Artigos de maio de 2008

28 de maio de 2008

Uma carta aberta ao meu amigo Pedro

Caminhando de um lado a outro do bairro desta nossa cidade interiorana, Pedro, onde o predomínio de pessoas de origem alemã já não se percebe mais, bate-me aquela saudade dos tempos idos em que o maior perigo do trânsito era o atropelamento de um sapo ou um gato, por aquela carroça que usávamos nos domingos para passear nos parentes/amigos distantes (como eram boas as frutas que comíamos nas copas das frutíferas, que subíamos com muita destreza).

Olhar a rua do colégio em que estudava (que já sofreu inúmeras reformas) asfaltada, cheia de quebra-molas, casas e edifícios se acotovelando, faz lembrar-me aquela estrada de chão batido na qual corríamos a brincar de “Pega-pega”, jogar bola e deixar nossas roupas naquele estado propício para comercial de OMO sabão em pó na televisão. A rua já não se chama mais “Rua Seca”, parece que já tem até saneamento básico.

É incrivel, Pedro, mas aquelas roças que atravessávamos, pulando as cercas dos potreiros e infiltrando-nos mato adentro até chegar ao moínho, que ainda hoje existe, (te lembra daquela vez que ficamos a olhar a roda d’água e a serra-fita e nos esquecemos do tempo?) onde comprávamos a farinha de milho que a mãe usava para fazer pães para a família de seis filhos, foram urbanizadas e por onde se olha tem ruas asfaltadas, casas, comércio, indústrias, creches, praças, academias de ginástica e até um cemitério brotou naquela área em que andávamos de bicicleta.

Sabe, Pedro, aquela propriedade rural não se precisa mais fugir dos quero-queros como na época que o colégio nos obrigava oportunizava a visitar em outubro, no dia das crianças, fazendo piqueniques inesquecíveis, nos quais brincávamos do raiar até o pôr do sol e nos jogávamos, volta e meia, no arroio, escondido dos professores/responsáveis por aquele bando de capetinhas? Transformaram-na em um grande loteamento popular para abrigar os trabalhadores vindos de outras cidades e até os da nossa, a procura dos empregos calçadistas.

O nosso bairro, Pedro, está transformado.

As casas não são mais aquelas feitas de madeira com uma cerquinha branca e um belo jardim à frente e uma horta orgânica nos fundos. Muitas grades, Pedro. Muitos controladores, muitas câmeras acompanhando os transeuntes.

O comércio abandonou o velho e bom caderninho, fiado que deu lugar aos carnês controlados por computadores interligados na grande rede.

E as pessoas, Pedro, já não as conheço mais… Tem gente de todas as raças, credos e cores.

Já não posso mais sair a noite caminhando pelas ruelas escuras observando a lua e as estrelas como fazíamos.

O nosso bairro, Pedro, está transformado e é isso que me leva a devaneios e conceitos que não se definem. Ver a cidade mudar desta forma e sentir que eu mesmo transformei-me externa e internamente, faz lembrar-me dos nossos sonhos, das nossas espectativas e das ações que impetramos na conquista deles.

É isso, Pedro. Quando aqui voltares e perceberes que o que falo é real, talvez nem a mim reconhecerás, tantas mudanças, Pedro, pois tudo acaba onde começou

Esta carta missiva foi escrita baseada em fatos reais e sua postagem foi incentivada pela Lunna que anda surpeendendo em seus blogs.

27 de maio de 2008

CPMF = CSS

Como dizia  o Roberto Carlos:

…Eu voltei agora é pra ficar

Porque aqui, aqui é meu lugar

Eu voltei pras coisas que eu deixei

Eu voltei…

Porque será que nós não aprendemos?

Mal acabaram com uma agora já estão criando outra contribuição. E o benefício para a saúde, que é prometido sempre, não aparece.

O Roberto como a Cpmf, voltou e nós, para acompanharmos o grande poeta Manoel Bandeira, que tal irmos à Pasárgada?

Já tô indo…

25 de maio de 2008

Exploração sexual de crianças e adolescentes

Muitas são as vezes em que criticamos o governo os senadores e os deputados, mas tantas outras precisamos elogiá-los, como por exemplo nesta iniciativa da Câmara dos Deputados cujo texto recebi via e-mail da minha filha Patrícia que transcrevo na íntegra abaixo:
Brique da Redenção foi palco de mobilização no Dia Nacional de Combate à Exploração de Crianças e Adolescentes.
Um ato público realizado em um caminhão posicionado no Brique da Redenção, em Porto Alegre, marcou o Dia Nacional de Combate à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, neste domingo, 18 de maio. Grupos artísticos da comunidade formado por jovens realizaram apresentações de música e dança na abertura do evento. Em seguida, representantes da rede de proteção à criança e ao adolescente entregaram às autoridades das esferas municipal, estadual e federal o Plano Municipal de Enfrentamento à Violência e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.

A deputada federal Maria do Rosário (PT-RS), coordenadora da Frente Parlamentar em Defesa do Direito da Criança e do Adolescente, ressaltou a importância destas iniciativas e criticou a naturalização da sexualidade infantil. “O nosso objetivo é mostrar que a violência contra a criança não é algo natural e deve ser enfrentado por toda a sociedade. No momento em que o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) completa 18 anos, já temos o que comemorar, mas muito ainda por fazer, dialogando e pressionando contra a naturalização da sexualidade na infância”, defendeu a deputada.

No dia 14 de maio, a Câmara dos Deputados aprovou o projeto de lei 4850/05, de autoria da CPI mista da Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, realizada de 2003 a 2004 e da qual a deputada Maria do Rosário foi relatora. A proposta altera o Código Penal e a Lei de Crimes Hediondos para tipificar e ampliar a definição de crimes como estupro, tráfico de pessoas, prostituição e outras formas de exploração sexual. Além disso, o projeto prevê penas mais rigorosas para quem comete ou facilita a violência sexual infantil. Dos cinco projetos oriundos da CPI, este é o último a ser apreciado pela Câmara.

O ato público deste domingo foi promovido pelo Movimento pelo Fim da Violência e Exploração Sexual de Crianças, Fórum Estadual de Direitos da Criança e do Adolescente (FEDCA/ RS), Conselho Estadual de Direitos da Criança e do Adolescente (CEDICA/ RS), Fórum Municipal de Direitos da Criança e do Adolescente (FMDCA/POA) e o Conselho Municipal de Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA/POA).

Origem da data

A data de 18 de maio foi escolhida como marco da luta contra o abuso e a exploração sexual porque, em 1973, em Vitória (ES), um crime bárbaro chocou o País e ficou conhecido como o Crime Araceli. Esse era o nome de uma menina de apenas 8 anos de idade que foi drogada, estuprada, morta e carbonizada por jovens de classe média alta. O crime, apesar de sua natureza hedionda, prescreveu impune.

Disque 100

Uma ferramenta importante para a luta contra a exploração sexual é o Disque 100, criado pelo Governo Federal, para que a população encaminhe as denúncias em segurança.

Não importa de quem venha a iniciativa, sei que também está rolando uma Blogagem coletiva em Defesa da Infâcia, gostei muito do texto da Luma.

O que interessa é que cada um faça a  sua parte, pois hoje é só(?) uma criança que é atingida, amanhã pode ser o seu filho e aí então poderá ser tarde para abraçares a causa.

Solidarize-se e engaje-se.

25 de maio de 2008

O sentido do sentimento

Percorrendo as curvas do teu corpo

Reduzo a velocidade do meu andar

Apreciando o que sinto.

A pele macia

as mãos

o sorriso

o gozo.

Carícias que nos ascendem

Carícias que acendem em nós

o desejo, o amor, o tesão.

São dois corpos entre lençóis

que vão se perdendo no chão

do quarto.

O quarto que se transforma

e as quatro paredes se expandem

e se comprimem

tal qual nossos corpos

que atingem o ápice da relação.

Não há limites,

Não há limites.

Não há segredos.

Não há começo

E não há fim

20 de maio de 2008

Chimarrão – A terapia do gaúcho

Quem nunca tomou um não sabe o que está perdendo.

Aquela cuia cheia de erva-mate verdinha; um chazinho para diversificar o gosto; a água derramada vagarosamente, nem fria, nem fervente, no ponto; a bomba (de chimarrão) dentro da cuia a interligá-la com a boca do vivente que vai sorvendo o mate; a cuia de mão em mão e o pessoal jogando conversa fora ou resolvendo todos os problemas do mundo.

É uma delicia.

Naquelas manhãs, tardes, noites geladíssimas do nosso Rio Grande do Sul/BR em que as temperaturas baixam de 0°C e não ultrapassam os 10°C, a água do chimarrão vai descendo garganta abaixo aquecendo todos os rincões do corpo e também da alma.

Quem precisa de cobertor?

E não é só no frio. Chimarrão toma-se sempre, no inverno, na primavera, no outono ou no verão.

Tomo chimarrão desde os meus 13 anos (já devo estar verde por dentro) e desde então é difícil passar 2 ou 3 dias sem. É uma tradição que cultivo e repasso aos filhos, que espero repassarem aos seus. Esta tradição está tão enraizada nos costumes do gaúcho, catarina e até paranaense, que muitos o tomam no trabalho, nos passeios pelas praças das cidades, nos jogos de futebol, nas escolas, nos bancos, nas repartições públicas e em todos os lugares que se possa imaginar.

Nesta história do chimarrão sou meio conservador, mas se amanhã aparecer um cientista maluco “Paulo” inventando uma fórmula para socializar mundialmente esta bebida, vou apoiar pois penso que todos têm o direito de experimentar.

Se fosse nos EUA já estariam comercializando o “chima-cola” e ganhando muitos dólares .

Hoje, muitas vezes, tomo o chimarrão em frente ao computador. A esposa não gosta e os filhos, fora, não me fazem companhia sempre. Entre o escrever um artigo, ler um nos blogs e acessar os sites, a cuia se esvazia, a garrafa térmica se esvazia e a chaleira já chiando sobre o fogão a gás anunciando que tem mais água para a próxima rodada.

Estão servidos?

Clicky Web Analytics