Artigos de abril de 2009
A páscoa do passado, do presente e do futuro
Queremos ovos de chocolates grandes, enormes, recheados com bombons , recheados com a capa do Batmann, com glos labial, com bracelete que muda de cor, com um mini Max Steel, com um microfone da Hannah Montana… Nós crianças/adolescentes estamos cada vez mais exigentes ou a indústria chocolateira(Garoto, Nestlé, Lakta…) cada vez mais criativa?
Opinem.
Lembro-me de quando ainda se acreditava em “coelinho da páscoa”, em que os pais nos ensinavam as crenças bíblicas, em que procurávamos nossos ninhos de páscoa nos potreiros, nas roças ou nos pátios das casas na área rural em que morávamos.
Contentávamos-nos em procurar, cansávamos-nos, disputávamos os ninhos, brigávamos por eles e quando os encontrávamos, continham casquinhas de ovos de galinha pintadas com papel crepon, recheados com amendoins torrados e açucarados, continham pé-de-moleque (uma espécie de rapadura) e até alguns ovinhos de chocolate (no máximo 15 g), tinha coelinhos de pão de mel e todas aquelas coisas que poucos conhecem ou se lembram.
Lembro-me, agora já um pouco mais urbano, de quando morávamos na “Rua Seca, nº 265″ (esta rua ainda vai gerar um post) e o pai trabalhava no armazém de “secos e molhados” do Curtume (também gerará post) e lá tinha umas caixas pequenas de madeira que continham aqueles tabletes de 125g de goiabada ou marmelada, enroladas em plásticos direto da indústria. Depois que as goiabadas eram vendidas, usávamos as caixas para fazer os ninhos de páscoa. Enfeitávamos com papel colorido colado ao redor das caixinhas e dentro delas colocávamos papel picado.
O pai era forte e persistente, pois a família era grande e seis caixinhas eram por ele (está bem, ajudávamos) enfeitadas e colocadas, sábado de aleluia, sobre o sofá da sala, sobre a mesa de centro, na mesa da cozinha, a espera das gulozeimas da páscoa, que logo cedinho, na manhã do domingo de páscoa, corríamos a ver.
Sem exigências de recheios especiais, sem exigência de enormes ovos e de marcas famosas, continuávamos ganhando aquelas casquinhas pintadas e recheadas com amendoim, barrinhas de chocolate “preto e branco”, balas de goma, aquele velho e bom chocolate “Bastom de leite” que, na lembrança, faz-me salivar. As vezes vinham acompanhados de um par de meias, ou uma camiseta, ou, até, um calção, dependendo da necessidade.
Era muito diferente. Era muito modesto, mas era o que os pais conseguiam nos dar na época e sem contestações (será que viviam no meio de uma crise financeira mundial?) e nós nos contentávamos. Ficávamos muito felizes e satisfeitos.
Outro dia assisti a volta de uma mãe à loja para trocar um ovo que comprara para presentear o filho e cujo recheio não agradou. A loja trocou o ovo na ânsia de agradar ao cliente, mas cá para nós, isto é mesmo necessário?
Falo do passado para pensar, no presente, sobre o futuro e projeto ovos recheados de insatisfações, de frustrações, de expectativas não realizadas. Recheados de confusões e de inversão de valores.
Ou melhoramos a educação dos nossos filhos (começando pela nossa) usando uma psicologia mais atuante e não tão protecionista, ou até a magia destas ocasiões se perderá no tempo.
Se é que já não se perdeu…
De quem é a culpa quando as evidências são muito evidentes?
Não. O culpado não foi o mordomo,
mas todas as evidências indicavam que a culpa era dele:
- O vídeo gravado com a câmera que estava estrategicamente instalada no alto da escada;
- As impressões digitais encontradas no cabo do punhal;
- O desaparecimento dele logo após o crime.
Mas nesta história pretendo não culpar o mordomo!
Porque não poderia ser o carteiro que entregou aquele pacote que ainda não tinha sido aberto? Porque não a irmã que um dia antes tentou sacar o dinheiro e o cheque estava sem fundos? Porque não o padre Antônio que tinha conhecimento de toda a sua vida, via confessionário, e foi o primeiro a chegar à casa? Porque não o jardineiro que ainda está lá fora regando as rosas vermelhas? Porque não o sócio que estava sendo enganado por ele em algumas transações financeiras? Porque não a esposa que descobriu a segunda amante através de uma conta do cabeleireiro (uma amante todas suportam, mas duas…) Porque não o filho que descobriu ser adotivo a poucos meses? Porque não o pai que não suportava mais tantos agiotas a sua caça? Porque não o irmão que foi humilhado na festa de aniversário da mãe e que saiu cabisbaixo e nunca mais apareceu? Porque não a secretária que naquele dia levou aquela pasta verde que estava deitada no chão, ao lado do corpo? Porque não o deputado Fagundes que sempre lhe visitava e que na semana passada foi flagrado pela empregada revirando as gavetas da escrivaninha em busca do DVD com as gravações daquela festa? Porque não o motorista que sempre o levava àquele edificio alto e o aguardava no carro por horas, fazendo palavras cruzadas sem nada questionar?
Definitivamente, não foi o mordomo.
E as evidências?
Elementar meu caro leitor.
Apesar do rosto desfigurado pelas estocadas do punhal, apesar de o punhal estar deitado ao lado do corpo com as impressões digitais do mordomo. apesar de se ver o mordomo em luta corporal com o Sr. Henrique no vídeo gravado pela câmera que estava estrategicamente colocada no alto da escada, afirmo que o culpado não é o mordomo, pois o corpo que jaz ali, estendido no tapete ensanguentado da sala é dele, é do mordomo.
O mordomo é que foi assassinado!!!!
Mas se não foi o mordomo, quem foi que assassinou o empresário que não foi mais visto depois que o corpo foi encontrado na sala e que agora concluímos ser do mordomo?
Elementar, novamente, meu caro leitor:
O grande empresário Sr. Henrique Vilanova Dalaporta forjou seu assassinato. Na pasta verde tinha a cópia de um recibo de passagens aéreas para o México em seu nome e o de Sandra Rosa dos Santos, a secretária, no valor do saque efetuado no banco e que deixou o cheque da irmã a descoberto. O pacote que o carteiro deixou continha a Apólice de Seguros cujo favorecido era o padre Antônio, aquele que foi o primeiro a chegar à casa.
Já estou pensando que era melhor culpar o mordomo, pois o padre Antônio foi encontrado morto na sacristia de sua igreja, sem a batina. As passagens aéreas foram usadas. A secretária viajou acompanhada do sócio de Henrique. O homem que vestia a batina passou na casa para recuperar o pacote com a apólice que foi enviado indevidamente até lá.
Mas quem será este homem que veste a batina e tenta recuperar a apólice?
Seria o sr Henrique que forjou a sua própria morte para receber o dinheiro do seguro e liquidar todas as suas dívidas? Seria o irmão que estaria se vingando de todas as humilhações? Ou seria o deputado Fagundes que ainda não encontrou o DVD comprometedor?
Elementar, meu caro leitor.
É o mordomo.
Matou seu irmão gêmeo, desfigurando-o e atirando-o escada abaixo. Descobriu o DVD do deputado chantageando-o. Obrigou-o a exigir todo dinheiro “público” que emprestou a Henrique e a contratação de um seguro de vida beneficiando ao padre Antônio. Matou o padre Antônio e roubou-lhe os documentos, falsificando-os para receber o seguro. Era amante da esposa do Henrique, sua cúmplice.
Realmente. Não dá para ajudar ou torcer pelo mordomo, nem quando o crime é quase perfeito. Quase.
Cadeia para ele e sua cúmplice.
O sr. Henrique? Foi visto perambulando pelas ruas da cidade, barbudo, maltrapilho, com uma garrafa enrolada em uma folha de jornal debaixo do braço e que coincidentemente, trazia a notícia de um avião São Paulo/México que caiu no mar, matando todos os seus passageiros e tripulantes.
Parece que não sobrou nada…
Somente pétalas de rosas vermelhas caindo do alto do edifício em que as palavras cruzadas feitas por um motorista despreocupado se complementam umas as outras.
Sem culpas ou acusações.


Não se pode despresar um mero aviso colado numa folha A4
Parecia ser mais um daqueles rotineiros dias de trabalho:Â Â papéis, e-mail’s, carimbos, ligações telefônicas, atendimentos no balcão, cafezinhos, sorrisos (naturais e forçados), celular, conversas. Parecia.
A manhã passara num piscar de olhos e Cristina voltara do refeitório da empresa à sua sala envolta em pensamentos abstratos e aleatórios, como que a descansar a mente para o próximo turno. O celular toca e Cristina deixa a pasta, que carregava, cair . A pasta se abre e alguns papéis espalham-se ao chão e um a um são recolhidos e guardados.
O conteúdo daquela folha A4 ainda queima em suas mãos. Não eram palavras rabiscadas a mão, a caneta, eram letras recortadas de jornais e revistas coladas na folha e formando o aviso que o remetente lhe endereçara:
Enquanto relia o aviso lembrou-se do celular e percebeu que a ligação já caira. Poderia chamar o segurança da empresa. Poderia falar ao Carlos, seu colega. Poderia pedir ajuda ao chefe, mas não, nada disso Cristina fez.
O que queria dizer aquele bilhete? Não tinha combinado nada com ninguém. Não imaginava do que se tratava.
A tarde, contrariamente à manhã, arrastava-se lerdamente até o fim do expediente que se encerrava as 17:00h. De hora em hora Cristina olhava ao relógio e contava os minutos que faltavam, que não passavam.
A ansiedade aumentava e ela não mais conseguia esconder , disfarçar, sua curiosidade. De repente o medo tomou conta dos seus sentimentos e todos os pensamentos a levavam a tragédias, a mortes, a sequestros, a crimes, que a apavoravam.
-O escritório já está vazio. Não vais para casa hoje?
A senhora da limpeza interrompeu-a e devolveu-lhe os sinais da vida. Eram 17:20h e Cristina, de bolsa e com a pasta em punho, dirigiu-se ao estacionamento onde estavam somente o seu carro e o de mais três colegas. O barulho do salto batendo no piso ecoava pelo ambiente afora e uma luz muito fraca iluminava o vão.
Cristina andava e olhava ao redor a procura de alguém ou de algo que pudesse denunciar a presença de alguém.
–o–Â Â –o–Â Â Â Â Â –o–Â Â Â Â Â –o–
PS:Â A parte final deste pequeno conto já está pronta
mas se alguém quiser completá-lo nos comentários
será aqui publicado.