaço do papel para sinalizar que tinha passado por ele e jogando no chão. Mas o que é isto “Cara pálida”? Perguntei e disse para que não fizesse, mas ele, rindo, disse que a senhora da limpeza precisava de serviço. Ah tá!! Sujar, emporcalhar (termo da moda) para que os outros tenham o que fazer?
Um pouco antes uma senhora de quase 60 embarcou um senhor de quase 65 tendo que apresentar a identidade e todos os papéis necessários para comprovar a “melhor idade”. O idoso quase que não viaja entrou, poltrona 16, vi no bilhete, e, foi para o fundo do ônibus, entrei, sentei na 18 e ele retornou falando que não encontrava, foi até na frente. Levantei-me e indiquei o lugar. Ninguém ajuda. Até idoso tem que se virar sozinho. Fiz minha boa ação do dia.
Algumas poltronas ficaram vagas.
O ônibus partiu. No início silêncio, aos poucos conversas, celulares tocando, businas externas, barulho de sacos de salgadinhos ou balas sendo desembaladas e as pessoas falando como se estivessem em casa ou numa cabine telefônica. Sei, por exemplo, que a Joana ainda está no hospital e que não é prá pintar a porta da garagem pois o Luís, sim, o LUÍS QUER ESCOLHER OUTRA COR.
Ao meu lado sentou-se um rapaz que ouvia uma música no celular em volume altíssimo. Até agora algumas notas estão impregnadas na minha mente. O ônibus voa, (será que não se usa mais tacógrafo?) mas é inútil, o congestionamento o faz ser lerdo.
Os perfumes se misturam no ar. Odores discretos, mas uns tão fortes e desproporcionais que chegam a causar náuseas. Acima do banco nº 5, preso ao teto, um televisor 14 polegadas apontando e acertando a cabeça do passageiro que levantou para ir ao toalete. Parecia que o rapaz desmaiaria. O aviso eletrônico, em letras vermelhas que corriam sem parar, indicando o horário, a temperatura externa de 23° , “WC water closet ocupado” e “Por favor utilize o cinto de segurança”.
Levantei-me para esticar(?) as pernas, pois o trajeto é de 120 Km e ouvi uma senhora, um pouco acima do peso, reclamando do corredor e bancos pequenos. Não reclame minha senhora, pense em emagrecer…
O bebê ainda chora e a mãe o embala para dormir.
O ônibus anda, pára e anda. O ar condicionado melhora a temperatura interna e o ronco de alguns perturbando aos outros. A viagem acaba. O ônibus estaciona e um por um desembarcam rumo aos seus destinos, às suas histórias e às suas verdades.
Minha reunião começa às 13:30h.