Fidelidade

O que é ser fiel? Quem é fiel? Todos conseguem ser fiéis?

O conceito de fidelidade não passa pela subjetividade e relatividade interpretativa de cada indivíduo? Ou ser fiel é uma questão de princípios?

Não sei.

Penso que existem diversos tipos de fidelidade e o que é ser fiel para um pode não ser para o outro.

A Renata disse e atestou que sou fiel quem escreve o Movidoavapor é um blogueiro fiel, tanto que presenteou-o com este selo, que em breve colocarei em lugar de destaque.

Conceitos, princípios, fidelidade virtual.

Com este presente concluo que a fidelidade é uma virtude que devemos cultivar, pois selos dizendo que este blog é um Blog Infiel eu nunca vi, não recebi e nem pretendo receber.

Obrigado, Renata.

Agora o blog além de ter Total Force é considerado um blog de Blogueiro Fiel.

Não é fácil ser paraplégico

Minha filha tem um amigo paraplégico.

Era um rapaz saudável, viviam em festas e no fim de uma delas, nestas tantas curvas voltas que as estradas dão e impulsionado por aquilo que hoje e sempre impulsiona os jovens, uma derrapada com a moto e o (in)feliz deu de cara no chão, estatelado e desacordado. Do tombo para a paraplegia é um pulo.

Amigos, então, sobram poucos e o acesso às festas, às lojas, às escolas, aos bancos, aos restaurantes, aos ônibus, aos “xopins”, aos cinemas, aos etc é praticamente inexistente.

O que fazer então para que o Julio (o tal rapaz que sobreviveu ao acidente e que enfrenta a paraplegia com um sorriso no rosto e um otimismo que eu não teria) siga a sua vida normal, podendo freqüentar os lugares que todos podemos freqüentar?  Ajudá-lo com sua cadeira de rodas? Carregá-lo para lá e para cá apesar dos seus 75 Kg?

Ontem eles tentaram ir no Cia Bar em Estrela/RS, no Café Virtual em Lajeado/RS (cito estes dois lugares mas poderia relacionar uma infinidade deles) e acabaram desistindo. Sem rampas, sem banheiros especiais sem a paciência dos freqüentadores dos locais sem acesso, mesmo.

O que fazer então?  Fica em casa, Julio, quem manda tu seres paraplégico.

Penso que os nobres deputados, senadores, prefeitos, legisladores em geral, se sensibilizem e se interessem mais por este assunto (sei que já existem algumas leis) e façam algo mais no lugar de aumentar seus salários, suas ajudas de custo, suas verbas de representação.

Minha filha tem um amigo paraplégico e, aos nossos olhos, ele não está morto e merece uma vida normal por mais difícil e dificultada que seja.

O caos no trânsito e algumas alternativas

Quero vender o meu nosso carro[bb]. Faço qualquer negócio. Financio. Facilito a entrada. Dou prazo após o prazo. Entrego com o tanque cheio e o Ipva pago. Se o interessado “chorar” um pouco, faço até um bom desconto. E não é pelo dinheiro, que sempre é bom, mas o caso é outro:

Não tem mais espaço para os veículos transitarem nas grandes cidades.

As principais capitais estão com os congestionamentos cada vez maiores e segundo os especialistas, São Paulo e Rio de Janeiro pararão em 3 a 5 anos, Belo Horizonte e Porto Alegre em 5 a 10 anos.              O que é que eu quero com um carro, então?

Já imagino-me preso no trânsito. Saio de casa, ando alguns metros e tranca tudo. Carros e mais carros à minha frente, atrás, ao lado.Tudo parado.

Os flanelinhas desempregados, os vendedores de todos os gêneros super atarefados, os celulares tocando e tocando e tocando, os notebooks[bb] nos colos dos motoristas a trabalhar insessantemente e servindo de elo entre os que no carro estão e o escritório/fábrica/restaurante/… Os contatos entre os do carro”A” com os do carro “B”, “C” desenvolvendo uma nova linha de pensamentos metafóricos e visionários que determinam o fim ou o início de uma nova era que já acabou.

Os relacionamentos virtuais cada vez mais fortes e aprofundados.

As cidades pararam. O país parou.O homem parou e pela morosidade que vivia aquele dia em que as horas não passavam pensou, meditou, filosofou.

Cidades menores cobrando royalties das maiores pelo know-how que adquiriram, tentando ensinar-lhes a melhor maneira de fugir deste caos.

O fim dos movimentos estava próximo, tão próximo que nada mais importava. Ouvia-se ao longe as businas dos carros, os gritos das pessoas, cães e gatos observando os movimentos selvagens dos humanos que insistiam em sair deste emaranhado, desta confusão.

Precisamos achar uma solução, nem que seja freudiana.

Quero vender o meu nosso carro, mas pensando melhor e verificando os fatos reais que estão acontecendo e ainda dominam a minha consciência, melhor não vender. Não, melhor vender pois se Porto Alegre que tem em torno de dois milhões de habitantes  vai parar daqui a 10 anos eu que moro aqui nesta Teutônia de trinta mil, continuando neste ritmo, parará daqui a mais ou menos 543 anos e como medida preventiva vou vender o carro, com ou sem o consentimento de vocês.

Transporte?

De bicicleta, carro de boi, charretes puxadas por cavalos brancos ou então caminhadas, longas e desestressantes caminhadas, que me ajudarão a fugir deste que é o mais novo, o mais interessante, o mais empolgante, o mais importante foco noticioso da nossa competente e imparcial mídia.

Um show inesquecível

Ontem fomos assistir a um show do Nelson Coelho de Castro com a Mônica Tomasi, no palco do Sesc em Lajeado/RS. Apesar de pouca gente na platéia (o Sesc deveria divulgar mais e melhor estas apresentações) foi um show para arrepiar.

Conheco o trabalho do Nelson desde a muito, do tempo em que fazer músicas de protesto contra as coisas que aconteciam e, invariavelmente, ainda acontecem neste nosso Brasil, dependia de talento e não eram muitos que o tinham.

O Nelson é um dos melhores sambistas do Brasil e suas letras nos fazem viajar entre lembranças do passado, “lembranças” do presente e “lembranças” do futuro. Admiro-o porque não cedeu as inúmeras propostas que recebeu dos centros maiores (RJ/SP), permanecendo na sua Porto Alegre, não massificando a sua música.

Não, ele não faz música para a elite, ele faz música. Uma música para quem ouve se encantar e se apaixonar. Amor a primeira, segunda, terceira… vista.

O Nelson fez alguns shows com o Bebeto Alves, Totonho Villeroy, Gelson de Oliveira e ontem apresentou-se com a Mônica, que é, também, uma excelente música/cantora e nos fez ver que a vida pode ser maravilhosa, nem que seja por uma hora e meia - tempo de duração do show.

Os cd’s estão tocando direto, mas nada como um show ao vivo, na primeira fila, para lavar a nossa alma.

Histórias da mãe

Sempre gostei muito da mãe, principalmente da mãe dos meus filhos, mas com a minha aprendi muito.

Nasci em casa porque naquela época as crianças eram geradas e concebidas para trabalhar na roça, porque meu pai era “Caixeiro-viajante” e só aparecia de quando em vez em casa e porque não dava tempo e nem se tinha dinheiro para ir ao hospital.

Ensinou-me, ela, a pensar cedo na vida isolando-me no cercado para bebês onde entre um pensamento e outro, eu chorava e batia a parte de trás da cabeça na parede, tentando chamar atenção.

Ensinou-me, ela, as primeiras noções de organização, a mim e aos meus irmãos, orientando-nos:

Tu lavas a louça, tu a secas, tu varres a casa, tu limpas o pátio…

Ensinou-me, ela, os princípios da hierarquia - Primeiro o pai, depois o pai, mais tarde o pai e só então os demais.

Ensinou-me, ela, os princípios da solidariedade quando punha-nos naquela banheira grande onde o irmão mais velho tomava banho, depois a irmã, depois a escada ia descendo até o caçula, todos na mesma água.

Lembro-me de um episódio em que, no alto dos meus 12/13 anos, fui convidado para o aniversário de uma colega, dinheiro para presente não tinha e ela colheu uma rosa no quintal para que eu presenteasse. Claro que joguei a flor fora para não pagar este mico, mas hoje entendo melhor o gesto.

Tive algumas muitas diferenças com ela, mas quem não as tem e procurei procuro agir com os meus filhos baseado na experiência que vivi.(Não vou contar todas porque no ano que vem tem mais artigos)

Hoje curtimos o dia das mães em família e apesar de acharmos que todos os dias é dia da mãe, do pai, do filho, do amigo, do pedreiro, do carpinteiro, do estudante, da criança, do fulano, do beltrano… reunimo-nos , nosso filho e nossas filhas e seus companheiros(as) para aquele churrasco glorioso.

Cada filho tem uma história para contar e de muitas até participei, mas isto vou deixar para que eles contem.

Feliz dia das mães e quanto menos comercial melhor.

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