Artigos de agosto de 2008

29 de agosto de 2008

Ponto de partida

Inspiração!! Falta de… Onde buscar? Musas…Tê-las ou não tê-las (acho que já li isto em algum lugar)

Pego minha inspiração num monte de nada. Nada que desenvolvo e fico pensando em tudo.

Tudo que se resume em uma porção de besteiras. Besteiras que se dizem sem pensar no outro.

Outro que nada mais é do que uma continuação do meu eu.

Meu eu que termina onde começa o teu eu. Teu eu não posso descrever pois pertence só a ti.

Só a ti pertencem também estes olhos verdes. Verdes que vejo serem maduros e sofridos

Maduros e sofridos como uma bananeira que já deu cacho. Cachos lembram cabelos encaracolados.

Cabelos escuros, cabelos claros.

Claro que nada pois estás lendo e não entendendo.

Entender para que se tudo está errado, se tudo está certo, se tudo está como está.

Palavras ao vento num sentimento abstrato que nada mostram. Não mostram e não conseguem. Somar dois mais dois e dizer que são cinco.

São cinco minutos que levei para escrever este texto e ainda estou no

Ponto de partida…

26 de agosto de 2008

Sonhos

Tenho alguns, não, tenho muitos… sonhos… Já realizei alguns e ainda realizarei outros tantos. Hoje, no entanto, quero falar de um sonho que ajudou-me a realizar outro e que nem era tão grande assim.

Já fomos, eu, minha esposa e filhos, proprietários de uma cantina de Colégio Particular por um bom tempo e lá servíamos de tudo, desde aqueles temidos salgadinhos, passando por chocolates, balas, pirulitos, pastilhas, chicletes, mandolates e pastéis, pão de queijo, bolos, sanduíches, xis, mini-pizzas e os famosos SONHOS, cuja receita descrevo a seguir:

  • 30g de fermento molhado
  • 100ml de leite
  • 3 colheres grandes de manteiga
  • 1/2 xíc. de açúcar
  • 1 pitada de sal
  • 1 ovo
  • 500g de farinha (aproximadamente)
  • Misturar a farinha e aos poucos os demais ingredientes, deixar crescer até dobrar, moldar os sonhos, deixar crescer novamente e fritá-los. Pode-se recheá-los com goiabada, com doce de leite com o que estiver a mão e nos der prazer.

Tá e daí, pensarão, toda esta “receita enorme e trabalhosa” nomeá-la dos “Sonhos” e viver feliz para o resto de nossas vidas? Não, não precisa, mas se vocês vissem o rosto iluminado, o sorriso estampado e a meleca de doce de leite lambuzada nos arredores das bocas dos adolecente e das crianças do colégio, me dariam razão.

Ah e tem a professora Sandra gulosa que, toda vez que nos encontramos, relembra com água na boca, das vezes que se excedia e cedia a tentação do mais forte pecado.

25 de agosto de 2008

Adeus Pequim/2008, até já Londres/2012

É hora do balanço final.

A Olimpíada acabou e o quadro de medalhas está definido. O grande vencedor foi o país sede que liderou o nº de medalhas de ouro do início ao fim, apesar de os EUA usarem um critério todo seu na contagem das medalhas e se colocarem em 1º lugar em todas as tabelas que publicam.

E o Brasil, num honroso  23º lugar, ludibriado e enganado pelos resultados obtidos no Pan 2007 na espectativa de conquista de um número bem maior do que as 15 medalhas conquistadas.

O que mais acompanhamos foi a tristeza, o choro e até o desespero dos nossos atletas pela frustração de não conquista de medalhas. Será que temos menos capacidade que os atletas dos outros países? Será que não nos preparamos o suficiente durante os quatro anos que sempre separam uma olimpíada de outra? Ou será que nestes momentos decisivos aflora em nós este complexo de inferioridade prejudicando o nosso desempenho perante os adversários como por exemplo diante da Argentina no futebol ou diante dos EUA no Vôlei masculino?

Não sei, mas o que sinto ao ver estes atletas de esportes coletivos atuando e se portando individualmente, querendo sobressair-se para abocanhar mais algum comercial aqui ou um dinheirinho extra ali é um constrangimento que não sei descrever. Não sabem eles que se se aplicarem coletivamente os frutos que colherem serão muito mais suculentos e saborosos?

Por outro lado estes atletas em sua cultura simplória deixam-se levar pela grande mídia (sempre a grande mídia) que na espectativa de audiências fáceis não esclarece ao povão as verdadeiras chances de cada atleta nestes jogos e acaba influenciando até mesmo estes em seu desempenho final.

Os interesses financeiros estão sempre a frente de tudo e agora Record e Globo já brigam por Londres/2012.

E pobre de nós atletas, consumidores, telespectadores, que já estamos nos preparando para a próxima Olimpíada.

24 de agosto de 2008

Tudo é descartável

Ando um tanto preocupado.

Tudo é descartável.

Um eletrodoméstico, uma calça jeans, um par de calçados, um celular, as lentes de contato, as notícias, as amizades, os relacionamentos.

Ando um tanto preocupado e não encontro os motivos desta descartabilidade.

Seria o maior motivo este consumismo desenfreado que leva a sociedade ao caos?

Seria o maior motivo este dinamismo em que se transformou o nosso dia a dia e a nossa busca cada vez maior do prazer individual?

Seria o maior motivo  a nossa necessidade de auto afirmação através de objetos que indiscriminadamente vamos adquirindo e descartando e adquirindo e descartando e adquirindo e…?

Descartar amizades ou relacionamentos como que a descartar objetos, assim, num simples piscar de olhos, é algo inimaginável mas é o que está acontecendo.

Ainda preciso pesquisar sobre o tema, pois tem até certos artigos que são descartáveis como este que não publicarei cujos parágrafos principais foram descartados para não ferir suscetibilidades.

Ando um tanto preocupado…

18 de agosto de 2008

As pessoas, no trem, e seu destino

Assim que o trem parou na estação, pessoas desembarcaram na ilusão de terem chegado ao seu destino. Um homem num traje preto, chapéu Panamá, tendo na mão esquerda uma pasta de executivo, caminha apressadamente em direção ao outro lado da rua, onde pega um táxi e desaparece no fim da avenida. Um casal de namorados, metidos cada qual em seu jeans lavado, uma camiseta t-shirt com a estampa da hora e um all star estilizado, flutuam rua acima envolvidos na brisa do amor que exalam e trocam mutuamente. Uma criança corre, seguida de outra que grita palavras desconexas, e tropeça numa lajota solta da calçada, espatifando-se ao chão e num passe de “circo du soleil” levanta-se, sorri e continua a sua corrida ao nada.

A mãe da criança, em seu vestido plissado branco como a neve do Alasca, a chama insistentemente sem alcançá-la.

Uma jovem lendo Neruda, espia sobre seus óculos de intelectual,  como que a procurar o caminho dos poemas mais lindos.

Uma senhora, vestindo um taier clássico, fala ao celular, gesticulando e por mímicas auxilia na interpretação de quem lhe ouve no outro lado.

Todos, a passos largos, andam, correm rua acima em busca de objetivos diferentes ou semelhantes, de destinos iguais ou opostos.

O trem já parte novamente e com seus vagões lotados por outras pessoas que procuram o seu destino na doce ilusão do chegar, acotovelando-se na subida e aconchegando-se nas poltronas numeradas ao lado de desconhecidos que viajam com a certeza de o seu destino encontrar, mantém-se nos trilhos de retas paralelas que não se separam jamais.

O trem pára na estação e as pessoas desembarcam para ceder

o seu lugar.

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