Artigos de abril de 2009
Tempero base
Há um bom tempo em que tempo tínhamos e os nossos interesses maiores eram outros, acompanhávamos mais de perto programas de culinária televisivos, livros sobre culinária, receitas disto, daquilo e deste outro prato.
Claro que os pratos nem sempre ficavam como a culinarista ensinava e, também, já escrevi e quase todos sabem que cozinhar é isto, partir de ingredientes, copiar uma ou outra idéia já existente e inventar, acrescentar, incrementar, dar o seu toque.
Baseado nisto e copiando uma receita básica de um destes livros antigos de uma culinarista que até o nome já esqueci que transcrevo, hoje, a nossa receita básica.
TEMPERO BASE
500 g de cebolas
1/2 xic óleo de soja
1/2 xic vinagre
2 col sopa de sal
pimenta do reino moída.
Tudo muito fácil.
Picar as cebolas, por no liquidificador, adicionar o óleo, o vinagre, o sal e a pimenta (a gosto) e liquidificar. Guardar em vidro fechado no refrigerador.
Quando precisarem de cebolas nos pratos, principalmente carnes, usem uma, duas, três colheres do tempero base, fritem e acrescentem depois o tomate para fazer o molho.
É ótimo também para acrescentar nas sopas,carnes moídas e nos hamburgueres (temos uma receita de hamburguer que passarei num próximo artigo).
Bom apetite
Há vácuo na estrada
A estrada
estreita
diminui minha caminhada
As pedras, os galhos,
os obstáculos
diminuem minha caminhada.
Passo a passo
tento,
procuro e
me perco.
Há um vácuo
entre o caminho e a
caminhada.
Há um vácuo
entre o ir
e o ter ficado.
Madrugadas
As madrugadas já não são mais as mesmas.
Vasculho de bar em bar, de fotografia em fotografia e não encontro o que procuro.
As ruas desertas estão envoltas numa escuridão inconfundível. Caminho em direção ao nada e nas calçadas ainda encontro um ou outro passante a curtir a solidão dos boêmios.
Madrugadas paralelepípedadas, recebem seus últimos veículos que zarpam em alta velocidade.
Rapazes vorazes observam suas presas e atacam sem sucesso. As presas, por sua vez, dissimuladadas, jogam as suas últimas cartadas na esperança de vencer o jogo. Na saída da festa um casal perambula rua abaixo em busca da paz, sorrindo, falando alto, gesticulando, abraçando-se, beijando-se.
Continuo a minha procura, mas a madrugada me maltrata e esconde no limbo dos muros a verdadeira sensação do meu vazio.
Uma última porta aberta se oferece suplicando pela minha entrada. Reluto mas entro e despenco sobre a cadeira vazia que jaz, sozinha, na mesa lateral. Servem-me uma bebida qualquer que sorvo gole a gole. O garçon caminha de lado a lado a oferecer seus serviços. O barman já não mistura seus drinks tão circensemente. Um músico, no tablado, tocando e cantando B.B.King para uma platéia incrédula. Uma moça sentada em outra mesa, observando tudo e nada, que acontece ao redor, não entende, não procura entender, se surpreende.
Levanto e disparo em direção a saída.
A madrugada ainda está ali, envolvida em suas idiossincrasias e forçada a aceitar os bordões que lhe são impostas por todos que a destratam.
As madrugadas já não são mais as mesmas e de tanto vasculhar já não encontro mais nada. Nem os bêbados, nem as prostitutas, nem as cantoras, nem os boêmios que se foram em busca de algo melhor.
Aos poucos desisto.
Rendo-me.
A madrugada finda. Eu me entrego ao sono que renova minhas energias.
Não foi a primeira, não será a última.
Este pequeno conto foi publicado originalmente no blog Coletânea Artesanal em agosto /2008 e em breve, conforme nos diz a Lunna, sairá a próxima edição com o tema OUTONO, prestigiem.
Não se pode despresar um mero aviso colocado numa folha A4 – parte final
Cumprimentou os colegas e percebeu que seu carro fora arrombado. João, Carlos e Janice já estavam sentados dentro do carro e foram chamados por ela:
-Socorro!!!!
Os colegas prontamente a ajudaram e a segurança da empresa foi acionada.
Cristina estava calma, apesar dos prejuísos materiais, não conseguia parar de pensar no bilhete e na grande espectativa que criara em torno dele.
Olhava e via os seguranças e os colegas falando e gesticulando, mas não conseguia concentrar-se neles nem nas providências que se faziam necessárias.
O bilhete!!!! Já passa das 17:30h. Onde estará o autor do aviso? Porque será que o fato não se consumou? Será que foi um de seus colegas? O João que outro dia até lhe convidou para um jantar, a Janice que ultimamente elogiava em demasia suas roupas, suas unhas, seus cabelos e até o trabalho que executava, o Carlos, não, o Carlos está a pouco tempo na empresa.
Os pensamentos de Cristina implodiram e se desmancharam e sumiram dos balões das histórias em quadrinho. Desapareceram.
O carro já estava apto a circular visto que o segurança chamara o chaveiro para consertar as fechaduras e se certificara que ela poderia dar a partida no carro, apesar do vidro traseiro quebrado que seria trocado mais tarde. Os colegas, a pouco, se despediram e nada mais restava, dar a partida no carro e seguir sua vida rumo… ops!!
-Que bilhete é este? pensou Cristina. Mais um?
No banco do caroneiro encontrou um papel, no mesmo estilo daquele que caira da sua pasta quando a sua pasta caira no momento em que o celular tocara e que Cristina não atendera:
- Fechadura da porta do Golf…………………….R$Â 158,00
- Vidro traseiro……………………………………..R$Â Â 237,00
- Saber quem escreveu o bilhete e porque não apareceu às 17:30h conforme anunciara…..
NÃO TEM PREÇO.


Nossa paciência não se acaba ou nos acostumamos com a dor
O fim do mundo está próximo, será que sobreviveremos?
Sobrevivemos ao dilúvio, à Sodoma e Gomorra, à hipocrisia dos políticos. Sobrevivemos às Cruzadas, ao fogo de Nero em Roma, à Cleópatra, à hipocrisia dos políticos. Sobrevivemos às arenas da Grécia antiga, aos gladiadores, à Pilatos, que lavou as mãos, à Hitler, ao holocausto, ao muro de Berlim. Sobrevivemos à derrota da seleção brasileira de futebol em 1950 no Maracanã, à guerra do Vietnã, às ditaduras, às democracias maquiadas, às guerras civis nas Américas, na Europa e Ásia. Sobrevivemos aos Clinton’s, aos Nixon’s, aos Bush’s, ao Papa Doc, à Getúlio, à Geisel, à Golbery, à Médici, à Collor, à hipocrisia dos políticos. Sobrevivemos às grandes mídias, suas revistas, seus jornais, suas televisões e à toda sua linha editorial viciada.
Sobrevivemos às enchentes, aos furacões, às tempestades, aos vulcões em erupção. Sobrevivemos à frebe amarela que insiste em retornar, à gripe asiática, à gripe aviária, ao ebola, ao câncer, à meningite, à Aids, ao buraco na camada de ozônio. Sobrevivemos à queda das torres gêmeas, à hipocrisia dos políticos, à queda das bolsas, à crise financeira internacional e à falência de empresas centenárias.
Anuncia-se o fim do mundo, mas será que sobreviveremos a esta nova epidemia que se instala em nossas cidades com cara de pandemia como alertam as autoridades da OMS. Será que conseguirão controlar esta gripe suína, cujo vírus se agigantou por estes rincões a fora e cuja origem foi o México?
Claro que sobreviveremos e em breve estaremos contando esta história, sem nos esquecer que as catástrofes são tantas e tanta desgraça acontece neste mundo que não temos necessidade de dedicarmos-nos, com tanto afínco, ao uso exagerado do álcool, e entregarmos-nos ao vício das drogas (o crac está nas ruas de todas as cidades) e dirigir cada vez com mais imprudência e excesso de velocidade pelas rodovias causando acidentes mortais.
A tudo sobreviveremos, até à hipocrisia dos políticos cuja última obra está estampada nos jornais, nas revistas nos blog’s e nos noticiários de televisão. Este é o pior vírus que nos assola dioturnamente, sem estudos para vacina, sem antídotos, sem cura, sem fim.
Passagens aéreas para parentes, para pai, para mãe, para namoradas e para não mais sei quem.
Será que sobreviveremos?
Claro que sobreviveremos e depois deste escândalo, virá outro e mais outro e mais outro e nem o mundo, nem os políticos hipócrritas, nem a corrupção, nem os corruptos, nem os corruptores, nem a mídia complacente, nem nada acabará.