Artigos de janeiro de 2009
As batidas de um coração
O coração bate.
De metáfora em metáfora, o coração bate. Às vezes compassadamente, às vezes aceleradamente.
O coração bate de felicidade, de tristesa, de desespero, de euforia. Fatos acontecem, situações se imaginam, doenças se manifestam. O coração bate como principal órgão do corpo humano. O coração bate e revela a ansiedade. O coração bate e surpreende os médicos que já assinavam o atestado de óbito. O coração bate e é retirado do peito do jovem que sofreu um acidente na estrada e doa o órgão.
O coração bate e renova as esperanças já perdidas.
O coração bate e bate e bate e leva e traz o sangue pelo corpo. O coração bate e tu o tens na palma da mão.
O coração bate e demonstra o amor que sente, o ódio que manifesta, a indiferença
que propõe. O coração bate e impede que te jogues da ponte estreita.
O coração bate e implora e suplica e exige e dá.
O coração bate em retirada e se esconde na presença ou na ausência, enclausurando-se na solidão.
O coração bate e bate e bate, enquanto tiver forças para bater…
As coisas simples e complicadas da nossa vida
As coisas simples da vida são boas de viver.
Uma xícara de café fumegante, o pão de queijo com a receita da vovó, o jogo de dominó caído no canto da sala ou o de xadrez sobre a mesa. O beija-flor sugando o néctar da flor da laranjeira, uma formiga carregando uma folha diversas vezes maior que ela ao formigueiro, o latir do cachorro e o cantar do galo na madrugada vazia. Os pulos do gato atrás da borboleta que voa e dá rasantes para provocá-lo. A música da Mônica Tomasi no cd que relembra boas histórias. O livro do Luiz Fernando Verissimo e o “Marlei & Eu” que ainda tenho de ler O jornal que traz notícias da Faixa de Gaza, da despedida do Bush e do sapato que o Lula finge jogar. A chuva de ontem, granizo, e os pingos mais suaves que hoje caem mas não amenizam o calor mormacento. A história dos “OVNI’s” que aterrizaram na cidade e que modificaram a personalidade das pessoas, nem em sonho. O sapato preto com um furo na sola que molha a meia branca. O choro e o sorriso da criança que é carregada pela mãe rua acima num carrinho de bebê. O barulho estridente da freada do carro que quase atropela a idosa que atravessava a rua na faixa de segurança. Os episódios do Grey’s Anatomy “baixados” prum dvd e que estamos olhando. Os planejamentos das férias que estão por vir, os tombos na vida e os escorregões na neve em outra parte do planeta.
A manhã, a tarde, a noite.
As coisas simples da vida são boas de viver.
A vida é simples de viver, nós é que a complicamos…
Cuidado com a síndrome do blogueiro compulsivo. Participe da ABCA
Estou doente. (dizem que admitir isto é um passo importante)
A droga é uma droga!
A Síndrome do Blogueiro compulsivo me pegou e o tratamento é necessário e urgente. Socorro! Já inscreví-me na ABCA (Associação dos blogueiros compulsivos anônimos) e espero curar-me. Não fui a nenhuma reunião ainda, mas posso garantir que hoje completo dois dias sem acessar nenhum blog, sem abrir meus e-mail’s, sem fazer comentários. Já estou deletando alguns blog’s que acompanho pelo Feed e vou simplificar.
Quando se percebe que “Jesus está chamando” é porque é hora de acordar e ver que algo está deteriorando. O que era para ser um prazer tornou-se um dever, uma obrigação e publicar artigos e poesias e fotos e documentários para compartilhar com o mundo virtual me escravizava, me cegava, me estressava e me levava a linkar outros blogs que me viciaram.
Todos os dis acordava e ia direto ao computador à procura daquela dose diária, acessava esse, aquele e mais este e que cujos inúmeros comentários me levavam a este, aquele e mais este e assim sucessivamente, ad infinitum. Era uma corrente enorme que se rompia somente pela necessidade de ir ao trabalho, que também já estava sendo prejudicado e se ligava nos intervalos ou logo mais à noite, após o expediente.
É claro que não vou assumir sozinho a culpa, pois os blog’s também a tem. Produzir bons artigos e links para outros blog’s com bons artigos me viciaram e se fosse consultar um advogado, amigo meus, ele diria:Â PROCESSA, mas não vou chegar a este extremo.
Procuro a cura e vou encontrá-la. Não aceito receitas milagrosas, não precisam mandar, pois já escolhi o meu caminho. Chega de abraços e beijos virtuais. Chega de msn com quem nem conheço. Chega!!!
Dos comentários quero distância, não vou comentar mais, pois até ali o vício se manifesta e a exigência de um ou outro blogueiro dizendo que a quantidade ou a qualidade de comentários em um blog é melhor ou pior, ou mais assíduo que em outro, me repugna. Socorro!
Já nem me alimentava mais direito, perdia peso em função disso, ou ganhava peso pelos salgadinhos e bolachinhas que consumia a exaustão.
Os amigos pessoais já nem me convidavam mais. Restaurantes, pizzarias, festas não frequentava mais. E a família, então, não brincava mais com o meu gato cão, não fazíamos mais aquelas rodas de chimarrão, aqueles churrascos dominicais, não tínhamos mais diálogos.
Estou em busca da cura e espero encontrá-la, libertando-me e voltando a usar o meu blog e não deixando que ele nem a “blogosfera” me usem.
Esta síndrome é um mal e todos deveriam fazer um check-up.
O velório e enterro errados.
Ao lado do caixão, chorando, soluçando, com cara de poucos amigos, muita tristeza e consternação, estava ela, sentada com seu vestido preto transpassado, uma sandália de salto alto e uma bolsa grande que poder-se-ia guardar até um notebook. “É a moda, dizia, é a moda”.
Chegava mais gente e o velório seguia o seu ritmo. Muitos parentes, amigos, vizinhos, conhecidos, nem tão conhecidos e até os profissionais de velórios e enterros. Coroas de flores com dizeres indicativos de quem as manda, buquês de flores, flores em vasinhos, flores naturais, flores de plástico.
Ao redor do caixão, pequenas lâmpadas acesas imitando velas. A tampa do caixão parada ao lado, encostada à parede, na espera de sua vez. O corpo no caixão vestindo um terno impecável, coberto por um véu branco e o rosto maquiado como que a esconder os anos que se passaram.
As pessoas enfileiradas, passavam a mão no rosto, murmuravam algumas palavras ao morto como que a espera de alguma resposta e em seguida desejando pêsames a esposa, aos dois filhos e àquela mulher de vestido preto que mais chorava. O luto era geral. As horas passavam e a pequena sala estava repleta. No vão, logo a frente, onde podia-se respirar melhor, velhos amigos se reencontravam e colocavam as fofocas em dia. Entravam na sala, faziam o ritual da visita e dos pêsames, assinavam o livro de presenças, dirigiam-se ao lado e continuavam colocando as fofocas em dia.
A mulher do vestido preto chorava e chamava a atenção. Poucos a conheciam e nas rodinhas já se faziam apostas:
- Irmã bastarda;
- Ex-esposa;
- Amante;
- Amiga
- …
O velório seguia e o pastor já chegando para encomendar o corpo. Ninguém se dispunha a falar com a loira do vestido preto, pele morena que chorava, copiosamente, ao lado do caixão de Pedro que morrera em circustâncias tão trágicas. O pastor falava sobre o sócio de sua igreja e recitava alguns versículos das cartas de Paulo aos Hebreus. A bíblia na mão esquerda e a direita fazendo gestos e desenhando a cruz no ar.
A última despedida dos familiares mais próximos, a tampa sendo colocada, murmúrios, orações, conversas paralelas e a loira ao lado da esposa e dos filhos de Pedro, seguindo o caixão carregado pelos homens que seguravam as alças com destino ao cemitério. Os amigos, os parentes, os vizinhos, os conhecidos acompanhando e chegando no local do enterro onde o buraco na terra já estava pronto. Mais algumas palavras do pastor, todos ao redor ouvindo, apesar do calor de 40ºC e o clima cada vez mais triste e melancólico.
…Pedro Eusébio dos Santos era um homem… falava o pastor e este nome acertou o coração da loira consternada, como uma flecha certeira dos indios americanos. Saiu de onde estava, sacou a caderneta com as anotações do pastor e todos ficaram atônitos e admirados e leu em voz alta nome do morto: Pedro Eusébio dos Santos. O pastor, discretamente, acenou com a cabeça que sim e a mulher loira de vestido preto e saldálias de salto alto, largou um grito de surpresa, espanto e ao mesmo tempo alegria. “Não era o Pedro que pensei que fosse”. Deu um salto ao alto como que a comemorar o milésimo gol do Pelé e correu em disparada ao portão de saída do cemitério. O pastor continuou e em pouco tempo, consumou o enterro, enquanto que os amigos, vizinhos e parentes se entreolhavam, agora mais tristes, porque, nas apostas, ninguém acertara a verdadeira identidade da mulher loira do vestido preto e bolsa grande que chorava e soluçava sem parar, mas que sorria e corria em direção a saída do cemitério em busca do verdadeiro velório, ou de quem deu a notícia falsa…
PS.:Â Hoje tem blog comemorando um ano de luta e quero deixar registrado aqui.
Parabéns Índia. Continue, continue…


Uma semana desligado de algumas mas muito ligado em outras possibilidades.
Uma semana desligado da tomada, desplugado. Sem ler jornal, sem ver TV, sem acessar a internet, sem atualizar o blog, sem responder comentários, sem ler e comentar em blog’s.
17 de janeiro de 2009. Aeroporto Salgado Filho/Porto Alegre-RS, avião da TAM, muito bem atendido ida e volta.
Fortaleza, Recife, Olinda, Beberibe
Praia da Boa Viagem, Porto de Galinhas, Praia do Cumbuco, Morro Branco, Praia das Fontes, Ilha de Itamaracá, agora contam com os nossos rastros.
Água de coco, esculturas, arte em frente aos edifícios, guias, ambulantes. Areias coloridas, águas transparentes onde os peixes se confundem com os nossos brancos pés, jangadas, bugues que voam sobre as dunas para mostrar as areias, as praias, esqui-bunda que volta e meia acabava em esqui-tombos. Hotéis. Pobreza muita pobreza, pedintes, pessoas dormindo na areia, nos bancos das praças, nas calçadas, riqueza (poucos mas muito ricos), edifícios com um apartamento por andar. Gente simples.
Cocadas, cachaça, licores, tapioca, carne-de-sol.
Sol. Muito sol, e vento, e água limpa e na temperatura ideal, algumas algas, arrecifes quebrando as ondas. Tubarões eu não vi.
Cana-de-açúcar, manga, coco, caju, fruta pão, jambo roxo.
Projeto Peixe-boi.
Carnaval, bonecos, frevo, forró, alamedas com casas históricas em Olinda.
Hotel quatro estrelas, quarto amplo, mordomias, café da manhã ao redor da piscina. Roda de chimarrão e longas conversas e prosas, para estranheza de outros hóspedes.
Caminhadas em boa companhia, banhos de sol, banhos de mar, caipirinha, cervejas, camarão, peixe agulha frito…
E assim passava-se o dia, que rapidamente terminava mas que após um sono bem dormido recomeçava. Era uma rotina cansativa. Sete dias, mordomias, praias belas, caminhadas, banhos…
Compras, lembranças para familiares e amigos.
O melhor lugar, a melhor praia que escolhemos para um dia voltar, é sem dúvida Porto de Galinhas, que deveria estar na lista de cidades a visitar por todos os turistas ou trabalhadores em férias.
Recife, Fortaleza, riqueza e pobreza cujos contrastes se conhece somente visitando.
Visitem.