Artigos de outubro de 2008
Um selo para quem merece
Não precisava vir aqui o Criativo de Galochas para dizer que o Movido a Vapor é um blog recomendável, mas já que ele fez questão, aceitamos e repassamos:
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Poderia preencher as linhas deste artigo com pareceres sobre os blog’s indicados mas o selo por si só já os explica. Confiram
Ah e obrigado Marcus pela indicação.
Sinais da idade da pedra em pleno século XXI
Estamos em pleno século XXI e ainda existem coisas neste nosso Brasil afora que lembram a idade da pedra.
Sábado, terminado o expediente, festa em grande estilo da empresa. Jantar, sorteio de brindes, música boa, esposa ao lado, muita dança, chopp, confraternização com os colegas.
Até ai nada de anormal. Saímos de nossa cidade via BR 386Â em seguida RS 440 até, primeiramente, Triunfo e depois, São Jerônimo, onde realizou-se a festa. A questão é que as duas citadas cidades são cortadas pelo rio Jacui e, pasmem, não existe ponte sobre o qual os carros, caminhões, ônibus, motocicletas, charretes, carroças, animais e pessoas, possam atravessar. A prefeitura local (prefeito eleito= Chico da farmácia) fornece roupas de banho para as pessoas atravessarem a nado de uma margem a outra. kkkkkkkkk
Inimaginável. Como fazer? Usar a barca. Isto mesmo. Uma barca leva, quem quiser atravessar o rio de uma cidade a outra. São em torno de 30 veículos, dependendo do porte, que vão lado a lado, com o mínimo de segurança para eles, e aos motoristas e passagerios, ao valor mínimo de R$ 3,50.

O bom é que se chega perto do “porto” e, no aguardo da barca que está,invariavelmente, ainda, do outro lado quando se chega a este, pode-se ouvir música, ler o jornal, conversar, ler o livro “Se um viajante numa noite de inverno” de Italo Calvino, ou, no caso de minha esposa, “Anjos e demônios” de Dan Brown, durante os 45 minutos de espera e os 10 minutos da travessia.
Quando se chega ao outro lado, as vezes, a festa já começou, mas desta vez, apesar do “trânsito”, chegamos a tempo e gostamos muito, mas no regresso, após o pernoite no hotel, o martírio se repetiu.
Parece que exagerei.
Isto não é coisa da idade da pedra, mas sim são seqüelas do dilúvio, pois quando as águas baixaram e após Noé ter passado com sua arca, não houve tempo hábil para a (re)construção da ponte.
Ou isso ou já faz parte do enredo do novo filme do Spielberg onde abordará o “fim do mundo” ou como enriquecer sendo dono de uma barca e “comprando” as autoridades para não construirem ponte sobre um vão de mais ou menos um quilômetro de rio no Rio Grande do Sul/Brasil.
E o povo que se foda exploda.
Sorte nossa que isto tudo é só ficção…
Labirinto – Jorge Luis Borges
Labirinto
Não haverá nunca uma porta. Estás dentro
E o alcácer abarca o universo
E não tem nem anverso nem reverso
Nem externo muro nem secreto centro.
Não esperes que o rigor de teu caminho
Que teimosamente se bifurca em outro,
Que obstinadamente se bifurca em outro,
Tenha fim. É de ferro teu destino
Como teu juiz. Não aguardes a investida
Do touro que é um homem e cuja estranha
Forma plural dá horror à maranha
De interminável pedra entretecida.
Não existe. Nada esperes. Nem sequer
No negro crepúsculo a fera.

Transcrevi esta poesia do livro Elogio da sombra(Poemas) / Perfis(Um ensaio auto biográfico) do grande escritor/poeta, Jorge Luis Borges, argentino que viveu neste nosso mundo até 1986 e teve como suas principais influências Dante Alighieri e Franz Kafka. Abordou em sua obra temas como filosofia, metafísica, mitologia e teologia. Borges abordou, ainda, a cultura dos pampas argentinos, publicando contos como “O morto”, “O homem da esquina rosada” e “O sul”. Entre seus contos mais conhecidos e comentados estão “A biblioteca de babel”, “O jardim de Veredas que se bifurcam”. Por causa da progressiva cegueira que toma conta de Borges, ele dedica-se a poesias e produz obras notáveis como “A cifra”(1981), “Atlas”(1984) e “Os conjurados”(1984-sua última obra).
Escolhi esta poesia e este grande escritor para fazer parte desta nossa “blogagem coletiva”, porque foi nele que descobri que tinha, primeiramente, algum interesse pela leitura e, mais tarde, pelo escrever.

As eleições no Brasil e nos Estados Unidos
Arrasto-me em meio as turbulências televisivas do horário eleitoral obrigatório e fico feliz pela redução de gastos com a energia elétrica que isto me proporciona. Desligo o televisor e mergulho nas páginas de livros que me fazem viajar no tempo e no espaço. Não preciso do “horário brasileiro de verão” para economizar.
Primeiro, segundo turno, candidatos e mais candidatos desfilando na tela transparente das emissoras que adentram nossa sala e se apresentam como salvadores de uma pátria que não é a minha, não é a nossa.
Moradores de cidade do interior, somos obrigados a assistir um duelo entre dois prefeituráveis de uma cidade, a bela Porto Alegre/RS, que neste instante nada significa para nós. Já escolhemos os nossos vereadores, já escolhemos o nosso prefeito e continuamos na mira deste poderio da mídia que domina nossas cabeças e nos influencia rumo as eleições a governador, deputado, senador que só ocorrerão daqui a dois anos. Quem vencer as eleições, ou quem não vencer seguirá em frente, pois “a luta continua” e o voto do povo é soberano.
Sempre a mídia. Mas porque não? Porque ela dá uma cobertura extraordinária sobre as eleições nos EUA que ocorrerão daqui a 11 dias e não esclarece a população brasileira da forma como se a dá la pelos lados da América do Norte, a nação que é tão forte como uma ação de banco que faliu (PQP).


Quem decide se B. Obama ou J.Mc Cain presidirá nos próximos 4 anos esta potência (?) mundial está em dúvida. Os delegados dos estados (viram, não é o povo e sim os delegados eleitos pelo povo que escolhem o presidente) até já haviam se decidido, mas agora, com esta crise, esta falta de confiança no mercado, esta falência e quebradeira geral, o risco de recessão, repensarão os seus votos e analisarão se vão para um lado mais liberal ou se se aliarão ao conservadorismo puro que é mais de sua índole.
Eu penso que elegerão J.Mc.Cain e pode ser por dois a um.


A tristeza da felicidade que perseguimos
Esta frase incrível eu ouvia quase que diariamente, na minha infância, quando minha mãe ligava o rádio AM, naquelas emissoras confirmadas. Hoje a frase tomou conta da minha mente e quando percebo estou repetindo-a, ouvindo-a, lendo-a no ar, a minha frente, em palavras enfumaçadas como as expelidas pelos aviões à jato em exibições festivas.
Sentimentos tão antagônicos cantados em verso e prosa por um cantador gaúcho a demonstrar o estado de espírito de quem canta e/ou de quem ouve.
A tristeza é um sentimento que nos surpreende nas esquinas da vida e que nos envolve, por vezes, de tal maneira que parece que fomos atingidos por um quadro depressivo crônico.
Quando isto me ocorre, lembro-me da frase da canção e do que ela representava para mim quando a escutava, na infância distante, imaginando, então, tratar-se de substantivos que se auto substituiam.
Hoje percebo a profundidade do verso desta frase incrível e sinto uma admiração inexplicável pela canção e pelo seu cantor (já não lembro quem é), mas sinto que a felicidade está cada vez mais escondida na imbecilidade das pessoas que colocam para si metas inatingíveis, o que as deixam cada vez mais tristes e frustradas.