Artigos de dezembro de 2008

30 de dezembro de 2008

Terremotos e paixões

Parecia um terremoto. Tudo balançava.tempestade

Não sei quantos pontos na Escala de Richter, mas o estrago foi grande. Correr, fugir, buscar abrigo. Nada que tentava conseguia. O terremoto, o tufão, o vendaval causou estragos irreparáveis.

Ideias, opiniões, pensamentos, estratégias, planejamentos, tudo, tudo afetado por movimentos sísmicos.

Foi mais que um terremoto. Foram palavras, foram sentimentos expostos nas entrelinhas de textos, de cartas, de poemas, de e-mail’s que penetravam no coração dela e que o amoleceram e a tornaram tão frágil ou forte assim.

Balançava…

E toda vez que percebia a brisa, o vento forte ou o furacão que se aproximava, sentia a tragédia na própria pele.

Era muita adrenalina.

Mas como todo furacão, este terremoto chegou, arrasou e derrubou o que de mais sólido existia.

“O que virá depois da tempestade?”  – Pensava.

Não achava respostas. Não queria respostas. Apreciava aquela situação. Sofria com os tombos, as quedas, as transformações, mas sempre disposta e na expectativa da próxima enxurrada.

Parecia um terremoto,

mas era uma simples paixão

28 de dezembro de 2008

Viver a vida como ela é.

Não entendi até hoje porque insistimos em viver a nossa vida em ciclos.

É mais um ano, 365 dias, 12 meses, primavera, verão, outono, inverno e as esperanças de todos se renovam.

Um emprego, um emprego melhor, um casamento, uma separação, uma conquista, dinheiro, mais dinheiro, muito mais dinheiro, recolher o lixo que produzimos, carro novo, casa, apartamento, viajar pelo Brasil, viajar aos Estados Unidos, viajar à Europa, novas amizades, novos amores, paz, saúde, sabedoria, muita sabedoria, paciência, comida, uma cama para deitar, um cobertor para fugir do frio, inteligência, tomar muita água, carisma, um “saco” maior para aturar os políticos, coragem para desligar as televisões, atrevimento, discernimento, uma coleção nova de sapatos, sair do cheque ouro, zerar a caderneta do Zé da padaria e do João da quitanda, amar mais, se entregar, ouvir os mais experientes e os mais jovens que tem muito a ensinar, questionar, não concordar com tudo e com todos, fazer dieta, emagrecer, prosseguir, criar novas amizades, planejar.

Tantas e tantas esperanças e objetivos que podem ser alcançados, dia após dia, sem promessas mirabolantes, sem comprometimentos desnecessários, sem estabelecimento de metas inalcançáveis, sem esperar o encerramentos de ciclos.

Paz, saúde, trabalho…

Ciclos!!!!!

Sabe de uma coisa?

Não entendi até hoje,

quem sabe um dia entenderei.

27 de dezembro de 2008

Insatisfações

Na escuridão

das trevas

conduzo minhas insatisfações

a procura da saída.

O breu

perpetua-se

e nas estradas inacabadas

me perco.

Voltar?

Não convém.

Ficar?

Não é do feitio.

Continuar

e aumentar a confusão?

A insatisfação?

Pra que?

Não vejo,

não sinto,

não ouço

os sons das estrelas

que caem e tentam,

fracamente,

iluminar o caminho.

As velhas armas

sosobraram.

O tédio

não tem

remédio.

25 de dezembro de 2008

Sapatos e mais sapatos

sapatinho-na-janela1A pouco “Colocávamos o sapatinho na janela do quintal, para ver se PAPAI NOEL deixava um presente de natal”, hoje a história é outra:

O papai noel não é mais o mesmo, sapatos na janela não colocamos mais pois, o sapato vira presente para outros e o nosso que deveria estar repleto de, se vai.

Já vi jogarem cadeiras,  já vi jogarem mesas,  já vi jogarem bombas,  já vi jogarem pedras atire a primeira pedra, já vi jogarem urina o que, nunca foram a um jogo em estádio cheio? Já vi até jogarem bosta na Geni (grande Chico Buarque) e agora a novidade SAPATOS.

sapatada-em-bushQue este seja o símbolo de uma conscientização para o ano de 2009 e que nos inspiremos jogando todos os sapatos possíveis nos corruptos, nos governos inescrupulosos que trocarem os pés pelas mãos, na imprensa que pouco ou quase nada faz em favor da verdade e em nós mesmos se não entendermos as verdadeiras mensagens que estão escondidas nas entrelinhas e nas metáforas do que lemos e vemos  por aí.

22 de dezembro de 2008

A magia do Natal que se perdeu por ai…

Este é o meu “pinheirinho”, é o nosso “pinheirinho de natal”.

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Ao redor dele sempre colocávamos os presentes, tradição milenar,  que foi cultivada pelos nossos pais a muito e que fomos adaptando a nossa família, a nossa realidade.

Lembro-me que na minha infância o ritual da árvore de natal se repetia a cada ano e parece que o Natal tinha uma magia que hoje não sinto mais, nem mesmo nas crianças.

As árvores da época eram naturais, era pinheiro alemão e uma espécie de araucária. Comprávamos de quem se disponha a vendê-los, pois não tinha uma plantação em série. Se fosse para fazer hoje, não concordaria, pois de machado em mãos, após uma seleta escolha de formato e tamanho, se cortava a árvore e, usando um carrinho de mão emprestado do vizinho, se levava-a para casa. Uma lata de tinta vazia, muitos cascalhos, água e lá estava a árvore de pé, no canto da sala, os últimos retoques, o caule firme, mais algumas pedras e um barbante amarrado à árvore e preso com um prego na parede de madeira pintada com cal. Sem esquecer o gelo e os comprimidos de melhoral ou aspirina ministrados quando a árvore murchava.

Os enfeites eram feitos pela mãe, a noite ou quando nenhum dos guris ou gurias estivesse em casa, encondido e os méritos iam para o Papai Noel. Algodão para representar a neve, correntes de prata ou ouro, bolas de todos os formatos e de um material quebrável cujo estoque diminuia ano após ano e alguns enfeites artesanais (não são como as bolas inquebráveis de hoje que atravessam o oceano, da China via Paraguai para o Brasil) velas coloridas que eram acesas nas noites de véspera, ante véspera, no natal e por mais algumas noites após.

Na noite do dia 24, após o culto que era assistido por toda família, reuniamos-nos em volta do pinheiro, velas acesas, luzes desligadas e cantávamos “Noite Feliz” e outras canções natalinas cuja letra acompanhávamos em dois livros, um em português e outro em alemão.

Ceia? Não, ceia não tinha. Presentes? Também não, apenas uma bermuda ou uma camiseta que era necessária para o verão que também já era quente e a justificativa do pais prometendo um presente melhor para o próximo Natal. Mal sabiam eles que aquele convívio, que aquelas cenas captadas pela nossa retina nunca mais saíram de nossas memórias, era o que nos emocionava e era isto que nos bastava.

Este é o nosso pinheirinho de natal e hoje ele é artificial, os enfeites são chineses, o papai noel é de gesso, os presentes melhoraram bastante e o amor, o convívio, o entendimento na família cresceu muito.

Já sabemos que o Papai Noel não existe, que o importante não são os presentes, que é uma data que marca o fim de um ano e início de outro e que nada se modificará antes ou depois.

Reuniremo-nos em volta da árvore, trocaremos presentes, ceiaremos e provavelmente choraremos a ausência da Camila que está aqui e passará um Natal diferente, no meio de tanta neve e cultivando a tradição de lá.

Viva Santa Claus!neve-em-massachusetts1

Viva Papai Noel!

Viva o natal.

Feliz Natal a todos.

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