Archive for julho, 2008
Lei Seca - tolerância zero.
Preciso urgentemente dar minha opinião sobre a nova Lei Seca vigente em quase todo território brasileiro.
A Lei da Tolerância zero.
Sou totalmente a favor. Tá, já fui mais jovem e já fiz as minhas “barberagens” depois de uma festa, já tomei umas e outras (como a grande maioria dos adolescentes), já isto, já aquilo, mas nunca atropelei ninguém e sugiro mais alguns artigos para a lei:
Tolerância zero com prisão para quem jogar papel, lata de refrigerante, cerveja e tudo mais nas vias públicas;
Tolerância zero com prisão para quem jogar criancinhas pela janela;
Tolerância zero com prisão para quem tomar os morros para fomentar o tráfico;
Tolerância zero com prisão para quem dos Detrans se utilizar para enriquecimento ilícito;
Tolerância zero para quem se eleger deputado ou senador ou presidente;
Tolerância zero com prisão para quem roubar, matar, locupletar-se, drogar-se, vender-se, aos corruptos e corruptores, aos mentirosos, aos hipócritas;
Tolerância zero com prisão para os que pensam que lei é só para constar, é só uma moda passageira, é só válida enquanto a mídia dá a notícia, enquanto os bafômetros forem usados, enquanto não surgir uma outra que se sobreponha a esta.
Tolerância zero a tudo o que afeta o desenvolvimento e o crescimento racional da sociedade.
O pomar de João e a cerejeira
João ganhou um pomar.
Sim, João é uma pessoa que gosta de pomares, gosta de cultivá-los, cuidá-los, gosta de ver o pomar crescer, florescer, dar frutos e por isto se dedica a ele.
É o que João está fazendo agora. Cuida de todos os detalhes, a escolha das mudas, o adubo certo (orgânico é claro), a rega, a poda. João só lamenta que as vezes já tem algumas árvores plantadas, árvores que não receberam todo o carinho e o cuidado de João desde o início de suas vidas.
Tem, lá no pomar que o João ganhou, uma bela árvore, a cerejeira, em meio a outras, que teria tudo para ser a que frutos mais suculentos daria, a melhor sombra, as melhores sementes para futuras mudas, mas não, não é isto o que acontece. (Bem que lhe avisaram que a mais bela poderia não ser)
No início João preocupou-se com a macieira que estava com alguns galhos quebrados e um fungo em seu caule. Cuidou dela, remediou-a, regou-a, mas não adiantou. Teve que substituí-la. Preocupou-se, também, com a figueira e aquela bergamoteira que estavam meio caídas, não conseguiam mais produzir e destoavam do resto das árvores que floriam e produziam muitos frutos. Substituiu-as, também.
E a cerejeira lá, vistosa, frondosa, ostentando o lugar de “rei” do pomar.
João substitui as três que sucumbiram e plantou mais outras, mas quando percebeu, uma das árvores parou de produzir, murcharam suas folhas, secaram seus galhos o que deixou-o bastante triste e preocupado. Pôs-se, então, a observar e a investigar. Algo de estranho vinha daquela cerejeira que afetava as demais árvores.
Seria a sombra que as vezes batia ao sul, as vezes ao norte? Seria o sopro do vento que passava por entre os galhos da verde cerejeira?
João continuou sua pesquisa e tratou de recuperar aquela que murchou, que secou. Conseguiu, mas quando percebeu, uma outra árvore frutífera foi atingida. Murchou. Galhos secos, frutas caindo, pouca produção.
E a cerejeira ali, imponente, balançando de um lado ao outro.
O serviço de João recomeçava. Recuperar outra árvore quase morta, coisa que fazia com prazer mas agora ciente da influência negativa da cerejeira sobre as demais, destilando o seu veneno cerejeiro, a sua sombra traiçoeira e o seu vento arrasador, João precisava fazer algo maior, não só para salvar a quase morta mas também proteger.
João talvez apele ao IBAMA.
João talvez faça denúncia à Associação das árvores desprotegidas. João talvez arregimente um exército de árvores e declare guerra à cerejeira.
João talvez use, finalmete, a sua moto-serra para salvar o seu pomar.


Todo menino é maluquinho, mas feliz
O menino irriquieto brinca na sala.
Sobre o tapete, sobre o sofá, sobre a mesa de centro, sobre a televisão, na estante, os brinquedos viajam de cá para lá.
Monstros imaginários circundam o menino que foge deles. Pequenos aviões sobrevoam a selva fabricada e o som supersônico quase rompe os tímpanos dos adultos que se atrevem a marcar presença. Dois bonequinhos articulados se enfrentam em lutas livres que só acabam quando um deles cai da mão do menino e o outro torna-se o grande vencedor. Uma espada de plástico cruza o ar num zás trás que assusta o gato que até a pouco jazia paciente e desligadamente no canto da sala. Alguns pêlos ainda flutuam no ar.
A televisão ligada tira-lhe, por segundos, a atenção mas o retorno ao mundo imaginário é imediato. Uma moto cruza o tapete e o som característico emitido pela boca do menino ecoa. A pantufa imitando um carro de corrida corre no circuito oval com destino à vitória.
O menino, na sua realidade, atira com sua metralhadora ao infinito como que a assassinar a solidão que sente e que vejo no fundo dos seus olhos castanhos.
A brincadeira acaba.
Recolher os brinquedos é preciso para se submeter a organização. A quantidade recolhida daria para marcar a volta na mata para que “João e Maria” não se perdessem, mas todos são, cuidadosamente, acondicionados em suas caixas.
Um pastel, um suco e a cama para recarregar as baterias para amanhã
É fácil concluir que a felicidade existe e que ela caminha lado a lado com a inocência dos meninos, das meninas, dos homens e de sua infância.