Artigos de setembro de 2008
A parábola dos dois remos
Gosto muito de falar em sonhos, existe muita gente que gosta de sonhos, mas muitos se queixam de não conseguirem alcançar os seus, por isto relato abaixo um texto que recebi por e-mail e que tenta ajudar neste dilema:
DOIS REMOS
Um viajante ia caminhando às margens de um grande rio. Seu objetivo era chegar à outra margem. Suspirou profundamente enquanto tentava fixar o olhar no horizonte. A voz de um homem de idade, um barqueiro, quebrou o silêncio, oferecendo-se para transportá-lo. O pequeno barco envelhecido era provido de dois remos de carvalho. Logo os seus olhos perceberam o que pareciam ser letras em cada remo. Ao colocar os pés dentro do barco o viajante observou que eram duas palavras. Num dos remos estava escrito Acreditar e no outro Agir.
Curioso, o viajante perguntou a razão daquelas palavras nos remos. O barqueiro então pegou o remo chamado Acreditar e começou a remar. O barco começou a dar voltas sem sair do lugar em que estava. Em seguida, pegou o remo chamado Agir e começou a remar, novamente o barco girou em sentido oposto sem ir adiante.
Finalmente o velho barqueiro, segurando os dois remos, remou com eles simultaneamente e o barco, então, impulsionado por ambos os lados, navegou através das águas chegando ao outro lado do rio. O barqueiro então disse ao viajante:
- Este porto se chama Autoconfiança. É preciso Acreditar e também Agir para que possamos alcançá-lo.
A conclusão e os comentários são de vocês.
O colega que caiu no meu conceito
Perdi um amigo, não, perdi a amizade de um colega, ou melhor, desisti da amizade do colega.
Explico:
Conheci o colega a um bom tempo, sempre nos relacionamos muito bem, é um rapaz falante, simpático, sabe cativar, é muito extrovertido, sempre está pronto para trocar uma idéia ou ajudar em algo que se faz necessário. Mas todo este despreendimento, esta disponibilidade me intrigava e ficava eu a procurar algo que pudesse desaboná-lo. Não tinha. Era perfeito. Quase.
Descobri outro dia que o “famoso” amigo teve que ser levado apressadamente ao hospital, algo lhe acontecera, que uma intervenção médica urgia. Atendido prontamente pelo SUS num hospital particular, fizeram-lhe uma lavagem intestinal e depois de algumas horas de repouso o “cidadão” estava novo em folha, pronto para outra.
O médico foi ao quarto para dar-lhe a “alta hospitalar” e conversando descobriu que o seu paciente, o meu colega, havia sido traído por sua amada esposa e que ele a amava muito e que não suportaria que…
Pronto.
Encontrei o seu defeito.
O rapaz não era perfeito. Era apaixonado e manso. Foi por isto que desisti de sua amizade, por isto e por esta frase do médico a ele dita, ainda em seu leito, antes da “alta”:
-Dá próxima vez, se quiseres te suicidar, toma algo mais forte que este PINHOSOL
pois isto não mata ninguém, nem ameniza a dor de corno…
Foi o que o médico disse.
A profissão, a faculdade, os cursos e a busca de cultura, emprego ou empreendedorismo
Outro dia, assistindo a um programa num destes canais alternativos da valorosa televisão brasileira, deparei-me com uma discussão sobre as alternativas que os jovens têm na escolha do seu futuro, na escolha da carreira a seguir e na escolha do curso que freqüentarão na faculdade.
Professores, psicólogos, adolescentes, pais, apresentadores, todos com teorias mirabolantes, que, na prática, levariam ou levarão os jovens a dar com “os burros n’água”.
Nunca entendi, nem aceitei, esta história de escolher, tão logo se termine o ensino médio, o curso definitivo, o curso que nos formará e nos dará um emprego que nos sustentará para o resto de nossas vidas.
Quando concluí o ensino médio imediatamente ingressei na faculdade, empurrado que fui pelas circunstâncias e pela pressão exercida pela escola que não nos ensinava o conteúdo real no secundário para nos formar homens e melhorar a nossa cultura, mas sim nos preparava para o vestibular (e declaravam isto abertamente).
Tão rapidamente como entrei, saí. Optei por um curso técnico que mais tarde me foi muito útil na profissão e no trabalho que escolhi e desempenhei.
Já não estou mais neste trabalho, já passei por outro e por outro, já fiz outros cursos e tenho absoluta certeza que não será este o último. Curso ou trabalho.
Claro que “cada cabeça uma sentença” mas se pudesse aconselhar, diria:
*Terminem o ensino médio e vão viver. Vão viajar pelo Brasil e pelo mundo, aprendam na prática as melhores teorias, aprendam outros idiomas, lavem louça em restaurantes, cuidem de crianças em casas alheias, atendam em lanchonetes, vendam flores, façam música nas calçadas e nos parques, leiam em todas as línguas, troquem experiências com outras pessoas, conversem, observem e visitem as cidades e o campo, absorvam as mais diferentes culturas e um dia, um dia, voltem. Voltem e optem por alguma profissão, optem por algum curso que, agora sim, com toda a bagagem adquirida estarão aptos a escolher.*
Parece loucura mas é isto que eu faria se voltar no tempo eu pudesse. Penso que desta maneira surgiriam muito mais empreendedores e os poucos empregos que ainda restam seriam ocupados por pessoas muito mais qualificadas.
Esta é a minha opinião.
Madrugadas
As minhas madrugadas são frias.
Madrugadas gélidas neste inverno sulista. O vento minuano sopra de costa a costa e o frio vai penetrando em nossos corpos.
Cobertores já não são mais suficientes.
O frio, as vezes, nos traz a insônia que combatemos observando a bela paisagem do lugar.
O céu iluminado pelas estrelas espalhadas em pontos estratégicos para dar lugar a lua cheia que reflete sua luz no riacho perdendo-se no horizonte.
É tarde.
O frio se espraia e a madrugada assiste confusa a minha condição.
A coruja me observa de cima do poste que integra a cerca que circunda aquela casa, emitindo o seu som característico. Os galos iniciam o seu canto despertador que ecoa aos quatro cantos.
Há cães latindo.
Há gatos sobre os telhados.
Há vida na madrugada.
O sono bate e volto da viagem para a realidade que em seguida me despertará.
As madrugadas continuam frias.
O inverno finda.
A primavera chegará.



Todos podemos ser empreendedores
Muito tem se falado em empreendedorismo e apesar de ser uma palavra da moda, atualíssima, já se o praticava desde a muito e em muito maior escala, pois empregos pouco existiam e idade não era impeditivo para nada.
Tinha eu lá os meus 11 anos quando já auxiliava no complemento do orçamento familiar. Claro que o principal era brincar, jogar bola e estudar, mas todo sábado tinha aquele compromisso: Ir até a casa do representante na cidade do “Jornal Nova Geração”, aguardar até que ele nominava a capa com aqueles inúmeros nomes (em torno de 80) e ir de casa em casa entregando o jornal semanal que saia com as notícias quentinhas (impensável nos dias de hoje). Com sol ou com chuva, no frio ou no calor, lá ia eu com os jornais debaixo do braço a entregar. Ganhava em torno de R$ 10,00 fora as gorjetas recebidas por exemplo do “Seu Kohl”, um alemão que fugiu para o Brasil, no meio da 2ª Guerra Mundial, e, veio parar em nossa cidade. Era o meu cliente preferido, pois as gorjetas eram quase iguais ao todo recebido.
Mas se a semana tinha sete dias, porque trabalhar em um só?
Descobri que um agricultor que também plantava hortaliças precisava de alguém para vendê-las de porta em porta. Como o carrinho-de-mão era muito pesado, fizemos uma parceria, eu e meu irmão, e saímos a vender repolho, beterraba, cenouras, alfaces. Isto também nos deu um bom rendimento.
Jornal vem, repolho vai e fui procurado para trabalhar no “boliche”.
Não era como hoje, tudo automático. Duas canchas paralelas. Numa ponta o pessoal que jogava a bola (Grupo de bolão “Força Madame”) e na outra nós, eu e um colega, torcendo para que poucos pinos fossem derrubados para que poucos tivéssemos que pôr de pé. Ainda lembro, em terças-feiras a tarde, por cerca de 4 horas, recebendo um refrigerante e cerca de R$ 5,00, que logo passaram para R$ 15,00 pois em quintas-feiras à noite surgiu uma vaga no “Bolão” masculino e lá estava eu, pronto a prestar o serviço.
Era uma rotina que me encantava. Pela manhã o estudo e a tarde/noite o trabalho que era gratificante e não perigoso apesar de que as vezes um pino do bolão voava pela força das bolas, mas não nos atingia, só assustava, ou um cachorro mais nervoso que não nos deixava entregar o jornal em determinada casa.
A venda das hortaliças, por vezes, sofria uma queda pois não era sempre que conseguiam produzir (clima) e então surgiu a oportunidade de mais uma tarefa. Pães e doces.
O padeiro “Larssen” já tinha alguém que lhe fazia as vendas mas uma determinada área da cidade não era atendida, prontamente me candidatei e passei a vender. Era uma cesta de vime onde cabiam cerca de 20 pães e alguns doces – “cocada”, “mil folhas”, “sonhos”, cobertos por um pano branquíssimo que mantinha moscas e poeira longe. Não lembro quanto recebia, mas ver a alegria de alguns agricultores em áreas mais distantes recebendo um pão branco, de leite, francês ou um sonho, uma cocada, não tinha preço. Lembro-me que na maioria das vezes, quando voltava à padaria para fazer o acerto sobrava pouco, pois o sonho era muito bom, o pão matava a fome e a gula e eu acabava degustando boa parte do produto de minha venda.
Entre 11 e 13 anos dediquei-me a estas tarefas, sem descuidar dos estudos, sei que hoje tem lei que limita a idade para o trabalho, mas isto é assunto para outro artigo, e só abri mão do trabalho autônomo, empreendedor, porque ingressei com quase 14 anos na empresa em que o meu pai trabalhava, com carteira assinada e porque via os valores que recebia integrarem a receita geral para o orçamento familiar os pais faziam a parte do governo e sobrava pouco para gastar com lazer, ou algum investimento e/ou aplicação que eu gostaria de fazer.
O valor recebido não era muito mas este trabalho me ensinou a ter responsabilidade, a lidar com horários, a manter contato com clientes, a administrar o tempo e o dinheiro com efetividade.
Na época não sabia o que era empreender, mas estes exemplos são bem práticos e podem servir para quem tem dúvidas e resolver, também, se dedicar.