Archive for outubro, 2008

outubro 21st, 2008

O verdadeiro motivo da queda da bolsa

Consultei meu “guru” e descobri porque as “bolsas” caíram. A história precisa ser analisada por diversos ângulos.

Uns diziam que a Bolsa estava muito inflada e não suportando mais a pressão interna explodiu, estourou;

Alguns falavam que a Bolsa carregava nas costas, ou dentro dela, as dívidas assumidas e de tanto “rolar”, refinanciar, já não era mais possível pagá-las e conseqüentemente ela despencou;

Outros, mais sentimentais, juravam que os papéis que são transacionados na Bolsa são irreais, abstratos, sem valor e por isto ela se desintegrou;

Há os que dizem que, como tudo, estas Bolsas eram fabricadas na China, numa escala industrial/pirata que, pela quantidade, não atendeu a qualidade necessária e por isto elas sofreram danos irreparáveis em todos os países da Europa, Ásia e América;

Tem os que tentam provar, por “A mais B”, que a bolsa caiu porque não aguentou o peso de uma bomba para derrubar porta e balas perdidamente achadas que liquidaram com a vida de uma jovem  refém de um ex-namorado, no ABC paulista, que deveria ter levado um tiro da nossa tropa de elite no primeiro ou segundo dia de sequestro.

Meu guru riu, sorriu. Meu guru gargalhou, quando lhe disseram que a bolsa despencou porque os deuses do futebol estão abrindo todos os caminhos para que o Grêmio se torne campeão Brasileiro em 2008, suspendendo, inclusive arbitrariamente alguns atletas que não jogam nada para não atrapalharem e o Grêmio faz tudo para não vencer.

Lógico que ele não acreditou, pois me garantiu que a Bolsa estourou, a bolsa despencou, a bolsa sofreu danos irreparáveis, a bolsa caiu,  porque, ao pendurarem-na, não observaram que o prego estava mal batido pelo martelo do carpinteiro do universo e que o peso das laranjas que tinha dentro da bolsa fez com que o prego se soltasse e a bolsa se espatifasse ao chão fazendo com que  as costuras se abríssem e todas as laranjas rolassem, rolassem e se perdessem.

Agora só falta afirmarem que as exportações de laranjas ou sucos do Brasil para os EUA vão aumentar e que a Balança Comercial penderá para o nosso lado e que a Bovespa, em virtude disto, se recuperará.

Eu não acredito. Nem o meu guru.

outubro 17th, 2008

O vinho e seu efeito

A taça rola

e o resto do vinho

tinge a toalha branca sobre a mesa.

O pensamento voa

e é barrado

pela distância,

pela névoa espessa e

pela ausência virtual.

A realidade é uma pedra

que permanece no meio do caminho

diminuindo a esperança.

Observo o infinito,

o destino

e tua imagem

delineada

sob o efeito

do vinho.

Solidão

Pensamentos

Imagens

É o que  resta.

outubro 16th, 2008

Ainda em homenagem aos professores

Lembro-me de todos os professores que tive, está bem, de quase todos, tá bom, tá bom, lembro-me de alguns professores que tive em minha vida de estudante.

A primeira, Dona Iara, na pré-escola, meiga, dócil, paciente para aturar os capetas de 3 a 5 anos. Em seguida a Dona Maria, no lº e 2º anos do primário. Esta me ensinou o “be a bá”, rigorosa, exigente, quase um general, por trás daqueles óculos e o olhar sizudo, vestindo um guarda-pó branco cujos bolsos sempre tinham pedaços de giz usado nas losas nos quadros e que jogava em nós no meio a uma travessura ou uma lição bem aprendida.  Outro dia a vi pela rua nos seus quase 80 anos e lembrei-me daquela vez em que o Osmar, um colega da 5ª série, ameaçou a sua professora com uma gilete e ela, a Dona Maria, interveio prontamente, desarmando o rapaz e dando-lhe uma surra com uma “vara de marmelo” inesquecível para nós e para ele.(Naquela época usavam outra psicologia com os revoltados)

Ah e tinha a Dona Vanda, uma loira longelínea que usava um guarda-pó curtíssimo e que despertou em todos os guris a libido dos pré adolescentes. Nunca cairam tantos lápis e borracha ao chão para, ajuntando-os, observar tudo o que se conseguia por baixo da mesa em que a professora Vanda estava sentada.

Lembro do professor Chico, de Educação Física que nos cativou tanto que levantávamos as 5:30h da manhã, três vezes por semana, para correr voltas no gramado da escola, fazer exercícios para mantermos a nossa forma e jogarmos aquela pelada (futebol) básica.

E teve a Iva, de inglês, o professor Pavi que ensinou-me o português e o gosto pelas redações, o professor Raul, de biologia, que em sala de aula foi o primeiro a usar palavras como merda, puta, foda, TESÂO, para diferenciar de tesinho nas aulas de genética (Tt).

Saudade do “Amilcar”, professor de química que em sua tentativa de manter-nos acordados, pois já trabalhávamos de dia e estudávamos à noite, não entendia porque antes das aulas tomávamos café em vez de uma taça de vinho para prestarmos mais atenção e entendermos melhor a matéria.

Será que lembro de mais alguém? Talvez, mas tem muitos que prefiro esquecer, principalmente aqueles da faculdade em cujas aulas íamos e o desinteresse era total:

- Leiam esta página do livro tal. Façam o trabalho sobre o capítulo tal, a prova será sobre o livro tal, capítulo tal e assim por diante. Aprender algo na sala de aula, nem pensar.

Lembro, ainda, e mais recentemente, dos professores dos meus filhos e da minha própria filha que tornou-se professora, lecionou por algum tempo e preferiu seguir outra carreira, por conta da atual “psicologia” que é usada nas escolas. Hoje quem manda são os alunos e todo e qualquer gesto mais forte ou diferente por parte dos professores é interpretada a luz da lei ou do Conselho Tutelar.

Neste 15 de utubro, dia do professor, se me fosse oportunizada uma escolha entre abraçar a profissão de professor ou de gari escolheria sem dúvia a de gari, apesar de saber que sem os professores não há solução para o mundo, sem o estudo, sem o ensino, o mundo acabará bem antes do que possa prever Nostradamus, sem desgraças, sem tsunamis, sem guerras, mas com a ignorância tomando conta de tudo e de todos.

outubro 14th, 2008

Quando a relação é boa não importam as palavras usadas

Finalmente desvenciliei-me dos meus pudores e resolvi publicar um post erótico que fala sobre erotismo, relações entre um sujeito/substantivo masculino e um artigo definido, feminino, singular, conforme poderão verificar nesta redação abaixo, feita por uma aluna do Curso de letras da Universidade Federal de Pernambuco, que venceu um concurso interno promovido pelo professor da cadeira de Gramática Portuguesa, e que, gentilmente, foi-me enviada via e-mail por uma amiga.

Redação:

Era a terceira vez que aquele substantivo e aquele artigo se encontravam no elevador. Um substantivo masculino, com um aspecto plural, com alguns anos bem vividos pelas preposições da vida. E o artigo era bem definido, feminino, singular: era ainda novinha, mas com um maravilhoso predicado nominal.

Era ingênua, silábica, um pouco átona, até ao contrário dele: um sujeito oculto, com todos os vícios de linguagem, fanáticos por leituras e filmes ortográficos. O substantivo gostou dessa situação: os dois sozinhos, num lugar sem ninguém ver e ouvir. E sem perder essa oportunidade, começou a se insinuar, a perguntar, a conversar.

O artigo feminino deixou as reticências de lado, e permitiu esse pequeno índice. De repente, o elevador pára, só com os dois lá dentro: ótimo, pensou o substantivo, mais um bom motivo para provocar alguns sinônimos. Pouco tempo depois, já estavam bem entre parênteses, quando o elevador recomeça a se movimentar: só que em vez de descer, sobe e pára justamente no andar do substantivo. Ele usou de toda a sua flexão verbal, e entrou com ela em seu aposto.

Ligou o fonema, e ficaram alguns instantes em silêncio, ouvindo uma fonética clássica, bem suave e gostosa. Prepararam uma sintaxe dupla para ele e um hiato com gelo para ela. Ficaram conversando, sentados num vocativo, quando ele começou outra vez a se insinuar.

Ela foi deixando, ele foi usando seu forte adjunto adverbial, e rapidamente chegaram a um imperativo, todos os vocábulos diziam que iriam terminar num transitivo direto.

Começaram a se aproximar, ela tremendo de vocabulário, e ele sentindo seu ditongo crescente: se abraçaram, numa pontuação tão minúscula, que nem um período simples passaria entre os dois. Estavam nessa ênclise quando ela confessou que ainda era vírgula; ele não perdeu o ritmo e sugeriu uma ou outra soletrada em seu apóstrofo. É claro que ela se deixou levar por essas palavras, estava totalmente oxítona às vontades dele, e foram para o comum de dois gêneros.

Ela totalmente voz passiva, ele voz ativa. Entre beijos, carícias, parônimos e substantivos, ele foi avançando cada vez mais: ficaram uns minutos nessa próclise, e ele, com todo o seu predicativo do objeto, ia tomando conta.

Estavam na posição de primeira e segunda pessoa do singular, ela era um perfeito agente da passiva, ele todo paroxítono, sentindo o pronome do seu grande travessão forçando aquele hífen ainda singular. Nisso a porta abriu repentinamente. Era o verbo auxiliar do edifício. Ele tinha percebido tudo, e entrou dando conjunções e adjetivos nos dois, que se encolheram gramaticalmente, cheios de preposições, locuções e exclamativas. Mas ao ver aquele corpo jovem, numa acentuação tônica, ou melhor, subtônica, o verbo auxiliar diminuiu seus advérbios e declarou o seu particípio na história.

Os dois se olharam, e viram que isso era melhor do que uma metáfora por todo o edifício. O verbo auxiliar se entusiasmou e mostrou o seu adjunto adnominal. Que loucura, minha gente. Aquilo não era nem comparativo: era um superlativo absoluto. Foi se aproximando dos dois, com aquela coisa maiúscula, com aquele predicativo do sujeito apontado para seus objetos. Foi chegando cada vez mais perto, comparando o ditongo do substantivo ao seu tritongo, propondo claramente uma mesóclise-a-trois. Só que as condições eram estas: enquanto abusava de um ditongo nasal, penetraria ao gerúndio do substantivo, e culminaria com um complemento verbal no artigo feminino.

O substantivo, vendo que poderia se transformar num artigo indefinido depois dessa, pensando em seu infinitivo, resolveu colocar um ponto final na história: agarrou o verbo auxiliar pelo seu conectivo, jogou-o pela janela e voltou ao seu trema, cada vez mais fiel à língua portuguesa, com o artigo feminino colocado em conjunção coordenativa conclusiva.

Para bons entendedores uma boa gramática basta.

outubro 12th, 2008

Já abraçaste alguém hoje?

O que é um abraço? Para que serve, qual o seu significado e com que assiduidade podemos abraçar? Abraçar é um direito ou um dever?

Tu já abraçaste alguém hoje?

Outro dia presenciei o seguinte diálogo entre alguém que estava de aniversário e alguém que o cumprimentava (Maria felicitava João):

- Parabéns, João, pelo teu aniversário.

- Obrigado Maria, mas dá me cá um abraço.

A Maria abraçou mas disse:

- Não estou acostumado a abraçar, não tenho a quem abraçar, na minha família não nos abraçamos e não cultivamos este tipo de cumprimento.

Prontamente candidatei-me a abraçá-la todos os dias. Hehehehe

Senti uma pobreza de espírito no ar. Lógico que Maria não abraçava ninguém porque não conhecia os benefícios que este ato trazia para quem abraça e para quem é abraçado, aquela troca de afeto, de energia que se sente. Por outro lado gostei da sinceridade com que ela falou sobre o assunto.

Tu já abraçaste alguém hoje?

Esta troca de energia me faz bem. Sempre abracei muito: a esposa, os filhos, os familiares, os amigos. Ainda ontem abracei minha irmã que não via a algum tempo e só de abraçar senti que aquela amizade, aquele amor, aquela cumplicidade permanecem intactos.

Abrace uma criança e sinta a energia descompromissada, desinteressada que ela transmite.

Agora, abraçar por abraçar também não leva a nada, pois a energia que deve ser trocada acaba se perdendo em meio a falsidade e a hipocrisia, como por exemplo nos rápidos diálogos que, por vezes, temos em meio a festas, no trabalho, reuniões ou até em caminhadas no parque, ao despedirmos-nos, não abraçamos, só falamos:

- Até outro dia, um beijo, um abraço.

Será esta a nova versão do abraço?

Um abraço falado ou fonado ou até mesmo um abraço virtual como tantos que recebemos e distribuímos via e-mail ou nos comentários em blog’s?

Se for um abraço sinsero e de troca de energias até aceito, mas do contrário…

E você já abraçou alguém hoje?

Abrace.

Abrace muito.

“Um abraço a todos” - sincero e com muita energia.

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